Integrantes e simpatizantes do movimento Batalha da Palhoça, que há nove anos vem promovendo encontros de adeptos do hip hop na Praça Sete de Setembro, fizeram uma manifestação em frente à Prefeitura na tarde desta quarta-feira (28). Eles pedem a retomada da rotina de batalhas, interrompida a pedido da Polícia Militar.
O movimento já havia sido impedido de realizar os encontros, e há quatro anos as “batalhas” retornaram à praça. A Polícia, porém, não vê a iniciativa com bons olhos e os organizadores acabaram perdendo a autorização que tinham da Prefeitura para a realização dos encontros. “Este ano, a polícia está batendo muito, querendo acabar com o movimento. O movimento é cultural. Várias famílias, crianças, jovens, adolescentes, todo mundo cola ali para ver a rima em si e também o conteúdo que cada MC carrega, o break, a dança, os DJs”, explica Luiz Cláudio dos Santos, o Zulu, uma das lideranças do movimento.
A proibição não partiu da Prefeitura. A Secretaria de Segurança Pública esclarece que a realização das batalhas de hip hop na Praça Sete de Setembro foi proibida pela Polícia Militar, depois que os participantes não cumpriram regras acordadas com o comando do 16º Batalhão e autorizadas pelo Executivo municipal, como limite de horário, proibição do uso de drogas e alternância de locais a cada 15 dias, para manter a ordem pública.
Na Prefeitura, nesta quarta-feira, os manifestantes foram recebidos pelo presidente da Fundação Municipal de Esporte e Cultura (FMEC), José Virgílio Junior (Secco). A FMEC informa que foram disponibilizados espaços públicos como ginásios, parques e outras praças para os eventos, oferta rejeitada pelos organizadores. Eles querem continuar utilizando a Praça Sete de Setembro. “A gente merece um respeito de todo mundo, de todos os órgãos, é até ridículo a gente ter que estar pedindo isso”, diz Zulu.
A luta foi encampada pelo movimento estudantil. “Estamos aqui como luta popular. A Constituição garante a livre expressão cultural e política, e a Prefeitura não tem o poder de impedir. A Prefeitura está dizendo que não está impedindo, que a Polícia Militar está impedindo a movimentação cultural dentro do município de Palhoça”, observa Leonardo Medeiros de Souza, membro da Assembleia Nacional dos Estudantes Livres. “A Prefeitura não pode abrir um espaço público, que é a Praça Sete de Setembro, para um movimento cultural legítimo, que retira muitas pessoas do crime, das drogas? É um mecanismo da sociedade de melhoramento e resistência. A gente está em um mês de resistência do povo negro, e este tipo de ataque que a Prefeitura e a Polícia Militar estão fazendo, retirando um movimento social tão antigo na Palhoça, é um crime e a gente vai encarar como um crime de racismo se continuar”, expressa o estudante.
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20/03/2025
13/03/2025