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Há 70 anos, desastre aéreo sacudiu o Cambirela

Silvio Adriani Cardoso traz um detalhado relato do resgate de uma das maiores tragédias a que Palhoça já assistiu

1c3bbfcadf10efafe836670628a879b3.jpg Foto: ARQUIVO SILVIO ADRIANI CARDOSO

Texto: Silvio Adriani Cardoso*/Especial

 

Nas primeiras horas da manhã de uma terça-feira de inverno fria e chuvosa, centenas de militares do 14º Batalhão de Caçadores (BC) praticavam a Educação Física no pátio do quartel, no Estreito, quando muitos deles foram convocados às pressas para partirem imediatamente para o Cambirela. A notícia era a de que um avião havia caído naquela montanha, mas não se sabia exatamente onde. Em poucos minutos, 80 militares, entre praças e oficiais, embarcaram em veículos militares e partiram rumo à Guarda do Cubatão, munidos apenas de um cantil com água e as roupas do corpo. Nada mais.

Apesar de serem soldados treinados para as durezas de um combate, os desafios que lhes aguardavam no alto do Cambirela marcariam suas vidas para sempre. Na Guarda do Cubatão, aos poucos, chegavam os efetivos da Base Aérea de Florianópolis, do 5º Distrito Naval, da Escola de Aprendizes Marinheiros e da Polícia Militar de Santa Catarina. Coube ao tenente-coronel Paulo Gonçalves Weber Vieira da Rosa liderá-los. Diversos moradores das redondezas, exímios caçadores e profundos conhecedores da região, foram “convocados” pelos militares a guiá-los até o local do acidente.

A subida foi árdua, penosa, difícil. A chuva era torrencial e em alguns trechos a trilha se parecia mais com uma cachoeira, tal era o volume de água que corria vertente abaixo. O terreno era escorregadio, íngreme, perigoso. Alguns soldados, por mais que tentassem subir, acabavam vencidos pela fadiga muscular ou cardiovascular e retornavam à base do Cubatão, onde foi montado um pequeno e improvisado centro de operações.

No caminho, o comandante pediu que fizessem silêncio, pois podia-se ouvir vozes que se aproximavam no sentido oposto, descendo pela trilha. Seriam sobreviventes? Não eram! Tratava-se de moradores da região, que, atraídos pela explosão do avião, haviam chegado antes dos socorristas e haviam saqueado parte da carga e pertences dos passageiros. Todos foram detidos e tiveram os pertences apreendidos. Existem relatos de que essas pessoas não só foram intimadas pelo comandante  a subir novamente para mostrar onde o avião havia caído, como tiveram que ajudar a recolher os corpos.

No alto, o cenário da tragédia era desolador. O avião estava reduzido a milhares de pedaços espalhados na vertente leste do Cambirela. Em uma grande clareira aberta pelo incêndio, se encontravam diversos corpos, alguns carbonizados, outros despedaçados; a maioria, irreconhecível. Não havia mais nada a fazer além de encontrar e devolver os corpos aos entes queridos. Durante três noites e quatro dias, soldados das Forças Armadas e auxiliares (Exército, Marinha, Aeronáutica, Corpo de Bombeiros e Polícia Militar), além de civis, revezaram-se incansavelmente nas buscas e recuperação das vítimas do Cambirela, sob condições climáticas impiedosas, com ventos cortantes, chuvas incessantes e temperaturas baixíssimas, que resultavam em uma sensação térmica quase abaixo de zero. A fome e a sede também eram constantes. Muitos permaneceram improvisadamente no alcantil, exaustos, encharcados, cuidando para que os corpos não fossem profanados. Se a subida era difícil, a descida era ainda mais penosa, pois havia de se trazer os cadáveres que já se encontravam em adiantado estado de decomposição. 

Nesta empreitada, foram empregados, nas partes menos íngremes, cavalos, que transportavam padiolas improvisadas, e carros de boi. Logo, os corpos eram embarcados nos veículos militares e encaminhados ao quartel do Estreito, onde foi improvisada uma morgue e uma câmara ardente. Lá, uma equipe do Hospital Militar de Florianópolis (atual hospital de guarnição) recebia os corpos que eram necropsiados, embalsamados e finalmente liberados para seus familiares. 

A tragédia do Cambirela marcou profundamente a vida de muitos homens. Vencer as abruptas encostas sob chuvas torrenciais em um ambiente vertical, cheio de perigos, não era nada comparado ao sacrifício de procurar pelos corpos no meio da densa floresta, infestada de grotões, terreno encharcado, escorregadio, traiçoeiro e repleto de plantas espinhosas e tóxicas. Para agravar ainda mais a situação, os militares corriam o risco de serem picados por animais peçonhentos como jararacas e aranhas, além do mosquito transmissor da malária, doença que foi amplamente combatida nas décadas de 1930 e 40 em diversas regiões do país. 

Esses homens não eram especialistas em resgate em montanha, não contavam com cães farejadores, equipamentos especializados ou aparelhos eletrônicos com tecnologia de ponta. Não contavam sequer com os materiais básicos de proteção, como máscaras faciais, luvas ou botas de borracha, e nem sempre tinham condições de realizar a higiene básica.

A somatória de todos esses inconvenientes resultou em diversas baixas. Vários socorristas foram parar nas enfermarias do 14º BC ou no Hospital Militar de Florianópolis. Alguns permaneceram com sequelas psicológicas durante dias, semanas, meses, anos. Houve casos de pessoas que foram internadas na Colônia Santana. Muitos desses homens receberam doses da vacina empregada para combater as febres tifoide, paratifoide “A” e paratifoide “B”, transmitidas através da ingestão de água ou alimentos contaminados com fezes humanas ou urina que continham a bactéria da Salmonella enterica sorotipo Typhi. Cadáveres eliminam fezes que podem contaminar rios e outras fontes de água com doenças que causam diarreia.

Se considerarmos que aqueles homens, durante quatro dias, manipularam corpos em adiantado estado de decomposição em meio a chuvas constantes, e que, sedentos, bebiam constantemente a água nos córregos ao longo das vertentes enquanto transportavam os corpos, não é difícil imaginar quantos se contaminaram.
Para marcar a semana que assinala os 70 anos da tragédia aérea do Cambirela e o centenário da chegada do 14º Batalhão de Caçadores em Florianópolis (1919-2019), deixamos aqui a nossa singela homenagem àqueles homens, heróis anônimos, que movidos por um sólido espírito de corpo, uma rígida disciplina militar, um obstinado ato de coragem e, acima de tudo, um verdadeiro ato de solidariedade para com o próximo, não mediram esforços para devolver os corpos das vítimas aos seus entes queridos.

* Baseado em seu livro “O último voo do C-47 2023 - A tragédia do Cambirela 70 anos depois”, com previsão de lançamento ainda em 2019



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