Por: Willian Schütz
Faltam poucas semanas para que o Palavra Palhocense alcance a milésima edição. São quase mil semanas dedicadas à informação do povo de Palhoça. A primeira edição foi em 2005, há quase 20 anos. Mas essa história é muito mais antiga. Para celebrar toda essa trajetória, uma série de reportagens recorda as origens e principais feitos do Palavra Palhocense.
Pesquisar a história do Palavra Palhocense envolve recordar também a história do jornalismo de Palhoça, que começou há gerações. Um dos registros mais antigos é do jornal “O Lidador”, que circulou a partir de 1902. Outros destaques são “A Voz de Palhoça”, que circulou em 1905; e o jornal local “A Comarca”. No entanto, ao longo dos anos, muitos desses antigos jornais deixaram de existir.
Foi na década de 1980 que surgiu um novo movimento na imprensa da região, com vários veículos diferentes circulando. Porém, Palhoça ainda não tinha um jornal exclusivamente próprio. E foi nessa época que o escritor João José da Silva começou a trilhar o caminho que resultaria na fundação do jornal O Palhocense, em 1989. O veículo serviu como base para o que viria a se tornar o Palavra Palhocense, muitos anos depois.
Ainda atuante no jornal, como colunista, João José recorda o início dessa trajetória. “Fazer jornalismo em Palhoça era um desafio. Eu não tinha experiência, mas havia lançado um livro e comecei como colunista em Santo Amaro da Imperatriz, no jornal Expresso. Trabalhei lá por um ano, escrevendo a coluna Boca Maldita. Quando o jornal faliu, passamos a publicar no O Regional, que era administrado por mim e pelo Luiz Goedert. Depois, em 1989, veio o incentivo de amigos, como Paulo Roberto Vidal, que me sugeriram criar um jornal próprio. Assim nasceu O Palhocense, em outubro de 1989”, relembra.
Ainda segundo o jornalista, aqueles primeiros anos foram marcados por muito esforço. Parte disso estava ligada às dificuldades tecnológicas, por exemplo. As fotografias eram analógicas e a redação tinha como principal instrumento as máquinas de datilografia. “Naquela época, era tudo muito difícil. Eu não tinha computador e as máquinas fotográficas eram bem simples. Para revelar uma foto, precisava pegar um ônibus até Florianópolis e ir à Real Color, na Felipe Schmidt. Os textos eram datilografados e, depois de prontos, levávamos para um diagramador, que poderia estar em São José ou Florianópolis. O jornal era impresso onde também era o jornal O Estado, onde rodamos por cerca de seis anos”, conta João.
Outra dificuldade daqueles tempos era a periodicidade. “No início, O Palhocense era publicado semanalmente, mas houve períodos em que era quinzenal ou até mensal, dependendo da quantidade de anúncios. O jornal sempre foi gratuito, então, sua distribuição dependia do apoio comercial”, argumenta.
Também foram registradas mudanças de sede. Nos primeiros anos, o escritório do jornal ficava acima do Banco Bradesco, ao lado da Praça Sete de Setembro, bem no Centro de Palhoça. “Ali, eu recebia empresários, entregavam-se matérias e eu redigia os textos. Depois, mudamos para a rua Caetano Silveira de Matos. Foi nesse período que Alexandre, meu filho, passou a me ajudar mais ativamente na edição do jornal”, afirma o fundador, que hoje vê o Palavra Palhocense sendo dirigido justamente por Alexandre, que deu continuidade ao legado a partir de 2005, quando a numeração zerou e a nova fase começou.
Tudo isso foi graças à história iniciada lá na década de 1980. Não levou muito tempo até O Palhocense se tornar um jornal querido pela população local. De lá para cá, o veículo contou com participação ativa de muitas personalidades, que deixaram suas marcas na história da cidade.
“Entre os primeiros colunistas, estavam o doutor Juarez Nahas, que escrevia a coluna ‘Falando Sério’, muito lida na época; e o colunista Cabeção, que também iniciou cedo. O Amaro Junior, atual superintendente na região sul do município, escrevia sobre esportes”, destaca João José. E a lista de colaboradores não para. “Tivemos colunistas marcantes, como o historiador Cláudio Silveira, que escrevia sobre a história da cidade; o irmão dele, o artista plástico Jacob Silveira, mantinha a coluna ‘Pra Lá do Cambirela’, trazendo uma visão artística e cultural”, continua.
Outra curiosidade é o início de Alexandre Bonfim no meio jornalístico — muito antes dele vir a se formar pela UniSul. “Uma curiosidade é que meu filho Alexandre começou cedo no jornal. Com apenas oito anos, ele escrevia a coluna ‘Não Perturbe, Criança Criando’, onde falava sobre a rotina da escola, games e desenhos animados. Depois, quando o jornal evoluiu para o Palavra Palhocense, meu outro filho, Davi João da Silva, continuou a coluna, seguindo o mesmo estilo”, relembra João.
Ainda segundo ele, “o jornal atravessou décadas, acompanhou mudanças tecnológicas e evoluiu junto com a cidade”. “Hoje, é emocionante ver sua história se consolidando e alcançando a milésima edição”, finaliza o idealizador do O Palhocense.
Essa história segue sendo escrita todas as semanas, rumo à edição mil. Até lá, matérias especiais sobre o veículo, reportagens e personalidades marcantes seguirão sendo publicadas, como uma contagem regressiva que homenageia o passado e celebra o futuro.
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