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Coronavírus: preocupação nas aldeias indígenas

Com a propagação da pandemia da Covid-19, comunidade no Morro dos Cavalos muda hábitos e adota restrições

286ad3cc0da21bbe2dec126ff989c6e7.jpeg Foto: DIVULGAÇÃO

Por: Sofia Mayer*

 

Para se proteger do avanço do novo coronavírus (Covid-19), indígenas de duas aldeias do Morro dos Cavalos, em Palhoça, estão tendo que adaptar a rotina e aderir a restrições territoriais. Sem deixar de lado o uso de ervas medicinais e a busca por uma dieta orgânica, a fim de dar uma turbinada na imunidade, a comunidade tem aderido, durante a pandemia, às práticas vistas no mundo todo: isolamento social e intensificação nos hábitos de higiene. De maioria autônoma, porém, as 52 famílias da comunidade estão garantindo, hoje, alimentação a partir da doação de cestas básicas.

Em março, quando a Covid-19 acabava de chegar em território catarinense, o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), apresentou medidas que poderiam ajudar a prevenir o contágio nas aldeias. Segundo o “Plano de Contingência Nacional para Infecção Humana pelo novo Coronavírus (Covid-19) em Povos Indígenas”, os casos suspeitos da doença terão prioridade no atendimento à população, a fim de diminuir o tempo de contato do vírus nas comunidades indígenas.

Para a representante catarinense do Conselho de Aldeias Guarani, Kerexu Yxapyry, a medida da Sesai é positiva para o povo do Morro dos Cavalos. A líder lembra de outros momentos, na história, em que índios foram massacrados por epidemias carregadas por imigrantes ou pessoas da cidade. “Além de toda a colonização, essas gripes foram trazidas e o nosso povo, assim, não tinha imunidade para resistir a essas doenças, não tava preparado, foi pego de surpresa”, contextualiza. Kerexu ressalta que a diferença, hoje, é que a comunidade está se protegendo de outras formas, com resguardo social e medidas de higiene. “Mesmo assim, eu temo pela imunidade da população indígena com essa questão do coronavírus, que tá vindo arrasando com tudo”, observa.

Segundo levantamento interno, 53 famílias fazem parte das duas aldeias que compõem o Morro dos Cavalos. Para proteger a comunidade do avanço da Covid-19, Kerexu conta que medidas de segurança, como barreiras de acesso, tiveram que ser montadas. “Eu acho que, no nosso caso, é um processo ainda mais delicado, porque nós moramos muito próximos da cidade, e ainda tem uma BR que passa, cortando o nosso território”, explica. A representante conta que, a todo momento, alguém fica de vigília, impedindo a passagem de pessoas, tanto para entrar, como para sair do espaço. “Às vezes, quando as pessoas são mal informadas, quando não sabem que aqui é uma terra indígena, param o carro dentro da aldeia. Às vezes, param para ficar ali parados mesmo, para arrumar o carro, para fazer não sei o quê”, reclama. Desde o dia 18 de março, a Fundação Nacional do Índio (Funai) suspendeu as autorizações de entrada em terras indígenas.

Apesar das restrições,  a pandemia está sendo um momento para aflorar as tradições do povo, que está consumindo muitas ervas medicinais, por exemplo. “Isso está sendo muito legal. A gente está fortalecendo muito a nossa questão da nossa tradição mesmo. A gente tem essa questão da prevenção”, afirma Kerexu.

Como muitas pessoas da aldeia são autônomas, com rendas que vêm da venda de artes próprias, famílias no Morro dos Cavalos têm relatado dificuldades financeiras durante o período de quarentena. “Há pessoas bem intencionadas, que estão preocupadas com a questão indígena e que querem trazer doações”, garante Kerexu. Além do auxílio médico, a Sesai tem feito a higienização e distribuído à aldeia todos alimentos que chegam de doações. Segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social de Palhoça, também foram feitas entregas de cestas básicas às comunidades. Kerexu Yxapyry afirma que a Funai já sinalizou intenção de ajudar.

Kerexu afirma que esse é o momento para a Prefeitura estreitar as relações com as aldeias da cidade: “O município nunca conheceu a comunidade indígena aqui em Palhoça, e hoje, é muito importante essa questão do acolhimento”. A representante ressalta, ainda, que o vínculo precisa ser consolidado, para que possam ter auxílio municipal em outras ocasiões, visto que a doença não deve ir embora tão cedo. “Acho que é bom as pessoas se conscientizaram de que isso não vai voltar ao normal. É uma mudança de hábitos de vida. E a gente está cobrando muito isso de todos os órgãos, todas as instituições, dentro e fora do governo”, destaca.

O cacique Teófilo, da aldeia Itaty, no Morro dos Cavalos, afirma que, por enquanto, estão todos bem e saudáveis, embora ainda tenham recebido poucas doações: “Mas eu fico muito feliz com o pessoal que ajuda as comunidades do Morros dos Cavalos”.

Embora a alimentação natural, com água pura e sem agrotóxicos, seja uma das formas de resistência do povo indígena, as comunidades precisam receber, de forma emergencial, alimentos básicos para sobreviver à crise. A médio e longo prazo, Kerexu sugere que a Prefeitura fortaleça a agricultura familiar: “Acho que a imunidade maior é a nossa alimentação”.

Palhoça concentra, ao todo, cinco aldeias indígenas: Cambirela, Praia de Fora, Yakã Porã, Itaty e Maciambu.

 

* Sob a supervisão de Luciano Smanioto

 

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