0bbc3fe3694fbd9eb2fe5a1cc158ac90.jpeg Prefeitura de Palhoça prorroga prazo para pagamento do IPTU com 25% de desconto

ad8310ebd3a8200eb8edbb39cf832236.jpg Vereadores de Palhoça destinam 50% de suas emendas para construção da Casa do Autista

71cc55b2db6ebe5ed9315e63f9176f0e.jpeg Dia Mundial da Saúde reforça importância de coleta e tratamento de água

cc6e746f3e3e55743d5e3534d5ebed1e.jpeg Caminhada marca encerramento da campanha Março Verde em Palhoça

55b3f33b3d2b945e07063ed4c967a047.jpeg Paralisação dos entregadores segue em Palhoça nesta terça-feira (1)

665ecf32d2b21ec7f152a5aae151c271.JPEG Safari Beach Jurerê prepara três festas imperdíveis durante o feriado de Páscoa

dd1cb9681ca5fa0d0d6e78552063c88b.jpeg Reportagem resgata capas icônicas e história da identidade visual do jornal

b2c10aad0a15788880e2a6c4896ecf16.jpeg Shopping ViaCatarina recebe feira e exposição de orquídeas

970a8838c2b7ef03e6e9f925f78c1ebb.jpeg Pitty & Fresno na Arena Opus: dois shows incríveis na mesma noite

0bebcef9ecbd6d4740b0fbf074cefe9a.jpeg Evento contra a intolerância com religiões de matrizes africanas ocorre neste fim de semana

c99e04c6c003ef841c89a60fad793a08.jpg Deputado Camilo Martins recebe campeã de muay thai que representará Santa Catarina na Tailândia

fe53249c1e5c8eda6f4e9a9644343a8a.jpeg “Tainá” foi dirigido por Renata Massetti e tem a atleta da Guarda do Embaú como protagonista

2b2108ddd734a84ab88bc1860b06c321.jpg Equipe da Associação Laura dos Santos é destaque em competição nacional de jiu-jitsu

8c3d42b7a9ca943e04b20f66e1b9ec36.jpeg Judô: equipe de Palhoça conquista vagas em Campeonato Brasileiro Regional V

411fd83fcf84c0fa1ea5de539b8a13ae.jpeg Palhoça Esporte Clube conquista título duplo no Grand Prix de Futsal

Agosto Lilás: em debate, violência contra a mulher

Palhocenses criam projetos para acolher e orientar vítimas

3c29c325750351b3b3c9ca33c58b49d5.jpg Foto: DIVULGAÇÃO

Por: Sofia Mayer*


O mês de agosto foi escolhido para promover conscientização e debate sobre a violência contra a mulher em todo o país. Regulamentada no estado desde 2019, a campanha é ainda mais necessária em ano de pandemia: segundo balanço do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, com as práticas de isolamento social, houve um aumento de mais de 35% nas denúncias pelo Disque 180 em abril de 2020, se comparado ao mesmo período do ano anterior. Já em Palhoça, durante a quarentena mais rígida no estado, em março, os registros de agressões a mulheres subiram de 232 para 249 em relação a 2019, segundo a Polícia Civil.

Mesmo com aumento no volume de registros, parte dos casos ainda escapa às estatísticas. Pensando em acolher essas mulheres que, por medo de retaliação e frequentemente sob ameaças, ainda não conseguem denunciar os abusos, a estudante de Direito Melissa Testa, moradora do Centro de Palhoça, criou o projeto #violenciadomesticaécrime em 2018, com canais para discussão e orientações sobre atendimentos de emergência no WhatsApp e no Instagram.

O grupo conta com atendimento especializado de advogadas e psicólogas. A dinâmica funciona mais ou menos assim: a mulher que deseja participar entra no grupo através do link disponibilizado, solicitando ajuda às voluntárias. Caso prefira, as profissionais retornam o contato de forma privada, a fim de preservar o desejo de sigilo da vítima. “No momento do atendimento, é identificada qual a necessidade da mulher, se ela está em segurança para falar, se quer ser ouvida ou se tem dúvidas sobre como acessar os serviços de atendimento de emergência, tirar dúvidas sobre a Lei Maria da Penha, como denunciar e medidas protetivas”, explica a idealizadora do projeto.

Ela comenta que as medidas de isolamento social, embora importantes para conter a propagação da Covid-19, propiciaram um aumento de casos de agressões a mulheres em território nacional. “Em algumas cidades, o número de casos de violência doméstica aumentou na mesma proporção da quantidade de pessoas que aderiram ao distanciamento social”, comenta. Nesse sentido, o grupo atua como um canal para que as vítimas peçam ajuda sem sair de casa. De acordo com Melissa, sem o convívio social e muitas vezes vivendo junto ao agressor, as mulheres têm dificuldade de buscar socorro.

Além de fazer o acolhimento às vítimas, há compartilhamento de informativos, matérias jornalísticas e eventos que abordam a violência doméstica e o feminicídio. “Que possamos diminuir os índices, que (isso) as encoraje a denunciar e quebrar o ciclo de um relacionamento permeado por violência”, expõe.


Dados revelam subnotificação

As estatísticas nacionais do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos revelam que, em abril deste ano, houve aumento de mais de 35% de denúncias pelo Disque 180 em relação ao mesmo mês de 2019. Nos meses de março e abril, cresceram em 22% os registros de casos de feminicídio, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. 

Em Palhoça, no entanto, após o mês de março, quando a quarentena rígida foi decretada, os números da violência contra mulheres vêm registrando queda. Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MP/SC), que apurou que os índices estaduais também seguem baixando, não há uma explicação precisa para justificar a queda. Uma das respostas seria a percepção de que o cenário de pandemia possa ter acentuado a subnotificação no estado. "O que se tem observado nas informações colhidas junto aos promotores de Justiça que atuam no enfrentamento à violência doméstica contra a mulher, notadamente dos colegas que integram o Gevim (Grupo de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher), é que há, na verdade, um incremento da violência doméstica e familiar no período de quarentena, embora esse avanço não esteja sendo captado pelos boletins de ocorrência e pelos relatórios do Disque 180 e 190", afirma o promotor Jádel da Silva Júnior, coordenador do Centro de Apoio Operacional Criminal e da Segurança Pública (CCR).


]Iniciativa nas redes sociais

A luta da palhocense Lilian Veber Orthmann, de 23 anos, contra a violência feminina vem do sangue. Formada em Direito pela Unisul e trabalhando juridicamente em um escritório de advocacia, ela vê de perto a rotina de familiares que atuam em delegacias especializadas no atendimento a mulheres. “Em tempos de pandemia, observamos o aumento de denúncias e de casos envolvendo a violência doméstica”, comenta.

Visualizando que, em geral, as mulheres ainda têm muito medo de realizar denúncias, a jovem passou a publicar materiais informativos a respeito do tema no seu próprio perfil no Instagram. Os conteúdos mostram maneiras de procurar ajuda ou registrar as ocorrências, além de propor reflexões a respeito de atitudes agressivas naturalizadas na sociedade. “Resolvi expor isso nas redes sociais, orientar, e tive um bom retorno. Senti falta desse tipo de orientação semanal nos jornais. As estatísticas são altas, e não são faladas. As mulheres não são orientadas”, afirma.

As publicações têm gerado bons números de compartilhamento, geralmente replicadas por mulheres. “Conversei com algumas, reforçando a orientação, e me propus a ajudar”, relata. Para ela, “em briga de marido e mulher, se mete a colher, sim”.


Ministério Público promove atividades 

Em virtude do aniversário da Lei Maria da Penha, que completou 14 anos na última sexta (7), o MP/SC, por meio do Gevim, do Centro de Apoio Operacional Criminal e da Segurança Pública (CCR) e do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf), lançou a campanha "Violência doméstica: não se cale", que vai promover, durante todo o mês, uma série de atividades para informar e reforçar a importância de comunicar a violência aos órgãos responsáveis. 

As ações, sustentadas pelos pilares “informação, socorro e emergência”, estão acontecendo por meio do compartilhamento de uma cartilha informativa e de postagens no perfil institucional no Instagram e no Facebook. A campanha vai atuar respondendo dúvidas frequentes sobre a temática durante todo o mês de agosto.

A cartilha estampa ditados populares que naturalizam a violência contra a mulher, evidenciando raízes profundas e estruturais da problemática. A promotora de Justiça Helen Crystine Côrrea Sanches comenta que o cenário pode ser explicado pela própria história da civilização ocidental: “O uso da violência, nesse contexto, sempre foi aceito como meio corretivo ou de manter a mulher sob controle e subjugá-la à vontade do homem”. O informativo traz informações sobre o ciclo comum das agressões e enumera tipos existentes da violência, ajudando as mulheres a identificá-los.

Para a promotora, a luta contra a violência é de todos. "Pequenas atitudes podem contribuir muito para mudar essa realidade. As pessoas não devem tolerar qualquer violência contra a mulher, e, por isso, não podem se calar ou achar que não devem se envolver”, afirma. 

Dúvidas frequentes sobre registo online de boletins de ocorrência, funcionamento das casas de acolhimento e medidas protetivas serão respondidas por meio de vídeos nas redes sociais da instituição durante o período de campanha. 


Somando à luta

O Agosto Lilás também foi aderido pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social (SDS). Em razão da pandemia da Covid-19 e da necessidade do distanciamento social, contudo, as ações de conscientização serão em formato virtual, com realização de debates sobre o tema e por meio de postagens em redes sociais e sites de diversos órgãos e instituições do governo.

Um dos objetivos da iniciativa é fazer com que todos aprendam quais são os indicativos de um relacionamento agressivo e ajudem a denunciar as situações em que a mulher corre o risco de ser vítima de violência. “Campanhas são alertas. Estão sempre a nos lembrar que temos que mudar de atitude. Só com a conscientização do presente poderemos, sim, mudar o nosso futuro”, explica a secretária Maria Elisa da Silveira De Caro, quem lembra que o Agosto Lilás é uma conquista das mulheres catarinenses na luta pelo fim da violência.

 

* Sob a supervisão de Luciano Smanioto

 

Quer participar do grupo de WhatsApp do Palhocense?
Clique no link de acesso!
 



Tags:
Veja também:









Mais vistos

Publicidade

  • ae88195db362a5f2fa3c3494f8eb7923.jpg