0bbc3fe3694fbd9eb2fe5a1cc158ac90.jpeg Prefeitura de Palhoça prorroga prazo para pagamento do IPTU com 25% de desconto

ad8310ebd3a8200eb8edbb39cf832236.jpg Vereadores de Palhoça destinam 50% de suas emendas para construção da Casa do Autista

71cc55b2db6ebe5ed9315e63f9176f0e.jpeg Dia Mundial da Saúde reforça importância de coleta e tratamento de água

cc6e746f3e3e55743d5e3534d5ebed1e.jpeg Caminhada marca encerramento da campanha Março Verde em Palhoça

55b3f33b3d2b945e07063ed4c967a047.jpeg Paralisação dos entregadores segue em Palhoça nesta terça-feira (1)

665ecf32d2b21ec7f152a5aae151c271.JPEG Safari Beach Jurerê prepara três festas imperdíveis durante o feriado de Páscoa

dd1cb9681ca5fa0d0d6e78552063c88b.jpeg Reportagem resgata capas icônicas e história da identidade visual do jornal

b2c10aad0a15788880e2a6c4896ecf16.jpeg Shopping ViaCatarina recebe feira e exposição de orquídeas

970a8838c2b7ef03e6e9f925f78c1ebb.jpeg Pitty & Fresno na Arena Opus: dois shows incríveis na mesma noite

0bebcef9ecbd6d4740b0fbf074cefe9a.jpeg Evento contra a intolerância com religiões de matrizes africanas ocorre neste fim de semana

c99e04c6c003ef841c89a60fad793a08.jpg Deputado Camilo Martins recebe campeã de muay thai que representará Santa Catarina na Tailândia

fe53249c1e5c8eda6f4e9a9644343a8a.jpeg “Tainá” foi dirigido por Renata Massetti e tem a atleta da Guarda do Embaú como protagonista

2b2108ddd734a84ab88bc1860b06c321.jpg Equipe da Associação Laura dos Santos é destaque em competição nacional de jiu-jitsu

8c3d42b7a9ca943e04b20f66e1b9ec36.jpeg Judô: equipe de Palhoça conquista vagas em Campeonato Brasileiro Regional V

411fd83fcf84c0fa1ea5de539b8a13ae.jpeg Palhoça Esporte Clube conquista título duplo no Grand Prix de Futsal

A libertação, após 1.050 dias de lágrimas

Empresária da Pedra Branca lidera campanha contra a violência doméstica

2dbc7893d237d05b134686807437f2b8.jpg Foto: LUCIANO SMANIOTO

“A agressão pode ser física ou psicológica. Mas a sua atitude pode mudar essa história. Não se cale! Denuncie!” O texto do cartaz já é enfático o suficiente para encorajar as mulheres a superar o medo e a buscar ajuda para combater um dos problemas graves da nossa sociedade, o da violência doméstica. Mas a imagem da mulher agredida que ilustra a peça é ainda mais marcante. É uma imagem real. A imagem de uma mulher que viveu 30 anos em uma rotina de agressões e decidiu lutar. Elis Zordan é um exemplo, e quer usar esse exemplo para amparar outras mulheres que, como ela, vivem sob o estigma do medo.

Na entrada do Fórum de Palhoça há um mural, onde o cartaz está afixado. O mesmo acontece em outras repartições públicas. “Vou começar a colocar nos órgãos públicos, vou fazer minha campanha, vou lutar pelos meus direitos e vou ajudar essas crianças, essas mulheres. Não foi um caso só, eu vivi 30 anos de violência, de todo tipo de violência. Eu cansei. Estou fazendo por mim, estou fazendo pelas minhas filhas e por todas as mulheres. Tu não tem noção de quantas mulheres entram em contato comigo e me mandam fotos muito piores do que as minhas”, relata Elis.

Aos 37 anos, mãe de duas filhas, de 13 e 15 anos, empresária e ativista contra a violência, Elis teve uma vida difícil. O pai foi assassinado quando ela tinha seis anos. Duas semanas depois, sofreu uma tentativa de sequestro. Foi molestada sexualmente pelo irmão do padrasto, aos oito anos. Durante oito anos, foi espancada e humilhada pelo padrasto. Foi vítima de tentativa de estupro, seguida de agressão, cinco vezes, aos 15 e aos 16 anos. Foi casada durante 14 anos com um agressor. Quando finalmente se separaram, foi vítima de tentativa de feminicídio. O ex-marido invadiu a casa onde ela morava, armado com faca, no dia 31 de agosto de 2019, e a agrediu novamente - o que resultou nas marcas expostas no cartaz. 

As imagens do corpo machucado após a agressão foram parar nas redes sociais, e o caso ganhou uma repercussão estrondosa. “Eu sou a primeira mulher do Brasil a expor a própria imagem para fazer uma campanha. É uma imagem real. Não sei se não sou a primeira do mundo a fazer isso”, contextualiza.

Depois da publicação das imagens, o primeiro órgão público que entrou em contato com a empresária foi a Câmara de Vereadores de São José, através da vereadora Méri Hang (PSD). Elis foi convidada a desenvolver um trabalho junto com adolescentes nas escolas. Depois, foi a vez da Câmara de Palhoça procurá-la, através do vereador licenciado Rodrigo Quintino (PSB). No ano que vem, ela pretende ajudar o Legislativo a formatar um projeto de lei para instituir a Semana de Combate à Violência Contra a Mulher, a Criança e o Adolescente no município. “Será uma semana de conscientização”, revela.

A repercussão alcançou outros países. Elis fez cartazes em inglês e distribuiu em países como Holanda, Bélgica e Alemanha. O Aeroporto Internacional de Guarulhos também vai usar a imagem dela em todo o complexo. “Estou espalhando onde der, para que essa campanha realmente seja algo de impacto”, justifica.

Uma empresa dos Estados Unidos entrou em contato com ela e está prestando toda a assessoria necessária para montar no Brasil uma fundação de amparo a vítimas de violência - mulheres, crianças e adolescentes. “Eles trabalham temas como violência, corrupção e política em 90 países”, destaca. “Meu caso foi parar em tudo quanto é lugar depois que eu divulguei nas redes sociais”, relembra, citando exemplos na Argentina, nos Estados Unidos e na Europa. “As pessoas têm que saber por que eu estou lutado”, argumenta.

Elis também está escrevendo um livro autobiográfico, que já tem até título: “10.500 Dias de Lágrimas: Como Transformar Dores em Amores”. “Comecei a atingir de uma forma bem enfática as pessoas que estão passando por isso e que eu encorajei. Mas as mulheres ainda têm muito medo”, relata, contando o caso de outra mulher que seguiu seu exemplo e publicou nas redes sociais as imagens das lesões após a agressão, mas uma hora depois, excluiu seu perfil, depois de sofrer ameaças.

Outra forma de ajudar a disseminar a cultura da denúncia são as palestras. Elis tem sido convidada por vários órgãos para relatar sua experiência e encorajar outras mulheres a lutar contra a rotina de agressão. É um problema sério: o Brasil registrou 180 casos de estupro e 720 agressões em contexto de violência doméstica por dia em 2018, segundo dados divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. “Nas palestras que eu dou, que é meu relato, minha história de vida, eu falo algumas coisas, não com o intuito de instigar o ódio nas pessoas, mas com o de ensinar as pessoas a se amarem, a se valorizarem”, conceitua. “Nós somos responsáveis por disseminar amor, por ensinar nossos filhos a amar. Se não começar dentro de casa, lá fora não vai acontecer”, analisa.



Galeria de fotos: 2 fotos
Créditos: LUCIANO SMANIOTO LUCIANO SMANIOTO
Tags:
Veja também:









Mais vistos

Publicidade

  • ae88195db362a5f2fa3c3494f8eb7923.jpg