Tainha cai na rede da Justiça
Mais do que uma atividade econômica, a pesca da tainha é um elo fundamental da nossa cultura, uma tradição que atravessa gerações e fortalece a identidade do litoral catarinense. A recente decisão do Governo Federal de impor cotas – inclusive para a pesca de arrasto, a mais tradicional e familiar do setor – trouxe preocupação e acendeu o debate. De um lado, a justificativa ambiental de preservação da espécie; do outro, o Governo do Estado prometendo lutar até as últimas instâncias para garantir a pesca em nossas águas.
Nesse impasse, é essencial que o embate político seja substituído por embasamento técnico. Se há restrições, precisamos de estudos que comprovem sua real necessidade. Se há condições de pesca sustentável, precisamos de dados que sustentem essa argumentação. A verdade é que toda ação humana sobre a natureza tem impactos – e ignorá-los pode trazer prejuízos ainda maiores no futuro. O setor pesqueiro precisa de segurança para continuar existindo, mas isso só será possível com um planejamento que equilibre tradição, economia e sustentabilidade.
Nossa luta não pode ser apenas para garantir mais uma safra, mas sim, para preservar a pesca da tainha por muitas e muitas gerações. Queremos esse lindo peixe nos pratos, mas principalmente em abundância nos mares.
Publicado em 20/03/2025 - por Palhocense