O mundo precisa voltar a sentir
“A gente não quer só comida. A gente quer comida, diversão e arte!” A frase dos Titãs, que segue embalando cabeludos de todas as idades, também pode ser aplicada durante uma pandemia. Nossa preocupação com a sobrevivência e com a economia deixa marcas profundas e eclodem em forma de depressão e ansiedade.
Já em períodos de paz, o Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas do mundo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que éramos 18,6 milhões de brasileiros que sofriam desse mal – nada menos do que 9,3% da população. Imaginem, agora, como andarão esses números!
Caminhos para extravasar a pressão são vários. “Diversão e arte para qualquer parte. Diversão, balé como a vida quer” são algumas sugestões. E elas, em um país que tão pouco prestigia a cultura, precisa também do apoio público para acontecer.
O mundo retirou dos artistas seu combustível: o aplauso. Em troca, o governo federal oferece esmola. Não parece ser o que a classe artística quer e precisa. Ela quer mostrar sua verdade, sua autenticidade, seu talento, brilho e dor. E isso, caríssimos, não precisa ser em salões lotados. Aprendemos rápido a usar novas plataformas.
O mundo precisa da genialidade dos artistas. Aqueles que escorregam o olhar e descobrem uma saída até então encoberta, mas simples e terna.
Precisamos da gargalhada e da lágrima. O mundo precisa voltar a sentir!
“Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela mesma não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer”
(Oswaldo Montenegro)
Publicado em 23/07/2020 - por Palhocense