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Beltrano - Edição 795

O Espírito Santo de hoje

Quem acordou cedo naquela manhã, ouviu, embora timidamente, o estouro feito por um foguete de três tiros e o baque triste de um tambor, fazendo tum, tum, tum, monótono e solitário!
– O Divino vem aí – avisou meu filho, Davi.
– Que Divino? – pergunto.
– O Divino Espírito Santo – diz ele.
E de fato era! Quatro senhoras e um menino caminhavam pelo acostamento da avenida São Cristóvão, no Alto Aririú. Uma delas carregava a “pombinha”, que representava a Bandeira do Divino. Outra levava nas mãos a salva. O menino batia, de vez em quando, com um pedaço de cabo de vassoura em um tambor, fazendo tum, tum, tum. Um motorista que transitava no mesmo sentido do Divino abriu a buzina do seu caminhão e, para assustar as senhoras, passou velozmente rente ao acostamento, fazendo voar as fitas já gastas da “pombinha” e levantando poeira, causada por um buraco no asfalto deixado pela Prefeitura. Com a cabeça para fora da janela do caminhão, gritou:
– Solta a franga...
– Não é uma franga, é uma pombinha, seu malicriado – contestou uma das senhoras.
Casa após casa, elas entravam sozinhas e saíam sozinhas, beirando o canto do acostamento.
– Ali morava seu Frederico e dona Frida! Já faleceram – lembrou uma das senhoras, apontando o dedo para um velho casarão fechado.
Lembrando dos antigos moradores, chegaram à próxima residência e, forçando o enorme portão de ferro, entraram.
– Eles não estão em casa. Todos trabalham fora – disse a vizinha da casa ao lado, avisando:
– Cuidado com o cachorro!
O aviso veio tarde. O cachorro pitbull que se encontrava na parte de trás da casa, atraído pelo rufar do tambor, correu atrás deles, ameaçador. Foi só o tempo da “pombinha” sair no portão e o pitbull riscar violentamente o muro que, por ser alto, cortou sua intenção.
A casa seguinte era da mulher que avisara do cachorro, que veio abrir o portão.
– A gente abre, pode deixar. Tem cachorro?!
– Não.
– Preciso só de um pouco d’água para passar o susto!
Enquanto a dona da casa providenciava a água fresca e abria a porta da casa, a “pombinha” ficou no quintal.
“Vou pedir umas mudinhas daquela rosa”, pensou a senhora que carregava a cestinha.
A porta foi aberta e o grupo entrou. A dona da casa começou a reclamar da vida, pois, quem sabe, o Divino pudesse ajudar:
– O Joel, meu marido, tá trabalhando na Samae, ganha pouco, sabe?! As crianças tão no jardim, lá na creche da dona Laurita. Se não fosse ela deixar a gente matricular as crianças, nem sei o que seria da nossa vida! Mês passado, não deu nem de pagar a água! Daqui a pouco, a Samae aparece de novo pra cortar. Ando tão doente! É dor de cabeça todo santo dia! Médico? Não adianta mais procurar! Uma amiga minha quer me levar na Igreja Universal. Ela disse que viu na televisão as pessoas que ficam curadas. Mas não sei não... Sou católica desde pequenininha, nasci católica e vou morrer católica, com a ajuda do Espírito Santo.
Conversaram mais um pouco e a mulher quis saber se era verdade a história que contavam em Palhoça sobre a tal maldição do Divino.
– Que maldição do Divino é essa? – espantou-se uma das senhoras, fingindo não saber.
– Eu também não estou sabendo de nada – completou a outra.
Pensando estar ajudando, o menino do tambor explicou, inocentemente:
– Escutei o meu pai dizer que a maldição do Divino cai contra os festeiros. A maioria que foi imperador fica na pobreza, depois de gastar muito dinheiro para aparecer ou para ganhar visibilidade para se lançar candidato a prefeito da cidade. 
Uma das idosas interrompeu:
– Quem te falou uma barbaridade dessas, menino?! Se fosse assim, o ex-prefeito Ronério estaria na maior pindaíba. Já foi festeiro do Espírito Santo da Matriz duas vezes, da Enseada e inté da festa de Santo Amaro da Imperatriz!
Ao perceber o olhar de reprovação das idosas, o menino envermelhou e, baixando a cabeça, se pôs a bater o tambor.
Despediram-se da dona da casa, que foi levá-las até o portão. Ao ganhar a rua, uma das senhoras lembrou e correu até o canteiro de rosas, arrancou uma muda e colocou na salva, dizendo:
– É pra não dizer que o Divino saiu daqui com as mãos abanando!
A Bandeira do Divino continuou pelo acostamento. Depois de encontrar algumas casas fechadas, chegou à minha casa. A senhora que carregava a “pombinha” perguntou:
– Beltrano, tu sabes soltar foguete de vara, como o teu pai sabia?! 
Com a explosão do foguete, o menino do tambor sorriu para o meu filho e, com os olhinhos brilhando, nós dois saímos em disparada, atrás da varinha!



Publicado em 10/06/2021 - por Beltrano

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