palhocense.jpg

Uma casa muito nobre

20 Abril 2017 13:17:53

Voluntários criam instituto para estimular as crianças a ter contato com o universo da música na Guarda do Embaú

Texto: Elaine Manini
IMG_5860.JPG
Foto: MARCELO BITTENCOURT

À noite, passando por uma das ruas arborizadas e meio desertas da Guarda do Embaú, o inconfundível som orienta a equipe de reportagem: “É aqui!”. Passando por uma bucólica e graciosa rua de chão, iluminada por postes com luzes amarelas, ouvia-se o clássico “Minueto de Bach” com violinos, acompanhados por um violoncelo. Ao nos aproximarmos, misturam-se sons de crianças, e entrando na sala pudemos ver as crianças maiores com os violinos em punhos, junto com quatro mães, e uns menores em uma roda atrás, um pouco mais impacientes para ficar muito tempo concentrados e com a postura que o instrumento requer, conforme ensinou o professor Ricardo Vieira. 
O local de nosso destino era uma sala da Associação Espírita Seareiros do Bem, o segundo ponto de ensaio do Instituto Casa Nobre, projeto que reúne 35 crianças para aprender e entrar em contato com o mundo da música, especialmente através de aulas de violino. No processo de educação musical, o professor reforça a importância do estímulo e participação dos pais. Ele explica que “há uma tendência a dar certo junto com o pai e a mãe, por criar mais responsabilidade de tocar. Como a mãe ensina o filho a falar? Por imitação. Eu uso este mesmo método”. 
O outro ponto de encontro das aulas é a sala da casa do médico cardiologista Luiz Felipe Nobre, onde tudo isso começou. Luiz Felipe relata: “O projeto surgiu há uns três anos e meio. Eu trouxe um piano de cauda e as mães de crianças na Guarda começaram a perguntar se iria ter aula de música. Eu nunca pensei nisso. Nessa época, para fazer manutenção do piano, eu conheci o Ricardo, de uma família tradicional de música aqui em Florianópolis. Ele estava trabalhando em um projeto com crianças no Morro do Mocotó. Eu comentei com ele sobre a movimentação que estava acontecendo e resolvemos criar o projeto na Guarda”. 
O professor Ricardo foi até as salas de aula com o violino para divulgar o projeto para as crianças, que trouxeram os pais e a partir daí as coisas aconteceram. “Conseguimos uma série de instrumentos, todos com doações de amigos. Hoje nós temos 35 violinos e três violoncelos. Eu selecionava um instrumento na internet, facilitava para um desses amigos e eles compravam e mandavam entregar lá em casa”, lembra Luiz Felipe.
No Instituto, as crianças têm contato com violino, violão, bateria, baixo, violoncelo e flauta. Ele explica que “não é uma aula formal de música. É um incentivo e uma iniciação e estímulo da atividade em grupo. Antigamente, quando não havia rádio ou televisão, em reuniões de família, havia uns encontros chamados música de câmara (sala ou quarto). As pessoas se reuniam para tocar. O que a gente faz é um pouco isso. O Instituto também tem recebido apoio dos alunos da Udesc e amigos músicos que realizam recitais para as crianças. As mães fazem uma comidinha, e dessa forma o interesse vai aumentando”.
A disciplina dos participantes do projeto é exemplar. A grande maioria participa desde o início. Sobre os benefícios, mães e filhos dividem suas experiências. “Passa segurança”, comenta Juliana Ruiz, mãe do Ian. “Eu vejo que transmite concentração, equilíbrio, sinto que o violino dá um equilíbrio mental”, acrescenta Verônica Staats, mãe da Sara. Bianka Andrade, mãe do Gabriel, lembra que já foram feitas algumas apresentações também, como no Natal Reluz de Palhoça, que servem de incentivo ainda maior. Sobre essa experiência, Ian recorda: “Deu um nervoso...”. Pergunto: no começo, no meio ou no fim? “Em tudo! Daí a gente errou um pouquinho, mas depois acertou e foi legal”, responde.
O objetivo do Instituto agora é conseguir criar uma sede própria para poder ampliar as atividades. O Instituto já possui um terreno, mas aguarda uma liberação da procuradoria do município para a construção no espaço. “Na nova sede, haverá outras atividades além de música. Quando o Instituto ficar pronto, nós queremos ter aulas de trapézio, teatro, balé... Também queremos fazer um Festival de Música de Inverno para movimentar a Guarda para fazer atividades aqui não só no verão”, diz Ricardo.
O projeto é aberto para qualquer pessoa e os ensaios ocorrem às segundas e sábados. “O que a gente cobra é assiduidade. Se faltar três ensaios está fora. E há um forte estímulo para que a mãe ou o pai participem”, reforça Luiz Felipe. Além da música clássica, o repertório possui “Asa Branca” e Ricardo fala em acrescentar outros diferentes estilos, como rock, de Beatles a Led Zeppelin, e algumas músicas populares. Sobre o significado do projeto, em termos pessoais, o professor ressalta que “o importante mesmo é criar um efeito dominó. Plantar uma semente, passar a ideia adiante. Que bom se todos pudessem dividir a sabedoria que têm. Sinto que se cada um pudesse dividir um pouquinho, o mundo seria bem melhor”.


Doações

Saiba como contribuir

O Instituto não aceita doações em dinheiro, mas os materiais listados abaixo seriam bem recebidos:

Cordas de contrabaixo
Cordas de violino
Cordas de violoncelo
Violoncelo 
Contrabaixo
Estantes de partitura

Para contribuir, entre em contato através da página no Facebook @institutocasanobre ou do e-mail luizfelipenobresc@gmail.com

Imagens


logo palhocense.png

Copyright © 2011. Todos os direitos reservados | Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina