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Para o Cambirela, o céu não é limite

29 Outubro 2015 09:57:28

Pico mais alto – e mais famoso – da geografia palhocense, que até neve já viu, pode dar nome a uma estrela

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Um dos símbolos mais expressivos da paisagem de Palhoça, o Morro do Cambirela pode virar nome de estrela. No dia 27 de abril, a União Astronômica Internacional (UAI) divulgou uma lista de sistemas estelares “disponíveis para batismo”. E sob a bênção do gigante verde palhocense, o Núcleo de Estudo e Observação Astronômica “José Brazilício de Souza” (NEOA-JBS), em Florianópolis, sugeriu a nome Cambirela à estrela epsilon Eridani. A escolha será por votação popular, que se encerra neste sábado, dia 31 de outubro. Para votar, acesse: nameexoworlds.iau.org/exoworldsvote.
Apesar de pessoas nomearem corpos celestes há milênios, é a UAI que tem a autoridade para certificar os nomes oficiais. E pela primeira vez, a entidade “repassa a responsabilidade” para o grande público, que poderá ajudar a nomear 15 estrelas (outras cinco estrelas com nomes já consolidados historicamente permanecem com a nomenclatura conhecida) e 32 exoplanetas de 20 sistemas planetários, dentro do concurso “NameExoWorlds”. Qualquer um pode votar, mas a possibilidade de enviar sugestões de nomes foi restrita a associações de astronomia ou organizações sem fins lucrativos cadastradas no Diretório de Astronomia Mundial da UAI.
E as associações atenderam ao chamado: foram enviadas 247 propostas, originadas em 45 países. Uma delas vem do NEOA-JBS. Em maio de 2015, uma mensagem foi enviada na lista de discussão do núcleo a fim de que seus integrantes sugerissem nomes – e justificassem a escolha de cada nome. Antes da data-limite para envio das propostas, a Coordenação de Observações do NEOA-JBS escolheu a estrela epsilon Eridani e seu planeta epsilon Eridani b. Por que a escolha por epsilon Eridani? “Porque esta estrela é visível a olho nu, possui magnitude visual 3,7 e está situada a 10 anos-luz de nosso Sistema Solar. Isto tem um importante efeito pedagógico durante as sessões públicas de observação onde a estrela é discernida a olho nu, identificando-a por nome”, explica o coordenador de Observações do núcleo, Alexandre Amorim.
A partir daí, era só definir os nomes. Cambirela foi eleito para nomear a estrela epsilon Eridani. Alexandre argumenta que é um nome fácil de pronunciar em vários idiomas e não possui acentuação. “Claro que nada impedia que nomes com acentuação fossem propostos. A UAI recomendava que tais nomes estivessem relacionados com lugares, acidentes geográficos, nomes mitológicos, culturais ou mesmo homenagem a personalidades falecidas que de alguma forma contribuíram para a ciência e cultura”, argumenta. No formulário de defesa do nome na página do “NameExoWorlds”, os proponentes explicam, em inglês, que trata-se de um “monte na cidade brasileira de Palhoça, bem visível a partir da Ilha de Santa Catarina”, e indicam o site Wikipedia para maiores informações sobre o gigante verde palhocense. O coordenador ainda reforça que o Cambirela se destaca entre os demais montes ao longo do litoral central do estado.
Depois de escolher o nome da estrela, era hora de nomear o planeta epsilon Eridani b. “Uma vez escolhido o nome Cambirela para a estrela, pensamos em alguma coisa ou uma pessoa que vivesse em torno do morro. Pensamos na pessoa de José Brazilício de Souza (1854-1910), que foi músico, astrônomo e professor na capital catarinense. Ele foi autor da melodia do Hino de Santa Catarina”, conta Alexandre Amorim. O nome José Brazilício não seria dos mais fáceis de pronunciar pelos gringos, então, os autores da proposta optaram pelo pseudônimo que usava quando assinava artigos científicos em periódicos catarinenses: Sufi Junior. “Assim como o planeta que orbita epsilon Eridani ainda tem muitos segredos a serem revelados, pensamos num nome que combinasse mistério e conhecimento ao mesmo tempo. E o nome Sufijunior atende esta combinação. Um pseudônimo sempre carrega certa atmosfera de segredo ou mistério”, expressa. Na página do concurso, consta até a explicação do pseudônimo, fruto de uma homenagem ao astrônomo persa Abderrahman Al-Sufi.
A proposta catarinense para nomear a estrela epsilon Eridani e seu planeta concorre com outras nove indicações enviadas por outras associações de astronomia. “Caso a nossa proposta não seja contemplada, vamos esperar uma nova oportunidade para sugerir um nome novamente, mas desta vez vamos escolher uma estrela menos concorrida”, brinca Alexandre.

 

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