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Dois filhos de Neuri

20 Abril 2017 15:48:22

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Dupla sertaneja formada pelos irmãos Jean e Junior se estabelece em Palhoça a caminho do estrelato
Se os dois filhos de Francisco conseguiram vencer no mundo da música, por que os dois filhos do Neuri Pedroso não conseguiriam? Mas não é exatamente em Zezé de Camargo e Luciano que Junior, de 22 anos, e Jean, de 19, se inspiram. Fãs da dupla Chrystian e Ralf, os dois jovens vieram da localidade de Águas Frias, a cerca de 30km de Chapecó, para tentar a sorte na música.
E se sorte realmente ajuda, que tal um empurrãozinho da genética: nascer em uma família onde o avô e o pai viveram no meio da música? “Eles tocam desde crianças. Eu canto também, aí passou de pai para filho. Quer dizer, do avô para os netos, porque o meu pai canta também”, conta Neuri, que chegou há cerca de duas semanas para se unir aos filhos. Veio para trazer um “CD demonstrativo”, recém saído do forno. Um passo que parece simples, mas que foi conquistado a muito custo. “O pai tirou móveis de dentro de casa pra gente conseguir gravar este CD. Não foi fácil”, relembra Junior.
A amostra do repertório da dupla traz covers de outros ícones do cenário sertanejo e duas canções inéditas, “De Domingo a Domingo” e “Não Deixei de Te Amar”. “A primeira fala de um rapaz que levou um fora da namorada, que diz pra ele que ele só atrapalhava a vida dela, e ele faz uma música falando que vai pra balada curtir de domingo a domingo”, conta Junior, o autor da música. “A outra fala de uma pessoa mais depressiva, que fez de tudo pra tentar esquecer a mulher. Fala que nem que o mundo acabar, nem que um triste sorrir, ele deixa de amar ela”, explica o compositor.
Além de compor as músicas da dupla, Junior também toca violão e faz a primeira voz; Jean faz a segunda voz e a percussão, tocando uma caixa acústica, o cajón (ou “carron”, aportuguesado; a palavra deriva do aumentativo de “caixa”, ou “caja”, em espanhol). Entrosamento é o que não falta. “Tocamos juntos desde que nos conhecemos por gente”, brinca Junior, que aos cinco anos de idade já cantava com o pai em festivais. “Eu errei muito nas minhas opções de companheiros pra música, não fechava. Para eles, dá certo porque são irmãos, fecha em todos os quesitos”, pondera Neuri.
Mas não foi a primeira vez que eles “saíram de casa”. Águas Frias é uma comunidade rural, sem muitos recursos para quem quer estudar e trabalhar. Eles queriam viver da música, então deixaram a “roça” para buscar o sonho em uma cidade maior. Em Chapecó, alugaram uma casa e começaram a trabalhar vendendo DVD, de porta em porta. Depois, passaram a vender meias nos vilarejos nos arredores da cidade. Até que decidiram que era hora de arriscar um voo mais alto. “Se a gente canta, vamos cantar, vamos viver da música. Aí começamos a fazer o show de rua e começou a dar tudo certo”, justifica Jean.
Quando chegaram em Florianópolis, no final de janeiro, os irmãos começaram a se apresentar na rua Felipe Schmidt, em busca de um lugar ao sol da música. “Lá em Chapecó, a gente se apresentava em barzinhos, mas antes dos barzinhos, a gente começou com show de rua. Aí, começou a abrir portas para a gente se apresentar. Mas como Chapecó não é uma cidade tão grande e não tem tantos turistas, a gente pensou em vir pra Floripa, e estava na época de temporada, também”, revela Junior. “A princípio, a gente veio só pra fazer um teste, mas acabou gostando, a coisa acabou fluindo e a gente veio morar pra cá”, acrescenta.
O público parece ter gostado da química entre os irmãos Pedroso. Eles, definitivamente, gostaram do que encontraram por aqui. Tanto que alugaram uma casa no Alto Aririú e se estabeleceram em Palhoça. Na terça-feira (11), deram uma “canja” para os palhocenses, tocando durante duas horas na Praça Sete de Setembro, no Centro. “Em Palhoça, foi a primeira vez que a gente tocou, mas lá na Felipe Schmidt, faz mais de um mês que a gente está tocando e é incrível a recepção das pessoas. As pessoas que nem te conhecem dão beijo no rosto e pedem para tirar foto, você se sente como um artista famoso. Tem gente que não tem dinheiro pra ajudar, mas fala: ‘Desejo muita sorte a vocês, que vocês consigam realizar os sonhos’. Quando a gente veio para cá, a gente se impressionou com a recepção do pessoal, o jeito de tratar, de conversar, a humildade, é um pessoal bem hospitaleiro”, reflete Junior. “Foi um dos motivos que fez a gente vir morar pra cá”, emenda Jean.
Eles estão felizes em Palhoça. Têm tocado em bares em São José e Biguaçu quase todo final de semana. Nesta quinta-feira (20), se apresentam no Boliche Bola de Ouro, no Pagani. Só que eles não sossegam. Já estão pensando na hora em que tentarão a sorte em centros comercialmente mais desenvolvidos, como São Paulo e Rio de Janeiro. “O objetivo é realizar o nosso sonho, como diz na caixinha (onde recebem a contribuição do público durante o show de rua). Nosso sonho não é ficar rico no meio da música, é ficar reconhecido pelo nosso trabalho. Não é fácil, tem muita pessoa que vê um cantor famoso lá em cima do palco, mas eu tenho certeza de que ele também passou por dificuldades, luta, batalha, quebrou várias vezes a cara, como nós já quebramos por causa da música. Acho que tudo tem uma história, tem um sofrimento para chegar lá”, argumenta Jean. “Se Deus deu pra nós o dom de viver da música, não tem que fazer outra coisa, tem que correr atrás do sonho e trabalhar naquela função”, finaliza.

 

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