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Diversidade em nome da igualdade

27 Julho 2017 10:15:35

Pagani vai receber mais um evento da comunidade LGBT, que mantém firme a luta contra os preconceitos

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Foto: Marcelo Bittencourt/Arquivo JPP
Festa já aconteceu em Palhoça em outros anos

A Parada da Diversidade costuma ser associada a uma grande festa, colorida de brilho e adereços. Na verdade, a alegria é a “arma” usada para protestar contra o preconceito. Esta é a verdadeira motivação. E este tom de manifesto pela igualdade é que vai nortear o encontro marcado para o dia 20 de agosto, no Pagani, na volta da parada a Palhoça.
A organização ficou a cargo dos amigos João Califor, Mauky Rocha (morador da Ponte do Imaruim) e Castelli Ferraz (mora na Barra do Aririú). Eles fecharam parcerias e têm promovido várias festas (a próxima é no dia 13, no Deca, na Praia Mole) para arrecadar o dinheiro necessário para arcar com as despesas da Parada. O trio elétrico já está contratado e algumas atrações já estão sendo anunciadas, como Penelop Rhum, Rebecca Royals, Johnny Beng e Brenno Collucci, além de DJs colaboradores, como Jean Vitamina, Kladison HD e Duda Vee. Vitamina vai apresentar o evento, ao lado de Tina Tunel.
Além das atrações, os organizadores também se preocuparam em contratar serviços médicos, de segurança e limpeza. “A gente vem acompanhando que em algumas paradas vai deixando sujeira e não tem uma segurança qualificada. Então, a gente decidiu colocar segurança e a limpeza da rua, porque a gente pega uma rua limpa e não vai devolver uma rua cheia de garrafas”, pondera Mauky.
O trio elétrico vai fazer a concentração na rua Lídia Bachman Scheidt, em frente ao shopping ViaCatarina, a partir de 14h. Às 15h, os participantes da festa seguem o carro de som pela avenida Atílio Pagani, até a sede da Prefeitura. São esperadas em torno de 7 mil pessoas no evento.
No ato inicial, está previsto o discurso de autoridades, mas com caráter apolítico. “A gente vem acompanhando que a parada tem se tornado política, e não é. A parada é pela luta pelos direitos iguais e não é partidária, é neutra. Queremos falar sobre igualdade e direitos da comunidade LGBT, e também para combater o preconceito”, argumenta Mauky. "A gente adotou o nome Parada da Diversidade justamente porque somos diversos e não queremos excluir ninguém. Por mais que seja um dia LGBT, a parada pretende atrair todos aqueles que sofrem algum preconceito, de um modo geral", projeta.
E para mostrar que a diversidade pode ser sinônimo de inclusão, o evento vai receber um pastor vinculado à Igreja Evangélica. “A ideia deles é acolher, e não criticar e julgar, como muitas igrejas fazem”, diz o organizador. “E a nossa ideia não é fazer apologia a uma religião, e sim dar voz a todas as religiões”, completa.
Mauky Rocha avalia que algumas paradas têm se tornado um “Carnaval fora de época”, e os organizadores do encontro em Palhoça não querem que o evento seja apenas uma festa, e sim, uma manifestação verdadeira de união entre as pessoas. A preocupação com o caráter social do evento foi tão grande que o vídeo de divulgação no Facebook mostra imagens do espancamento de uma travesti, que acabou morrendo em decorrência da agressão sofrida. As imagens são fortes, chocam, e a ideia é que o choque seja um alerta contra o preconceito. “Muita gente achou que é pesado, porque é agressão”, admite Mauky.
Mas a intenção é essa mesmo, a de chocar. Talvez assim as estatísticas se revertam em números mais brandos. Atualmente, a cada 25 horas, morre um LGBT, e a cada hora, uma travesti é agredida no país. A expectativa de vida média dessas pessoas é de apenas 35 anos, enquanto o “normal” para o “restante” da sociedade é de 65 anos. Na semana passada, uma transexual foi assassinada no Paraná. Será feito um minuto de silêncio durante a festa do dia 20, em honra aos que sofreram (e sofrem) com a falta de tolerância alheia. “A gente compõe o núcleo da sociedade, nossa luta é de todos”, reflete Mauky. “É complicado, em pleno século XXI, ainda existir um preconceito tão grande. A gente sofre na escola, na faculdade, no trabalho, ainda somos motivo de chacota", lamenta.
As agressões e o bullying cotidiano são alguns dos motivadores que fizeram o trio encarar a missão de reeditar a festa em Palhoça. "A gente quis assumir, mesmo sem dinheiro. Recebemos muitos nãos e poucos sins. Algumas coisas a gente conseguiu, para bancar alguns custos. Vamos colocar dinheiro do nosso próprio bolso. Muitas pessoas nos criticam por colocar dinheiro do próprio bolso em um evento que não vai nos dar lucro nenhum. Mas não queremos lucro, queremos ser respeitados e ter nossos direitos garantidos. Enquanto tivermos voz, não vamos nos calar, vamos lutar com todas as nossas forças", garante o jovem de 19 anos, que pretende cursar a faculdade de Direito e seguir lutando, na esfera judicial, pelo direito de ser diferente.

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