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Diferentes olhares

04 Maio 2017 08:37:49

Exposições de fotos abertas à visitação na Pedra Branca retratam diferentes visões de arte

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Foto: LUCIANO SMANIOTO

Quem gosta de fotografia – e das experimentações que podem derivar delas – tem um excelente motivo para frequentar a Pedra Branca neste mês de maio. Duas exposições estão abertas à visitação pública, com propostas completamente diferentes.
A designer Sandra Betinassi decidiu utilizar “modelos” nada ortodoxos para a coleção “Fotos das Meninas”: bonecas com feições humanas. Sandra fez uma ampla pesquisa junto a colecionadores e descobriu que as bonecas fazem parte das famílias e até as acompanham em viagens pelo mundo. Então, resolveu levar as bonecas para conhecer seus locais preferidos de Florianópolis e Palhoça. “Quando eu vim de São Paulo pra cá, precisava me lançar aqui, porque eu era uma ilustre desconhecida. Falei: bom, se eu fotografar pessoas ou paisagens, todo mundo faz. Precisava de uma coisa que chamasse a atenção”, relembra.
A exposição não é “nova”. As fotos já estiveram à disposição do público por quase um ano em um shopping de Florianópolis, e depois vieram para o ViaCatarina, onde permaneceram por cerca de três meses, em meados de 2012. Muitas fotos tiradas em Palhoça fizeram parte daquela mostra original, que chegou a ter 108 imagens; na compilação atual, com 30 fotos, expostas em um corredor no OpenSpace (Rua dos Cisnes, 541), na Pedra Branca, há apenas uma, que retrata a antiga “Rua Coberta”, junto à Praça Sete de Setembro, no Centro.
Conseguir o efeito de “enganar” os olhares do público, levando os observadores a acreditar, em um primeiro momento, que são modelos de verdade, e não bonecas com pouco mais de 20 centímetros de “tamanho”, não é uma tarefa das mais fáceis. “Na contramão das fotos altamente ‘photoshopadas’, que transformam mulheres reais em bonecas, a naturalidade dessas fotos é que transforma bonecas em mulheres”, ensina. O resultado impressiona. “As pessoas passavam pela exposição e achavam que era gente, eu ficava olhando de longe, era muito engraçado (a reação das pessoas)”, brinca a designer.
Mas para conseguir esse efeito sobre o observador, não poderia ser “uma boneca qualquer”. Sandra comprou três bonecas italianas que simulam com perfeição os “humanos”. “Conforme você mexe com ela, ela muda a expressão”, explica. Na maioria das fotos, as “modelos” vestem roupas de boneca mesmo. Mas algumas das imagens fazem parte de uma coleção especial: são imagens de Carnaval, feitas em parceria com uma escola de samba da Capital. Um desafio dobrado! “Foi o que eu mais curti fazer. Nas outras, eu usava as roupas de boneca mesmo, e nesta, eu fiz todas as fantasias, porque eu sou formada em Estilismo. Tinha rainha da bateria, porta-bandeira, Globeleza...”, revela. “E foi a mais difícil de fazer. Nas outras, quando eu queria, eu colocava alguém atrás e ficava na proporção certa. Aqui, eu punha a boneca na posição, e quando ia fazer o clique, passava um gigante atrás. Tinha muita gente lá, então foi mais difícil. Mas foi muito legal”, avalia Sandra.
“Fotos das Meninas” pode ser conferida no OpenSpace Coworking até o final de maio. Telefone para maiores informações: 3954-8030.

Art Live Lab
A fotógrafa Gabriela Schmidt veio de Blumenau para estampar a primeira exposição do espaço Art Live Lab (ALL), que fica na Rua da Pedra, junto à Praça do Espelho D’Água, no Passeio Pedra Branca. Seu trabalho fica aberto à visitação de terça a sábado, das 13h às 18h, até o dia 15 de junho.
É a primeira de muitas coleções que o artista e tatuador Davi Escobar pretende trazer para o estúdio. Uma nova exposição já está “a caminho”, e vem de longe, do Japão. “Meu foco é trazer bastante artista pra cá, até para interagir com o passeio, que tem essa proposta de cidade criativa, que a gente achou que estava dentro do contexto que a gente queria”, comenta Davi, que mora na Pinheira e durante nove anos teve um estúdio no Rio Tavares, em Florianópolis. 
Davi explica que a galeria é um “lugar bem mutante”, e será utilizado para levar arte aos palhocenses em seus mais variados estilos. E a fotografia de Gabriela Schmidt foi a escolhida para inaugurar essa trilha cultural. Gabriela é formada em Comunicação Social pela Universidade Regional de Blumenau (Furb), e se dedica à fotografia desde os 14 anos. Mas antes de tudo, é uma artista, na alma e no talento para se expressar usando as ferramentas disponíveis para criar arte. E as obras em exposição no ALL refletem essa amplitude. “É um resumo de várias coisas que eu fiz. Tem coisas bem antigas”, comenta a fotógrafa. “É o resumo do que eu exponho em eventos underground, como os shows dos meus amigos, em bares GLS de Blumenau, em fanzines. Meio que começou assim”, observa.
As imagens escolhidas para compor a coleção têm diferentes origens – e muitas nuances! Tem autorretratos e tem fotos dos amigos – mas retratados da forma como ela os vê, com a ajuda da tecnologia. Tem fotos locais e de outros países. Tem cenas comuns do cotidiano e cenas inusitadas do cotidiano, como a mais recente obra da exposição, uma foto tirada na sexta-feira (21), em uma rua de Blumenau. “Achei uma estrutura na rua muito massa para tirar umas fotos. Passei lá de novo no outro dia e tinha um mendigo dormindo debaixo da estrutura. Um mendigo em uma coisa tão, tipo, de show, de espetáculo”, lembra. Clicou a cena e o clique virou arte, sem retoques.
Há muitas cores em algumas fotos, e outras estão em preto e branco. Há também o preto e o branco coloridos de laranja, estampando uma peça de roupa gigante trabalhada em parceria com a Korova, empresa estabelecida na área industrial da Pedra Branca que fabrica roupas e é referência nacional em “streetwear”. “A Korova desenvolveu esta peça e ela aplicou a obra dela na peça, porque a Gabriela também trabalha muito com moda, tem essa vertente do mercado da moda na carreira dela”, lembra Davi.
Outros destaques da coleção são fotografias tiradas durante uma viagem de Kombi até Goiás. Gabriela e algumas amigas ficaram quatro meses visitando lugares mágicos, como o Vale da Lua, na mística Alto Paraíso, onde moraram por dois meses. As imagens captadas pela turma de meninas naquela jornada virou um documentário premiado. E viraram fotos belíssimas. Confira no ALL. Maiores informações pelo telefone 3065-2540.


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