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A vida roqueira de um baterista ilustre

11 Maio 2017 08:43:45

No trabalho, o tenente-coronel Paulo Sérgio Souza comanda o 16º Batalhão. Nas horas de folga, comanda a bateria do Projeto B2

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Foto: DIVULGAÇÃO
Em apresentação recente (e elogiada) na Pedra Branca

O show do Projeto B2 na noite de 29 de abril, no The Liffey Brew Pub, na Pedra Branca, fez tanto sucesso que a banda recebeu convite para voltar à casa, no dia 10 de junho. Durante a apresentação, atenções voltadas à bateria, pilotada por um “roqueiro” ilustre: o comandante do 16º Batalhão da Polícia Militar, sediado em Palhoça, o tenente-coronel Paulo Sérgio Souza.
A banda, aliás, foi formada dentro de um colégio militar, pelos colegas Carlos Alberto Fritz Bueno (hoje coronel) e Silvio Luiz Fernandes (hoje tenente-coronel). O tenente-coronel Fernandes conta que na época a Polícia Militar mantinha uma banda de baile considerada como uma das melhores do estado. Uma big band, com 30 a 40 integrantes. “Os bailes dos anos 1970 era a banda da polícia que fazia, tinha músicos ótimos”, relembra. E quando os músicos da big band trocaram seus instrumentos, os “antigos” foram parar no colégio militar. “Como a gente era a primeira turma, acabamos montando uma bandinha e começou a dar certo”, rememora Fernandes.
Encerrado o Ensino Médio, a banda precisou ser desmanchada em função da vida profissional dos integrantes. Mas em 2005, cerca de 20 anos depois, os fundadores se reencontraram. O coronel Alberto morava em Blumenau e vinha para Florianópolis ensaiar, periodicamente, aos finais de semana. Em determinado momento, a banda começou a engrenar. Uma colega os ouviu tocar e os convidou para animar uma festa de aniversário em um bar na Lagoa da Conceição, em 2007. Aquela apresentação marcaria oficialmente o ressurgimento da banda.
A formação do “reencontro” foi alterada com a entrada do jornalista Gabriel Pereira, que assumiu o contrabaixo em 2007. “Banda é meio complicado. Sempre tem alguém que tem um anseio diferente, um comportamento diferente. É ruim de encaixar pessoas com o mesmo perfil”, explica o tenente-coronel Fernandes. “Até porque a vida do cara vai mudando, tem que trabalhar em outro lugar”, emenda Gabriel.
Depois de cerca de cinco anos de prosperidade, o Projeto B2 (tem este nome porque os fundadores Fernandes e Alberto têm apelidos que começam com a letra “B”) novamente “deu um tempo”. A banda estava no auge, mas o baterista precisou se concentrar em um curso de sargento e Fernandes passaria quatro meses em São Paulo em um curso de piloto. E era ele quem “gerenciava” a banda. “Naturalmente cessou, porque eu simplesmente não ia mais nos bares buscar os convites”, define.
Mesmo inativa por aproximadamente quatro anos, a Projeto B2 recebeu um convite para tocar no Centro Integrado de Cultura (CIC), com a banda da PM, em abril do ano passado. Resolveram topar o desafio. Reagruparam os integrantes, convidaram o tenente-coronel Paulo Sérgio para assumir a bateria e voltaram à ativa. “Começamos a ensaiar com o mesmo repertório, aquele rock antigo, dos anos 60, 70, 80 e alguma coisa pinçada mais atual, e pronto, reengrenou. Somos todos músicos experientes, então só faltava desenferrujar”, brinca Fernandes. “O Paulo, mesmo, tirou a baqueta do armário já toda cheia de cupim”, diverte-se. Trouxeram também uma voz feminina para a banda, Bruna Natividade, e gravaram um vídeo. Pronto, os convites começaram a aparecer novamente e “hoje a banda está com o mesmo status que estava naquela época”, na avaliação do guitarra-solo Silvio Fernandes. O coronel Alberto é vocalista e faz a guitarra-base. Ele ainda mora em Blumenau. “Na verdade, agora estou trabalhando aqui, mas moro lá. Aí a gente ensaia às segundas-feiras”, explica.
E os ensaios das segundas são suficientes para deixar o repertório “nos trinques”. Até porque, como costumam ter um tempo razoável entre uma apresentação e outra, podem trabalhar com dedicação às músicas escolhidas. A maioria das canções estampam o clássico do rock’n roll. “A gente sempre foi muito elogiado pelo repertório, porque todo mundo conhece as músicas. A gente acabou escolhendo músicas que mesmo que o cara não goste, não acompanhe, ele já ouviu aquelas músicas num filme, num comercial, numa novela”, define Fernandes. No repertório, tem estrelas internacionais como Creedence Clearwater Revival, Elvis Presley e Steppenwolf, e expoentes do rock nacional, como Legião Urbana, Ira e TNT.
Só não tem nenhuma música do Artimanha, antiga banda de pagode cujo baterista era ninguém menos do que Paulo Sérgio Souza. A banda se apresentava em casas noturnas de Palhoça, como o saudoso Snoopy, no Alto Aririú. “Não, do Artimanha não tem nada, eram músicas de pagode, era outro projeto”, brinca o comandante do batalhão. “Estava indo pro mal caminho e salvamos ele”, diverte-se Silvio. “Mas foi bom para aprender. É bem diferente do rock, mas em termos de música, o samba é raiz para muitas músicas, então você aprende muito, é interessante mesmo”, garante o baterista.
Apesar de todos os integrantes terem suas profissões e levarem a banda como um hobby, o projeto é encarado com muita seriedade. “Se for pra vir a um bar e tocar na frente de 200 pessoas pra fazer fiasco, eu nem venho”, avalia Fernandes. “A ideia é o cara ter a profissão do cara, os compromissos da profissão, e na banda o cara toca no mesmo nível, não é porque é hobby que vai fazer diferente, tem que desempenhar bem para fazer bonito”, ensina Paulo Sérgio Souza. No Liffey, eles realmente fizeram bonito. Quem quiser conferir o “replay”, é só passar no pub no dia 10 de junho.

 

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