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Santa Bola - Edição 565 - 24/11/16

24 Novembro 2016 13:20:37

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Tragédia anunciada

A queda do Figueirense para a Série “B” já vinha amadurecendo há dez rodadas do final da competição.
Em algumas colunas anteriores não previa a queda, mas insistia em dizer que o nível individual da meia cancha era muito fraco. Josa, Caucaia, Badi, Dodô, Jeferson, Iago, Ortega, Elvis, etc... Não eram nem defensivos e muito menos eficientes. Com isso, sobrecarregava o sistema defensivo e não ajudava o poder ofensivo.
Em função disso, o Gatito invariavelmente era o melhor em campo e o Rafael Moura se tornava refém apenas de um bom cruzamento.
Aliás, justiça seja feita, o nosso colunista do jornal Palhocense Sérgio Murilo, narrador da rádio Guarujá, já antecipava o Figueirense na Série “B”, faltando oito rodadas para o encerramento do campeonato.

Medidas erradas
A principal delas foi indiscutivelmente a nefasta troca de treinadores. Todos eles foram contratados sem nenhuma convicção. E o que é pior: um deles, o Tuca Guimarães, foi escolhido pelos jogadores. A demissão do Vinicius Eutrópio foi o primeiro erro. A dispensa do Carlos Alberto, no mínimo, é polêmica. Joga mais que os outros, mas, em compensação contamina o ambiente.
Aquele manifesto de comprometimento assinado pelos jogadores foi uma piada de mau gosto. Quem sou eu para dar conselhos, mas posso fazer uma advertência para o presidente Vilfredo Brilinger, até mesmo pela minha experiência como preparador físico e treinador: com raras exceções, a maioria dos jogadores não está nem aí, a não ser que sejam punidos no bolso.

Base pronta... Para a Série B
Gatito, Werlei, Marquinhos, Bruno Alves, Ferrugem, Eli Carlos, Lins, Mateusinho e Rafael Moura, dá para ficar. Airton, Pedroso e Everton Santos não irão acrescentar.


Avaí: Bem vindo à Série A

Foram tantos os fatores que levaram o Avaí para a serie A, que poderia cometer algumas injustiças.
As referências foram: liderança, dedicação, intensidade de jogo, dinamismo, bons comandos (dentro e fora do campo) e ótimo ambiente.
O presidente Francisco Battistotti foi fundamental, quando demitiu o técnico Silas. Já não era sem tempo. A contratação do Claudinei Oliveira foi primordial pela coerência, justiça, liderança, convicções, leitura de jogo e bom senso. Ao seu lado teve sempre seu fiel escudeiro, Evandro, e o grande capitão, Marquinhos Santos, que aparava as arestas dentro de campo junto com o Betão.
Joceli dos Santos fez uma ótima retaguarda, filtrando problemas, sendo um elo entre a presidência e os jogadores.

Vitorioso Battistotti
Ele sofreu bastante quando assumiu a presidência do clube. Até ameaças de morte recebeu. Enfrentou tudo e todos de peito aberto, sem nunca prometer o que não podia cumprir.
Teve rejeições de torcedores e o que é pior: dentro do próprio conselho do clube. Após consumado o acesso para a Serie A, perguntado pelo competente Clayton Ramos da Rádio Guarujá, o que ele tinha a dizer para seus desafetos, respondeu humildemente que os perdoava.
Com todo respeito ao seu ponto de vista, eu não concordo. Não se perdoa vagabundo. Tenho dito...


Neguinha e Taruga Histórias de treinadores

Todos os treinadores do futebol brasileiro, independente do estágio de ser principiante, experiente, inexperiente, comedido, irreverente, mal humorado, incompetente ou não, mau caráter ou não, protagonizaram boas histórias.

Bicho de sete papão
Como técnico de futebol, comecei a carreira no Villa Nova de Minas Gerais. Para me firmar como treinador, era preciso que passasse por algumas dificuldades e que pudesse superá-las. Diante disso, aceitei o convite do então diretor de futebol do Sparta de Campo Belo/MG, o grande Casaca, um dos maiores volantes do futebol mineiro, para dirigir o time do sul de Minas na segunda divisão do Campeonato Mineiro. Fizemos uma grande campanha e com a autonomia que me foi dada pelo presidente Carlão e o Casaca, montamos uma boa equipe e ascendemos à primeira divisão. Infelizmente, por questões legais, perdemos cinco pontos e não conseguimos a vaga. Independente desse transtorno e decepção, para mim foi uma ótima sustentabilidade (palavra da moda) para direcionar minha carreira. Tanto que um ano depois eu estava dirigindo o Cruzeiro, sendo campeão Mineiro.
Numa das folgas, jogando uma caixeta na casa da alegre amiga Ferreirinha, perguntei ao Casaca como era o treinador Saul, dispensado para que eu fosse contratado e Casaca me disse:
- Na preleção no jogo contra o Flamengo de Varginha, querendo subestimar o adversário o Saul disse: “O time deles não é bicho de sete papão”!
Isso é, misturou bicho de sete cabeças com bicho papão. Saul já morreu e tomara que Deus tenha lhe dado um bom lugar no céu!

Leitura de pensamento
Sudaco foi um dos grandes meias-ofensivos do futebol brasileiro. Jogou no São Paulo na década de 60. Encerrou a carreira no Formiga de Minas e virou treinador. Um dia, substituiu o melhor jogador e foi chamado de burro. O jogador, saindo de campo, olhou para o treinador com olhar de reprovação, não disse nada e foi para o vestiário. O Formiga perdeu o jogo e, ao entrar no vestiário, o Sudaco dirigiu-se ao jogador substituído e fulminou:
- Filho da Dutra é você e aproveita e vai tomar conta.
O jogador, surpreso, disse:
- Professor, eu não disse nada!
E o treinador, inconformado, respondeu:
- Você não disse, mas pensou!

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