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Santa Bola - Edição 561 - 27/10/16

27 Outubro 2016 10:10:21

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Jogador legendário
O futebol está de luto. Não só o brasileiro, como mundial. Carlos Alberto Torres não maltratava a bola, tinha a eficiência defensiva e a eficácia ofensiva. Tratava a bola com carinho e delicadeza. Exercia a liderança com firmeza sem perder a ternura. Oberdan Vilain, que jogou ao lado dele no Santos por 10 anos, me confirmou tudo.


Olhar para frente
Não adianta mais os alvinegros, sejam dirigentes ou torcedores, continuarem lamentando os maus resultados e, principalmente, os erros de arbitragem que, são indissociáveis do futebol. Até corintianos e flamenguistas reclamam. Há alguns anos isso seria inimaginável!


Encontro consciente
Dia desses, me encontrei na Praça XV em Florianópolis com o ex-presidente do Figueirense Gersino Costa, proprietário da Malharia Paloma. Como sempre, muito ameno e racional, reconhece as limitações técnicas do time, principalmente no setor de criatividade e aproveitamento. Concordo plenamente com ele e insisto: não tem nada perdido.


Pacto pela vitória
Se o fator local prevalecer e o aproveitamento for eficaz, pode, naturalmente, ganhar do Grêmio nesse próximo domingo. Contra o Atlético Mineiro foram criadas várias situações de gols, mas foram desperdiçadas. Se elas se repetirem contra o Grêmio, o cenário deve ser positivo, mesmo porque o clube gaúcho deverá vir com time alternativo. Os gremistas estão mais preocupados com a Copa do Brasil. Ah, com um pouco de sorte nas combinações envolvendo Coritiba, Sport, Vitória e Internacional, o Figueirense ganhando do Grêmio ficará apenas a dois pontos de diferença do 16° colocado. Não vamos desanimar!


Campanha melhor que o time
Como bom mineiro, continuo desconfiado e ressabiado com o futebol praticado pelo Avaí. Não posso, e seria leviano da minha parte, deixar de reconhecer a campanha magistral do Avaí até o momento. 
A chegada do Claudinei Oliveira foi fundamental para esta evolução. A sorte também caminha junta, principalmente nas combinações de resultados de seus principais concorrentes com tropeços consecutivos do Bahia, Ceará, Criciúma, Brasil, Londrina, CRB e até o Náutico.


Sem previsão
Não dá para prever nada. Assim como os árbitros não sabem marcar pênaltis, comentaristas esportivos, me incluindo, não são bons profetas.
Não posso adivinhar, porém posso divagar. Até o final desta edição do jornal, não sei o resultado do jogo de ontem, entre Vasco e Avaí. Se o Avaí tiver empatado ou saído com a vitória, a Série A estará logo ali. Se perder, não perde a esperança. Não pode perder é a confiança.


Peripécias do Rei

Um dos maiores ídolos do futebol do Reino Unido foi George Best, reconhecido até pelos ingleses e galeses. Morreu aos 59 anos e foi sepultado na Irlanda do Norte. Foi considerado o maior jogador de futebol da Europa no final dos anos 60, superando inclusive grandes craques da época como: Rivera, Beckembauer, Mozopusti, Eusébio, Breitner, Lato, entre outros.
O funeral teve pompas de celebridade e foram esperadas 500 mil pessoas para dar o último adeus àquele que os britânicos consideram como o Pelé branco. E a comparação era feita constantemente para provocar o maior jogador de futebol de todos os tempos. Só tem um porém: fora do campo, o irlandês aprontava tudo o que tinha direito. Foi exatamente por isso que nos deixou precocemente. Poucos dias antes do ocorrido, falando com dificuldades, disse que faria tudo de novo e completou com uma frase de efeito:
- eu gastei todo meu dinheiro em bebidas, mulheres e carros. O resto eu desperdicei.
Aproveitando esse ensejo, em que foi comemorado essa semana o aniversário de Pelé, que completou 76 anos, lembro-me do episódio envolvendo Pelé e o Pelé branco. Jorge Guttman era um empresário uruguaio que levava à Europa grandes clubes do Brasil para excursionar. Entre eles, os dois melhores times da época: Santos e Cruzeiro. Numa dessas viagens para o Velho Mundo, depois de um jogo do Cruzeiro, time do qual era preparador físico, o baixinho Guttman me contou essa peripécia do Rei.
Disse ele que foi marcado para Hong Kong o jogo do ano, para 100 mil espectadores: Santos versus Manchester United, da Inglaterra. Seria o grande tira-teima: Pelé de um lado e George Best do outro. Só que, naquela época, os empresários vendiam os jogos de acordo com os resultados. Se houvesse uma sequência de vitórias, não havia previsão de volta. Isso normalmente acontecia com o time do Santos que, além de ganhar, dava show e estendia sua turnê por mais 30 dias. Todo mundo ganhava, principalmente os empresários.
Isso inclusive me foi confirmado pelo Oberdan Vilain*, nosso querido manezinho da ilha que, durante 10 anos seguidos, foi o grande zagueiro daquele timaço e que hoje é um dos maiores amigos do Pelé. Aliás, quem deu o nome ao filme: “Pelé Eterno”. Que protagonizou a vida do Rei, foi nosso Oberdan Vilain.
Como Pelé era o mais assediado jogador do mundo, evidente que ele não tinha paz, a não ser dentro de campo e não tinha algumas liberdades de que desfrutavam alguns jogadores como Zito, Dorval, Coutinho, Pepe, Mengalvio, Gilmar, Carlos Alberto e o próprio Oberdan. Como estava separado da Rose, o “Negão” combinava com o Guttman que depois do jogo teria que ser dedicado a ele uma grande beldade para aquele conhecimento mais íntimo do hotel.

* Oberdan Vilain – Manezinho de Florianópolis, nasceu em 1945, zagueiro dos bons, jogou no Santos e participou da lendária equipe comandada por Telê Santana, em 1977, quando o Grêmio sagrou-se campeão gaúcho. Atualmente é um empresário bem sucedido em Florianópolis.  

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