palhocense.jpg

Santa Bola - Edição 556 - 22/09/16

22 Setembro 2016 13:28:55

Perto da vaga

Na edição anterior, registrei na coluna que a mudança de comando no futebol profissional do Avaí, promovida pelo presidente Francisco Battistotti foi altamente providencial e cirúrgica. Nem tanto pela chegada do Claudinei Oliveira, mas principalmente pela saída do teimoso e insistente Silas, apoiado nas suas errôneas convicções.

Modificações
Foram apenas três modificações: as entradas do Betão, João Felipe e o retorno do Marquinhos Santos. Melhorou o rendimento e em consequência o aproveitamento.
Em seis jogos consecutivos, foram cinco vitórias e um empate. Numa competição equilibradíssima, excetuando o Sampaio Correa e o Tupi, ganhar 16 pontos em 18 pontos possíveis, não deixa de ser um crescimento vertiginoso.

Fator Local
Nos próximos três jogos o Avaí não sai de Santa Catarina. Amanhã vai a Joinville que, sob novo comando, deverá encontrar dificuldades pelo fato de ser um clássico regional.
Depois, recebe na Ressacada, Paissandu e Goiás que, no momento estão jogando menos que o Avaí.
Isso é, grandes possibilidades de entrar finalmente no G4.


Via Crucis

Continua o calvário do Figueirense na competição. Os dois últimos jogos, contra o América Mineiro, no Scarpelli, e o Flamengo, no Pacaembu, foram desanimadores. Principalmente o jogo contra o Flamengo. Mesmo reconhecendo a superioridade técnica do adversário, o então  técnico Tuca Guimarães, não precisava ser tão retranqueiro ou cauteloso, como queiram.
Para mim, isso se chama covardia futebolística.

Vários fatores
Além dos desfalques de Marquinhos, Eli Carlos, Caucaia, Lins e Rafael Moura lesionados, o Figueirense sentiu também  a dispensa do Carlos Alberto. Aliás, medida acertada da diretoria. Mesmo sendo um bom jogador, contaminava o ambiente.
- Os problemas institucionais e a divisão coletiva, interferiam no rendimento da equipe.
- Os erros se acumularam desde o começo, repetindo rotinas sem repertório.
- Jogadores escolhendo treinador, gerou falta de comando no vestiário.
- Cinco trocas de treinador numa mesma temporada é inadmissível num clube que quer, pelo menos, permanecer na divisão de elite.
Mas nem tudo está perdido. Vamos ver se com a chegada do novo treinador, Marquinhos Santos, haverão ajustes para a recuperação do time, assim como foi feito no Avaí, com a chegada do Claudinei Oliveira.
Faltam 36 pontos em disputa e as esperanças podem ser renovadas, especialmente para os grandes alvinegros, entre eles o Jocélio Cabeleireiro e os meus amigos Nino Wagner, irmão do Didico, do Neném da Praia de Fora e dos desiludidos Alan Zacchi e o filho Mateus.


Esse Avaí Faz Coisas

Em 1995 o Avaí foi campeão da Copa Santa Catarina. O título seria importante porque o ganhador asseguraria uma vaga para a Copa do Brasil do ano seguinte. Acabou não acontecendo. Mas o que vale é o valor da conquista e, principalmente, a forma como aconteceu.
Eu fui contratado no meio do ano, depois de sete anos ausente do estado. Nilton Dionísio era o presidente e me deu carta branca para que pudesse fazer dessa Copa um laboratório para futuras competições. Com essa autonomia, e ao lado de Marcelo Pantera, preparador físico, e meu leal amigo João Carlos Dias, começamos a empreitada!
Como não era novidade na época, o Avaí passava por enormes problemas financeiros e divergências políticas. Mas, é a tal história: todo mundo critica, faz oposição, não compactua com a administração, mas ninguém pega no “chifre do boi”. E assim, nesse calvário de restrições em todos os níveis de compreensão, fomos passando de fase em fase até chegarmos à final contra o Joinville.

Bruxo
Não posso deixar de registrar a semifinal contra o Marcílio Dias. O primeiro jogo, em Itajaí, foi 2 a 2. O jogo da volta na Ressacada só tinha uma preocupação: o técnico do Marinheiro era o competente e estrategista Lauro Búrigo, que além de ser meu amigo, é uma das maiores bandeiras do futebol catarinense de todos os tempos!
Como bom mineiro, precisava desestabilizá-lo. Combinei com o Nilto Rodrigues, fanático torcedor avaiano, para que azucrinasse o “Bruxo” durante o jogo. Ele chamou o Lauro de tudo, lembrando os bons tempos da Conselheiro Mafra, rua da capital catarinense. O Burigo, como não deixa passar nenhuma, saiu da área técnica e respondia à altura, com todos os impropérios possíveis. O desequilíbrio passou do banco para o campo e acabamos enfiando cinco no Marcílio.
Na condição de finalista, faríamos o primeiro jogo contra o Joinville na Ressacada. Empatamos em 1 a 1 e bastaria, para o JEC, um novo empate em casa para o time da Manchester ser campeão.
Sem dinheiro e sem presidente, chegou o dia da decisão, 23 de dezembro, e os jogadores avaianos não queriam viajar porque, por incrível que pareça, o clube não tinha dinheiro nem para o jantar da volta. O capitão era Belmonte e, por mais que eu o demovesse da ideia, ele tentava me convencer de que aquilo era um absurdo e que eles nem pensavam em prêmio, caso conseguissem o título.
Nisso apareceu, de repente, o Dr. Gerson Basso, conselheiro do Avaí, que emitiu um cheque de R$ 1,8 mil para o doutor José Carlos Cardozo. Ato contínuo apareceu  o João Carlos Dias com o professor Nereu do Vale Pereira e, num discurso rápido, objetivo e de retórica irretocável, exaltando a instituição Avaí Futebol Clube, convenceu a todos. Belmonte ainda relutou e o professor Nereu puxou um Pai-Nosso e uma Ave-Maria.
Comoções à parte, subimos no ônibus às 18h30 e eis que o próprio quebra em São Miguel. Para nossa sorte, vinha o carro da TV Record atrás e o Serginho Alves, irmão do Roberto Alves, foi buscar socorro. Resolvido o problema, seguimos e chegamos no estádio em cima da hora. Fomos recebidos com ovo e mijo.

Freezer
Na preleção final eu disse para o Régis, que foi um dos maiores volantes com quem trabalhei, que se fôssemos campeões, ele ganharia de mim um freezer. Vencemos por 3 a 1, para desespero de quase 15 mil torcedores do JEC. O vestiário da alegria, que antes não tinha nenhum presidente, agora tinha dois: Dionísio e Gerson Basso. O Régis ganhou o freezer e eu, para variar, entrei pelo cano.
Entramos no ônibus para a volta e quebramos na primeira esquina. A sorte que dessa vez foi em frente a um bar e ali comemoramos até às quatro da manhã, esperando outro ônibus, que foi alugado por um amigo do João Carlos Dias. Realmente, procede a máxima de que “esse Avaí faz coisa”.

Imagens


logo palhocense.png

Copyright © 2011. Todos os direitos reservados | Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina