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Santa Bola - Edição 553 - 01/09/16

01 Setembro 2016 13:18:34

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Sorte do Tuca Guimarães
Era muito mais importante “resultado” do que atuação convincente. Embora o Santos tenha dominado a partida com acentuado posse de bola (70% contra 30%), o que vale em futebol é o aproveitamento. O Figueirense teve a oportunidade no pênalti e converteu.
O grande mérito do treinador Tuca Guimarães foi a escalação adequada dos  melhores jogadores nas suas respectivas posições. Além, evidentemente, de dosagem de sorte. Trocou o goleiro e este foi o melhor em campo. Mesmo sem seu melhor jogador suspenso, Carlos Alberto, a marcação foi ponto alto da estratégia do Tuca.
Os outros resultados da rodada não tiveram combinações que pudessem tirar o Alvinegro da zona do rebaixamento. Mas esta vitória sobre o Santos, candidato ao título, resgata a confiança para acreditar definitivamente na manutenção na Série “A”.


Sorte do Claudinei Oliveira
O Avaí na vitória sobre o Luverdense, nessa terça- feira, contou com a sorte. Os dois laterais não jogaram bem, pouca criatividade na meia cancha e, como sempre, a inoperância do William no poder ofensivo.
Marquinhos deu o toque de qualidade, meteu uma bola no travessão e deixou o Rômulo na cara do gol no primeiro tento do Avaí.
O Luverdense, mesmo tendo um jogador expulso, empatou e deixou o Avaí  desestabilizado. Mesmo assim, conseguiu o gol da vitória, de novo com o Rômulo, num lance polêmico no final do jogo.


Equilíbrio
O Avaí tem muito a melhorar, mesmo com a vitória. A Série “B” é muito equilibrada e principalmente limitada na parte técnica. Haja vista os resultados  dessa rodada: o Tupi ganhou do Paissandu, em Belém, de 3 a 0 e o Vasco perdeu em casa para o Vila Nova.
Por isso, insisto em dizer que na Série “B”, “se melhorar um pouco, vai para a Série ‘A’. Se piorar um pouco vai para a Série ‘C’.”


Via Crucis na Cordilheira

A Seleção Brasileira, sob novo comando, joga hoje pelas eliminatórias para a Copa do Mundo na Rússia, contra o Equador, em Quito.
Isso me faz voltar ao passado, porque em 1989 fui trabalhar no Equador, precisamente na capital Quito, dirigindo a Universidade Católica. Fizemos viagens por todo o país, cortando a Cordilheira dos Andes, com suas belezas e seus eminentes perigos. Foram situações inusitadas, principalmente nos finais de semana, quando os índios equatorianos estão de folga. O entretenimento deles é a embriaguez, sorvendo em doses generosas uma aguardente chamada punta. É a cachaça extraída do milho, que é a principal cultura agrícola de lá, ao lado dos extensos bananais. Eles ficam às margens das estradas completamente bêbados, à mercê de serem atropelados pelos veículos que transitam naquelas estradas perigosíssimas a três mil metros de altitudes.

Sufoco
Não posso nunca me esquecer de uma viagem que fizemos para jogar em Cuenca. Normalmente a faríamos de avião, mas não havia teto em virtude de ser a cidade de maior altitude do país. Foi um sufoco quando o comandante tentou aterrissar nessa cidade e arremeteu de volta para Quito. Por questão de calendário, o jogo não poderia ser adiado e tivemos que providenciar a viagem de qualquer maneira. Obviamente teríamos que fazê-la de ônibus, num percurso aproximado de 500 quilômetros, que normalmente seria feito sem transtornos e, no máximo, em oito horas.

Odisseia
Saímos no final da tarde de sábado, e aí, iniciou-se a Odisseia. Quito, a capital, está a 2.850 metros acima do nível do mar. Cuenca a 3.500 metros. Isso é: a viagem seria vertiginosa sempre. O leque de imprevistos estava apenas começando, quando nos deparamos com um índio morto, atropelado por um ônibus, apenas 50 quilômetros depois. Os indígenas, não sei se por sacanagem ou não, rezam o ritual da morte na estrada, interrompendo o trânsito por, pelo menos, duas ou três horas. Pacientemente, tivemos que esperar e respeitar esse ritual, sob pena de sermos hostilizados.

Virando picolé
Resolvido esse que seria o primeiro transtorno, seguimos viagem. Porém, os países que fazem parte da Cordilheira dos Andes, como o próprio Equador, Colômbia, Peru, Chile, têm permanentemente uma transformação térmica diária interessante. Durante o dia, a temperatura varia de 10 a trinta graus. E no cair da tarde, até o amanhecer , declina de dez a dois graus abaixo de zero. Se não se prevenir, morre-se de frio. Como nossa previsão de chegada a Cuenca era por volta de 20, 21 horas , não houve a prudência de um melhor agasalhamento.
Diante daquele frio gélido, olhando para todos, já na madrugada, deparei-me com várias duplas  bem abraçadinhas, como se fossem casais de namorados. Como nunca tinha visto aquela cena no futebol, virei para auxiliar Ricardo Drubsky e disse:    
- Com esse time de “viados”, não vou chegar a lugar nenhum.
No banco ao lado, estava o presidente do clube, também abraçadinho ao diretor de futebol. Distraidamente, minha observação foi feita em voz alta e certamente ouvida pelos dois.
Diante disso, o ambiente ficou ruim para o meu lado. Para desfazer essa insatisfação, nada melhor do que uma vitória contra o perigoso Deportivo Cuenca. Vitória fora de casa tem sabor de conquista. Ganhamos de 2 a 0, jogamos bem. No vestiário, depois do jogo, os exagerados dirigentes clamavam em altos brados: “Rumo à Libertação”! Recusei-me a voltar com a delegação e retornei no outro dia de avião. A partir dali, fiquei “prestigiado”. No primeiro tropeço, receberia as malas. Foi o que aconteceu.

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