palhocense.jpg

O bode na sala

06 Abril 2017 00:51:31

Por: Jaime Lopes Barbosa Filho

Toda reforma tributária deve levar em consideração a realidade de que as pessoas moram nas cidades e é para elas que devem ser feitas quaisquer reformas.

Por isso, a concentração dos impostos nos cofres da União é algo que deve ser melhor observado. 
Acrescente-se a isso a brutal injustiça tributária, que é uma das maiores do mundo entre os países mais desenvolvidos.
Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que quanto mais alto está o contribuinte na pirâmide de concentração de renda, menos ele compromete sua renda com impostos. Por exemplo: os 10% mais pobres contribuem para o Tesouro com 32% de seus rendimentos; enquanto isso, os 10% mais ricos, contribuem com apenas 21%. 
O problema é que na contramão de tudo isso, sempre tem uma autoridade falando em aumento de impostos, enquanto algumas outras desmentem, e assim ficamos sem saber o que realmente pode vir por aí. 
Este tipo de atitude lembra a estória do bode que é colocado na sala de uma casa onde todos reclamam que a casa é pequena. E quando retiram o animal da sala, gera uma sensação de alívio e ninguém reclama mais, pois a casa se torna ampla e confortável. Ou seja, falam tanto em aumento de impostos que, quando são criados menores do que a expectativa gerada, são recebidos até com um certo conformismo.
A verdade é que as soluções parecem não mudar de governo para governo, e a única medida "criativa" que vem se repetindo é o achaque sem limites ao combalido contribuinte brasileiro. 
O volume de impostos arrecadados não corresponde nem de longe ao que o cidadão recebe de volta em benefícios, restando uma relação leonina onde o Estado voraz se apropria cada vez mais da riqueza do país, principalmente dos mais pobres, sem a devida retribuição. 
A verdade é que o povo não aguenta mais e os governantes parecem ser insensíveis quanto a esta percepção. 
A insatisfação tem limites e a história mostra que o Estado sem noção acaba se afastando do povo e perdendo aquela confiança necessária às relações institucionais sólidas. 
Não estamos à beira de uma revolução tipo à francesa ou uma insurreição como a Inconfidência Mineira. Mas se os governos não escutarem a voz das ruas e não mudarem suas atitudes e suas prioridades, viveremos um distanciamento cada vez maior, com consequências imprevisíveis. 
Uma reforma tributária é urgente. Sem ela, todas as outras serão ineficazes.
 
* Economista e advogado


logo palhocense.png

Copyright © 2011. Todos os direitos reservados | Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina