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A violência crescente

27 Julho 2017 10:58:51

Gilberto Gonçalves*

Por: Gilberto Gonçalves*
O Atlas da Violência 2017, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostra a triste escalada da violência no Brasil, trazendo informações da violência entre os anos de 2005 a 2015, com os números de homicídios do país, dos estados e dos municípios com mais de 100 mil habitantes. Somente em 2015, foram registrados 59.080 homicídios no Brasil, uma taxa média de 28,9 homicídios para cada 100 mil habitantes - isso dá uma média de 161 pessoas mortas todos os dias.
O estudo mostra que o Brasil é um dos países onde mais se mata no mundo. Para termos uma ideia, nos Estados Unidos, em 2015, foram 13.482 homicídios, e na Índia, com 1,2 bilhão de habitantes (seis vezes a população brasileira), foram 43.452 homicídios. Até mesmo se comparado à Síria, que está em guerra civil há mais de cinco anos, o Brasil ganha disparado quando se trata de homicídios. 
De 2005 a 2015, foram 588.479 mortes por homicídios no Brasil, uma guerra não declarada que tira vidas diariamente em todas as regiões, classes sociais, faixas etárias, cor, sexo e pelos motivos mais variados, desde acerto de contas, desavenças familiares, crimes passionais, crimes ligados ao tráfico de drogas, brigas de trânsito, etc.
Nesse contexto se destaca um grupo em especial, o de homens jovens entre 15 e 29 anos, onde cerca de 50% de todas as mortes são por homicídio. Somente no ano de 2015, foram 31.264 homicídios de jovens nessa faixa etária no Brasil, dos quais cerca de 25 mil são homens. A taxa de homicídios de homens jovens em 2015 alcançou a incrível marca de 113,6 para cada grupo de 100 mil homens jovens.

Santa Catarina
Aqui em Santa Catarina, foram registrados 957 homicídios no ano de 2015, sendo que desses, 442 foram de jovens entre 15 e 29 anos. A taxa de homicídios do estado aumentou de 10,8 em 2005 para 14 no ano de 2015, para cada 100 mil pessoas, um aumento de 30% - mesmo essa taxa sendo alta, é a segunda mais baixa dos 27 estados da federação. 
Ainda assim, o número de homicídios em Santa Catarina é muito alto. O estado possui uma população de aproximadamente 7 milhões de habitantes e quase a mesma quantidade de homicídios registrados, por exemplo, na Alemanha, com 81 milhões de habitantes (1.035 homicídios em 2015), ou na Itália, com 61 milhões de habitantes (1.656 homicídios naquele ano).
Dois bons exemplos para o estado são Jaraguá do Sul e Brusque, que registraram as menores taxas de homicídio entre as 304 cidades com mais de 100 mil habitantes do Brasil. Jaraguá com 163 mil, e Brusque, com 122 mil habitantes, registraram apenas cinco homicídios cada uma em 2015, com taxas em torno de quatro homicídios para cada 100 mil habitantes, muito abaixo da taxa registrada no estado.
O estudo mostra uma cruel realidade de crescente violência contra a vida, especialmente dos jovens brasileiros. A banalização da vida e a impunidade retratam o descaso e a atuação ineficiente em relação à segurança pública. Segundo o Ministério da Justiça, apenas 8% dos casos de homicídios são solucionados no Brasil. A segurança pública não é tratada com a atenção que merece, os governos que deveriam buscar soluções através de atuação conjunta e integrada dos diversos órgãos de segurança pública na busca de soluções efetivas para o combate à violência preferem jogar a responsabilidade para outras esferas de governo ou na falta de recursos causados pela crise financeira.
O estudo do Ipea não menciona a constante sensação de insegurança, que é sempre contestada pelas autoridades de segurança pública, com índices e taxas de redução em um ou outro tipo de crime. O Atlas da Violência 2017 mostra números e taxas incontestes, que comparam e comprovam o aumento dos homicídios que tiram a vida de 60 mil brasileiros todos os anos. 
* Administrador, 
especialista em Administração Pública


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