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Mistérios Palhocenses - Edição 518 - 23/12/15

23 Dezembro 2015 11:33:32

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Rei Mago do Natal de 1995

De estrutura mediana, cabelos raspados, barba de alguns dias, olhos brilhantes e distantes. Chegou trajando um calção verde, camisa surrada, sandálias havaianas. Imediatamente, começou a ajudar como voluntário aos desabrigados no Palhoção na enchente de 1995. Pouco falava, nada pedia, apenas sorria! Estava sempre pronto para carregar as doações recebidas, principalmente as mais pesadas, como sacos de batata, galões de água e cestas básicas, que chegavam de várias partes do estado.
Numa ocasião, disse a ele:
– Escolhe um tênis destes novos pra ti.
Respondeu:
– Não! Pra mim, não preciso, tem muita gente precisando mais do que eu!
Depois que os desabrigados deixaram o Palhoção e gradativamente voltavam pra suas casas, o padre Caon, pároco da Matriz, conseguiu abrigo pra ele na Escola Rural. Ajudava no Palhoção até as 22h e depois ia dormir lá. No outro dia, era sempre um dos primeiros a chegar. Sem falar nada, sem reclamar do cansaço, sem nada pedir, começava a trabalhar, sorrindo.
Tentei descobrir mais sobre ele. Descobri que se chamava Salatiel – parece nome de Rei Mago, não parece? Disse-me que veio de muito longe para trabalhar nas obras do Caic, que estava sendo construído, na época, no bairro Passa Vinte.
Salatiel ficou abrigado na Escola Rural até o dia 2 de janeiro, quando foi obrigado a deixar o local. Para nossa surpresa, no outro dia, apareceu novamente. Durante esse período, Salatiel nada pediu, pouco falou, apenas sorriu e ajudou no atendimento aos desabrigados até a sexta-feira, dia 6 de janeiro, dia dos Reis Magos, quando também encerramos os trabalhos no Palhoção.
Neste dia, o vereador Marlon Rosa, um dos membros da Comissão Pró-Defesa Civil, lhe disse:
– Quando fores embora, leva uma cesta básica pra ti, mesmo porque, foste uma das pessoas que mais ajudaram!
Salatiel respondeu:
– Não! Pra mim, não quero. Tem muita gente precisando mais do que eu!
Depois deste dia, não o vi mais na cidade. Assim como chegou, na véspera de Natal, simplesmente desapareceu sem muito falar e sem nada pedir! Cheguei a visitar a obra do Caic, mas lá ninguém havia ouvido falar de Salatiel!
Às vezes, fico imaginando se o misterioso Salatiel não era o quarto Rei Mago, que, seguindo a Estrela daquele Natal de 1995, veio a Palhoça, trazendo o maior presente que um Rei Mago poderia ofertar para o Menino Jesus: a solidariedade!

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