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Mistérios Palhocenses - Edição 514 - 26/11/15

26 Novembro 2015 14:28:50

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O misterioso Homem de Branco do Hospital de Caridade
Dona Bernardina de Souza, moradora do Grande Aririú, aos seus 50 anos, era uma mulher forte, que trabalhava no pesado de sol a sol, ajudando na olaria de tijolos do marido e ainda fazia todo o serviço da casa. Mas em meados de 1982, de uma hora para outra, adoeceu e pouco a pouco sequer conseguia levantar da cama para fazer os serviços domésticos.
Preocupada com a repentina fraqueza e repentina doença de dona Albertina, a família, formada por cinco filhos homens e duas mulheres, resolveu marcar uma consulta médica e a levaram no hospital de caridade, em Florianópolis.
Eram 6h quando tomaram o ônibus da Imperatriz e se dirigiram à Capital, ou “à cidade”, como se dizia antigamente. Dona Albertina, o filho João e a filha Silvia esperavam a consulta com o médico sentados num banco de madeira em um dos corredores do hospital, quando apareceu no fim do corredor um senhor idoso, todo vestido de branco, que os três pensaram ser um médico do hospital. Ao passar pelo banco onde estavam sentados, o idoso olhando dona Albertina voltou e indagou calmamente:
– Como é seu nome?
– Albertina Souza – respondeu a doente, que perguntou:
– O senhor é o médico?
E ele:
– Não, não... Mas sei que o que a senhora está sentindo não é nenhuma doença que se trata em hospital! É coisa feita para prejudicar a senhora e sua família por uma vizinha que não gosta de vocês.
Espantados, João, o filho, perguntou, sem entender o estranho diagnóstico do estranho homem de branco:
– Como assim?
E homem de branco respondeu perguntando:
– A senhora tem uma coberta de pena de pato e se cobre com ela, não é?
– Sim, há anos que nos cobrimos com essa coberta, principalmente no inverno. Foi um presente ainda do meu casamento com o Zequinha, meu marido...
– Pois saiba que fizeram algo muito ruim para a senhora – disse o homem, sentando-se ao lado de dona Albertina. Emanando uma paz contagiante, pôs a mão em sua cabeça e exclamando:
– Dentro desta coberta tem “uma coisa feita” para lhe causar muito mal. São sete bonecos amarrados com linha de costura e feitos com a própria pena. Vocês devem abrir a coberta, retirá-los e numa noite de lua cheia alguém precisa ir até a beira do mar, queimá-los e depois jogar a cinza dos bonecos de costas para o mar e ir embora sem olhar para trás e rezando uma Pai Nosso e um Creio em Deus Pai em Cruz.
Ao dizer isso, o idoso se afastou e sumiu no fim do corredor.
Espantados, os três ficaram um olhando para o outro sem nada entender. Nisso passou uma enfermeira e eles perguntaram a ela:
– Qual é o nome do médico que acabou de passar por aqui?
A enfermeira informou que estava no início do corredor e que não havia visto nenhum idoso vestido de branco passar por ali nos últimos minutos!
João conta que a consulta e os exames foram feitos, sem que nada de anormal tenha sido constatado. De volta pra casa, João conta que sua mãe não sentiu nenhuma melhora, ao contrário, cada dia piorava mais da moléstia desconhecida.
Então, certo dia, lembraram do estranho homem de branco que cruzou com eles no hospital e voltou às suas mentes o que ele havia dito. Resolveram, então, sem que sua mãe soubesse, abrir a velha coberta de pena, e para a surpresa de todos, encontraram sete bonecos, especialmente costurados com linha de costura. Os bonecos possuíam corpos, pernas, braços e cabeça.
– Foi arrepiante quando vimos os bonecos feitos com a própria pena da coberta, exatamente como o misterioso homem de branco havia descrito. O que mais nos espantou, e que até hoje continua um mistério, foi não saber como alguém pode ter entrado em nossa casa, descosturado a coberta, confeccionado os bonecos e costurado novamente, tudo isso sem chamar a atenção ou despertar qualquer desconfiança de ninguém da família.
Silvia, a filha, conta que após encontrarem os bonecos de penas, resolveram fazer o que o homem de branco havia sugerido e foram até o mar na Ponte do Imaruim, onde queimaram os sete bonecos e jogaram suas cinzas no mar.
Coincidência ou não, apenas três dias depois, dona Albertina levantou pela manhã sem que tivesse doença alguma e animada e bem disposta foi trabalhar na olaria, coisa que não vinha fazendo já há meses!
Para a família, não há dúvida: quem curou a dona Albertina foi o misterioso homem de branco do Hospital de Caridade!

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