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Falando Sério - Edição 595 - 29/06/17

29 Junho 2017 12:00:43

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Saudade

Eu estava meditando, querendo achar um assunto para escrever esta crônica, quando de repente, veio-me à mente a “Canção do Exílio”, de Gonçalves Dias. Versos que foram escritos quando ele se encontrava em Coimbra, Portugal, lá pelos anos de 1843. A saudade que ele sentia do Brasil, fez com que ele se inspirasse para escrever: “Minha terra tem palmeiras, /  Onde canta o sabiá; / As aves que aqui gorjeiam, / Não gorjeiam como lá”. Termina dizendo: “Não permita Deus que eu morra / sem que eu volte para lá”.
A saudade nos faz sorrir e chorar. A saudade nos faz mantermos vivos nossos mais nobres sentimentos, como o amor que deve conduzir nossa vida até morrermos. Tenho pena daqueles que não sentem saudade, porque quem não sente saudade vive apenar o presente, como forma materialista de viver.
Vinicius de Moraes, em seu “Soneto de Fidelidade”, escreveu: “E assim, quando mais tarde me procure / Quem sabe a morte, angústia de quem vive / Quem sabe a solidão, fim de quem ama / Eu possa me dizer do amor (que tive): / Que não seja imortal, posto que é chama / Mas que seja infinito enquanto dure”. Eu acrescentaria, numa interpretação pessoal, que, sem a saudade, a vida é morte.
Vamos imaginar os exilados das muitas ditaduras que destroem o mundo. Deixaram suas famílias para não serem mortos, como seus amigos o foram, torturados e mortos. É a saudade que os mantêm vivos. Os que fogem das guerras para outros países, imigram para qualquer país do mundo que lhes deem abrigo.
Passados todos esses meus anos de vida, ainda sinto muitas saudades de minha mãe e a falta de meu pai, que morreu quando eu tinha dois anos de vida. Da minha infância e adolescência, então, eu homenageio, mais uma vez, citando Gonçalves Dias: “Oh! Que saudades que eu tenho, da aurora da minha vida,/ da minha infância querida/ que os anos não trazem mais.”
A saudade é como uma bengala que nos ajuda a andar. É a saudade que nos ensina que a esperança pode ser verdade; que podemos esquecer os momentos difíceis que passamos, recordando a alegria de ter vivido momentos alegres e inesquecíveis. É cantar junto com Gonzaguinha: “Viver e não ter a vergonha de ser feliz. “Porque, na verdade, nós seremos sempre “um eterno aprendiz. “
É triste sentir saudade? Muito pior é não sentirmos nada quando estarmos ausentes ou quando nossa família ou nossos amigos estão distantes. Pessoas que amamos partiram, vamos mantê-las vivas, mesmo que nossa mente nos faça chorar de saudade. Afinal, temos saudade de sentir saudades.
Amo minha família, sem eles não tenho nada e não sou nada. Sem amor jamais saberemos o verdadeiro valor da saudade. Não entendermos, nunca, o que é viver.

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