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Falando Sério - Edição 593 - 15/06/17

16 Junho 2017 10:26:09

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Paraíso ou inferno?

Quando eu era criança, aprendi que deveria ser bom, justo e amar o próximo como a mim mesmo. Com essas qualidades, eu alcançaria o paraíso. Que as crianças não deveriam dizer nomes feios, tomar cuidado para não serem comidas pelo “bicho papão” e quem dissesse o nome de Deus em vão poderia ter a língua enrolada.
Os anos foram passando, tudo se modificando, até mesmo o purgatório deixou de existir. Hoje, ou se vai para o céu ou para o inferno. Temos que compreender a dificuldade de entrar no inferno, pelo problema sério da superlotação.
Levando-se em conta que o Brasil é o país mais corrupto do mundo, não restam dúvida de que vai sobrar para as pessoas honestas conviverem com tudo o que não presta na política, na administração pública e nas empresas, tendo, inclusive, que acolher e aceitar como políticos, o que ultrapassou o limite de moradores do inferno.
Recordo-me que os mais velhos chegavam a dizer que o bicho papão comia crianças, sem fazerem alusão aos políticos profissionais. Hoje, esses políticos são tão mal vistos na sociedade, que as crianças chegam a indagar: “Vô, o político come criança?”
Infelizmente, a baderna política, legal, social e constitucional é tão grande que não se consegue enxergar no horizonte um simples sinal de esperança de dias melhores. Diariamente, rasgam, sem a menor vergonha, a Constituição brasileira. Indivíduos sem moral alguma são nomeados para altos cargos nos municípios, estados e no plano federal, até ministros (políticos ou não), carregados de processos, dando ordens no país, quando o certo deveria ser eles estarem na cadeia, devolvendo o que roubaram.
É lamentável que os processos demorem tanto a serem concluídos, para que possamos ter certeza de que a Justiça está sendo feita, que aquilo que pagamos de impostos não está sendo usado por ladrões do dinheiro público. Não podemos permitir que nosso país seja depósito do que sobra do inferno.
Eu não tinha a intenção de ser amargo no que iria escrever nesta coluna, por isso vou contar uma história ocorrida faz alguns anos, para deixar bastante claro que a vida também pode ser boa a bonita. Por quase 50 anos, mantive uma escolinha de futebol no campo velho e no novo Guarani. Entre a garotada, havia um rapaz muito quieto, incomunicável. Conversei com ele várias vezes e ele ficou meu amigo. Já sorria e trocava ideias. O tempo passou, ele ficou adulto e continuou jogando em vários times. Casou e hoje tem netos. São anos e anos, às vezes nos encontramos, ele sempre me dá um abraço e agradece dizendo: “É por tudo o que senhor fez por mim”. Se ele está feliz, eu estou muito mais, sabendo que fui útil a uma vida.

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