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Falando Sério - Edição 591 - 01/06/17

01 Junho 2017 13:16:49

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Lágrimas de felicidade

Silvio era um garoto estudioso. Desde o primário, ele se destacava entre os colegas de classe, pela educação, postura, inteligência e dedicação ao estudo. Era quieto, pouco comunicativo, classe média, obediente aos pais e com o ideal de se formar em Direito para colaborar com a sociedade.
Tânia era sua colega, com os mesmos predicados que Silvio, filha de família de classe média alta. Os dois pouco se falavam, pois eram tímidos e se comunicavam, às vezes, com um rápido olhar e um sorriso acanhado.
O tempo foi passando, eles se formaram no segundo grau e foram fazer vestibular para o curso de Direito. Aprovados, foram estudar na mesma classe. Desta vez, sentaram próximos um do outro, iniciando uma amizade que os levava a fazerem trabalhos de aula em conjunto, estudando com muita dedicação.
Como sempre, o tempo voou e com ele as mudanças de rumo em suas vidas. Formaram-se em Direito, tiraram muitas fotos juntos. Ele estava feliz. Mas, ele não sabia que Tânia já estava de passagem comprada para o exterior, com a finalidade de fazer cursos de especialização.
Tânia convidou Silvio para acompanhá-la até o aeroporto para uma despedida, já que ela o considerava o seu maior amigo. Ele não conseguiu dormir a noite anterior ao embarque. Ela partira no voo das 10 horas. Silvio já estava no aeroporto às 7h30, andando de um lado ao outro, muito nervoso. Ela chegou às 8h, acompanhada dos pais, muito feliz, porque nunca havia viajada para o exterior.
Tânia demonstrou muita alegria quando viu Silvio, abraçando-o afetuosamente. Resolvidos os problemas de passagem e da mala, ficaram conversando até o momento do embarque. Os passageiros foram chamados e começaram as despedidas. Os pais choravam e Silvio também. Tânia perguntou por que ele chorava, e ele respondeu que eram lágrimas de saudade, entregando a ela um envelope, para que ela só abrisse quando chegasse lá. Dentro do envelope estava uma cópia da poesia de Vinícius de Moraes “Soneto de Fidelidade”, que termina dizendo: “E assim, quando mais tarde me procure / Quem sabe a morte, angústia de quem vive / Quem sabe a solidão, fim de quem ama / Eu possa me dizer do amor (que tive) / Que não seja imortal, posto que é chama / Mas que seja infinito enquanto dure”.
Ela partiu... Ele chorou. Sentiu que o amor por ela se multiplicava a cada dia que passava... 
Silvio mantinha contato permanente com Tânia e riscava no calendário os dias de angústia. Os seis meses chegaram ao fim. A data do retorno já estava marcada. Ela chegaria às 21h. Silvio e os pais de Tânia foram esperá-la no aeroporto. Ele estava nervoso. Todo avião que chegava, ele corria para ver se ela desembarcava. De repente, o avião chegou, ele correu à recepção e ficou atrás dos pais de Tânia. Ela surgiu, trazendo a mala. Quando viu os três juntos, felizes, correu para abraçá-los. Silvio pediu licença aos pais de Tânia, dizendo que desejava fazer um pedido: tirou do bolso uma caixinha de joia e entregou para Tânia. Ela abriu e ficou estática ao ver a beleza de um anel de noivado com seu nome. Um cartão dizia: “Ofereço este anel à única mulher por quem me apaixonei. Assinado: Silvio”.
Ela abraçou-o e o beijou dizendo: “És o único homem que me despertou o amor”.
Silvio chorava, desta vez de enorme felicidade.

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