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Falando Sério - Edição 583 - 06/04/17

06 Abril 2017 01:05:12

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Lembranças...

Estou há mais de uma hora tentando achar um assunto para descrever alguma coisa, que não seja apenas do meu agrado, mas muito mais para fazer pensar os que me dão o prazer da leitura. De repente lembrei-me da minha infância, da Palhoça antiga, meus irmãos, meus colegas de aula no Venceslau Bueno. Não é apenas o presente que faz a história, é o passado que nos faz recordar o bom e o ruim.
Eu morava na Rua das Olarias e saía diariamente às sete horas da manhã. Minha mãe ficava espiando pela janela até eu desaparecer na curva da padaria do seu Abilio. A maioria das professoras era de Florianópolis; os diretores também: José Boabaid (veio a ser governador), Aleixo, Despina, Tereza, Izaura, Anita, Najla, Edésia, Carmen (minha mãe) e tantas outras competentes e dedicadas.
Lembro-me de ter sido o orador quando fizemos a campanha da borracha, na Segunda Guerra Mundial, e também o orador (13 anos) na formatura do curso complementar. Recordo, também, dos colegas mais velhos, que tratavam os menores com deboche. Cuidávamos da plantação de verduras e da criação do bicho-da-seda.
Minha mãe trabalhava à tarde, lecionava e era encarregada da biblioteca. Meus irmãos mais velhos foram para a Marinha e eu e minhas irmãs cuidávamos da casa, capinávamos o terreno, molhávamos as verduras, cuidávamos das galinhas e dos marrecos. Tirávamos água do poço para enchermos o pote e algumas panelas para fazer a comida e lavar a louça.
Pouco tempo sobrava para brincarmos. Apenas aos sábados ou domingos, no Verão, tomávamos banho no rio do seu Jorge Luz ou no rio do Scheidt, que não mais existem, pois aterraram e lotearam a área.
Terminei o curso complementar no Venceslau, fui acabar o ginásio no Instituto de Educação. Fiz o científico e já trabalhava no cartório até servir ao Exército. Fiz a Academia do Comércio, em Florianópolis. Houve um momento triste nos festejos da conclusão do curso: fomos festejar na praia, em Florianópolis, e um colega nosso foi descansar sobre uma pedra, à beira do mar; uma onda forte veio, o levou e ele faleceu.
Histórias tristes e alegres fazem parte da nossa vida. Amigos velhos que partiram e amigos novos que chegaram. Poucos do Venceslau ainda vivem; os do instituto de Educação e do Exército nunca mais encontrei; os da Faculdade de Direito encontro algumas vezes, todos estão aposentados. Fico feliz quando encontro alguns senhores (hoje) que fizeram parte da minha escolinha de futebol.
Acontece que nós esquecemos de colocar no nosso escrínio de gratas recordações os novos amigos, aqueles que viemos a conhecer após a aposentadoria e que, no dia a dia, nos dão o prazer de um bate-papo na praça ou em qualquer outro lugar.
Todos nós temos histórias para contar. De amor, ilusões e decepções. Vamos transmiti-las aos filhos, netos e bisnetos para mantermos a família unida mesmo após a nossa morte.

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