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Falando Sério - Edição 580 - 16/03/17

16 Março 2017 10:29:16

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Família e sociedade

A maioria das pessoas faz questão de esquecer a infância e a adolescência. Muitas delas, porque sentem vergonha de terem sido pobres e agora acham que são ricos e pertencem à classe “A”. Pobres coitados, que não imaginam o quanto é gostoso relembrar o tempo passado, convivendo com a natureza e sabendo avaliar as dificuldades que seus pais tiveram para proporcionar-lhes um futuro melhor.
O tempo passa tão rápido que nem percebemos que chegamos perto dos cem anos. Não adianta ficarmos reclamando do reumatismo, dos calos, da dor na coluna, da vista fosca, da memória fraca, da solidão, da incompreensão, da dissolução da família do século XXI, da falta de amor, da pressão alta, dos remédios, da ingratidão e muitos mais.
Eu fico feliz quando recordo minha infância, mesmo tendo sido um pobre órfão de pai, desde os dois anos de vida. Tive dois irmãos com os quais pouco convivi, porque eles foram para a Marinha aos 16 anos; três irmãs com quem aprendi muito sobre a vida. Todas elas foram maravilhosas, como o foi minha querida mãe.
Estamos em 2017, três dos irmãos (dois homens e uma mulher) já partiram. A mais vivida, Jamile, nome de nossa avó paterna, está com 91 anos; Talita festejou 90 anos em janeiro deste ano. Foi uma festa bonita, de muitas recordações, com a presença de uma prima também chamada Jamile, moradora do Rio de Janeiro e que há muitos anos não víamos. No convite de aniversário da Talita, estava escrito o verso do meu pai, feito em homenagem ao seu nascimento: “Talita, terceira flor de um lindo jardim de amor que Deus me fez jardineiro. Quando nascestes, nascia a linda estrela do dia que ilumina o viageiro (...)”. 
Nossa vida - mãe e filhos - foi difícil depois que ficamos órfãos. Sofremos, calejamos as mãos e nosso sentimento. Lutamos e conseguimos, sem nos acovardarmos com as dificuldades encontradas.
Não era minha intenção escrever sobre alguns episódios difíceis da vida familiar. Apenas quero estimular aqueles que sofrem e estão sem ânimo para lutar. Nascer pobre não quer dizer passar fome a vida inteira. O importante é lutar, não se dar nunca por vencido; estudar sempre, trabalhar, adquirir cultura para entender o mundo e a vida.
Nunca esquecendo que a economia tem que fazer parte da nossa vida, para que tenhamos recursos e possamos enfrentar os momentos difíceis no futuro, com honradez e coragem para combater os que destroem a sociedade.
PARA PENSAR: “Se você encontrar um homem que não tem cicatrizes é porque nunca lutou por aquilo em que acreditava”. (Extr.)

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