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Falando Sério - Edição 579 - 09/03/17

09 Março 2017 10:15:59

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O poeta e a ignorância 

Ele era um poeta. Uma pessoa de cultura espetacular, bom, honesto, inteligente, prestativo. Se alguém batesse à sua porta pedindo a sua ajuda, ele seria capaz de dar a roupa que tinha no corpo. Escrevia com enorme facilidade, em especial, poemas que representavam a realidade da vida.
Vocês irão indagar quem era ele, o que fazia, onde morava e onde estão suas obras. Eu posso lhes dizer, apenas, o mais importante: ele era um poeta. E o poeta não precisa ter nome, basta sabermos que ele é poeta. Basta ter ideias e emoções e saber transmitir às pessoas o sentimento mais importante da vida: o amor.
Infelizmente, a sociedade humana é formada pela dura realidade da ignorância e da má educação, em todas as classes sociais. O ser ignorante e mal-educado não tem como entender o amor, a caridade, a gentileza, a ética, a amizade, a justiça e a liberdade.
Semana passada, recebi do meu amigo Daniel R. Freitas uma bela poesia intitulada “Quando a Lua Vem Surgindo”, de um belo sentido regionalista, que nos seus primeiros versos diz: “Por que é que à tardezinha o sertão fica mais lindo / Quando o solo avermelhado lá bem longe vem surgindo / O sereno sobre as matas silencioso vem caindo / E a malvada da saudade como dói quando a lua vem surgindo”. E em seus últimos versos diz: “A saudade vai comigo pelo mundo me seguindo / Vejo no espelho da noite meu passado refletindo / Como as folhas amarelas o meu pranto vem caindo / E a malvada da saudade como dói quando a lua vem surgindo”.
Nós somos responsáveis pela nossa própria vida, por isso temos que nos esforçar para que nosso caminho seja mais tranquilo, com sabedoria, para sabermos enfrentar os revezes que virão. Somente a educação e a cultura podem nos ensinar o que é a vida. Só a leitura e a observação consciente da realidade do mundo podem nos transformar em seres melhores, sem necessitarmos de mágicos ou deuses para fazerem a nossa inteligência funcionar.
Meu pai, Nicolau Nagib Nahas, antes de falecer, aos 35 anos, escreveu numa de suas poesias: “Noites de abril... Luar de prata... Mágoa / Dos que vivem os olhos rasos d’água / E os corações repletos de saudade”. Os poetas fazem muita falta ao mundo materialista de hoje. Leonor Pereira, em sua poesia, foi realista: “Que a grandeza desta vida/ Numa coisa é resumida: no viver.../ Mas, os poetas, coitados, vivem no mundo esmagado e a sofrer”. 
É nosso dever vivermos dando bons exemplos, colaborando com a sociedade, pertencendo a qualquer classe social, para, ao final da vida, termos histórias para contar. Não vivemos em vão.

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