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Falando Sério - Edição 577 - 16/02/17

23 Fevereiro 2017 13:36:28

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“Cruzes” que carregamos

O escritor Malba Tahan, em seu livro “Lendas do Céu e da Terra”, num de seus pequenos contos, intitulado “A Cruz Mais Leve”, fala sobre um jovem que foi convertido ao Evangelho, carregando uma cruz, juntamente com outros peregrinos, pela estrada de Jerusalém. Ela reclamava do peso da cruz que lhe deram, que era tão pesada que ele precisava descansar mais vezes pelo caminho.
Reclamava da má sorte, achando que deram-lhe a cruz mais pesada de todas. Resolveu, numa das paradas, trocar a sua cruz por outra mais leve. Aproveitou o momento em que os outros dormiam e procurou entre as cruzes, a mais leve. No outro dia, quando reiniciaram a viagem, notou que ninguém reclamava com o peso da cruz. “Só então verificou que a cruz que ele escolhera, por ser a mais leve de todas, era justamente a sua.” 
Sem querer trazer qualquer conotação religiosa do conto acima – porque a realidade pode ensinar-nos muito mais se tivermos inteligência para entendermos a vida –, espero que entendamos que nada de bom ou de ruim que nos aconteça é produto do azar ou da sorte.
Temos que ser realistas e tentar sempre corrigir os erros, aplainar nossa estrada, seja ela de areia, barro ou asfalto. De nada adianta ficarmos chorando nossas desventuras, se pouco fazemos para que o peso de nossa “cruz” seja leve. Entendo como “cruz” nossos desacertos, nossas culpas. Na maioria das vezes, nossos problemas não representam nada diante da infelicidade dos outros.
Vamos valorizar aqueles que sabem entender a vida; aqueles que lutam contra o fanatismo, seja religioso ou racial; contra os racistas, que se julgam superiores pela cor da pele, pelo berço de ouro ou pelos cargos que ocupam na sociedade. Todos esses indivíduos pensam assim pela total ignorância de seus sentimentos, que são inferiores.
Um filósofo disse: “Quem passou pela vida em branca nuvem e em plácido repouso adormeceu; quem não sentiu o frio da desgraça; quem passou pela vida, não viveu”.
Por que andamos emburrados pelas ruas, como se os outros fossem culpados pelos nossos erros? Devemos sorrir e amar, embora tenhamos dificuldade em viver, porque a maioria das pessoas, vítimas do desamor, carregam “cruzes” muito mais pesadas do que a nossa.
As alegrias e as tristezas fazem parte das histórias de nossas vidas. Envelhecemos sabendo que nossas conquistas de hoje eram consideradas impossíveis num passado distante.
Para pensar: “Aquele que toma a realidade e dela faz um sonho é um poeta, um artista. Artista e poeta será também aquele que do sonho faz realidade”. (Extr.)

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