palhocense.jpg

Músculos premiados

13 Julho 2017 10:25:42

Universitário da Ponte do Imaruim inicia a trajetória no fisiculturismo com resultados expressivos

IMG_1147.JPG
Foto: NORBERTO MACHADO
Treinando ao lado do técnico Carlos Dytz, na academia Up!, em São José

Pedro Lignon Lucas não gostava de ser magro. Lutava boxe e kick boxe e pesava 60 quilos. Até que conheceu a musculação, aos 16 anos. Apaixonou-se pela nova atividade, largou as lutas, ganhou peso e este ano, depois de quase uma década de treinamento, decidiu entrar no concorrido mundo das competições de fisiculturismo. Logo de cara, o morador da Ponte do Imaruim conquistou um primeiro lugar em um campeonato de Estreantes, em maio, e no mês seguinte ficou entre os cinco melhores em um campeonato estadual. Um início promissor, que alimenta a perspectiva de uma carreira vitoriosa no fisiculturismo.
Pedro conta que sempre se interessou pela área. Pesquisou, estudou, leu muitos artigos, conversou com amigos e com profissionais experientes no esporte, entrou para a faculdade de Educação Física. Cercou-se de informações por todos os lados e decidiu seguir o conselho de um amigo, competidor de fisiculturismo. Começou a se preparar em janeiro – o que é pouco tempo. Mas foi o suficiente para ter um bom desempenho já na primeira competição: primeiro colocado na categoria sênior até 85kg no Campeonato de Estreantes da Federação Catarinense de Fisiculturismo, disputado em maio, em Balneário Camboriú. “Foi uma coisa bem inusitada. Primeiro porque eu não achava que eu tinha potencial para virar um atleta. Nem em questão de investimento, de apoio. Mas um amigo meu que me acompanhava disse que eu tinha possibilidade, porque ele já era competidor, me auxiliou nessa primeira preparação, a gente conseguiu subir e teve um resultado relativamente bom, fui top 1 da categoria 85kg da sênior (geralmente se começa na júnior, mas é preciso ter no máximo 23 anos). Tive que começar pegando alguns caras mais calejados”, relembra.
Depois da primeira experiência, Pedro decidiu continuar competindo. Em junho, resolveu participar do Campeonato Estadual. Conheceu o técnico Carlos Dytz e conta que a preparação “mudou da água para o vinho”. “A gente teve duas semanas e meia de trabalho só, eu e o Carlos trabalhando juntos, e eu subi no Estadual oito quilos mais pesado, com uma condição boa”, recorda. Uma situação bem diferente da primeira competição, quando precisou se controlar para bater o peso de 85kg, pouco pra um competidor de 1m79. “Fiquei muito debilitado, físico muito murcho, muito pequeno, perdi volume”, detalha.
Com a experiência de quase 30 anos na musculação, Carlos Ditz aconselhou Pedro a subir de categoria. No Estadual, disputado em junho, também em Balneário Camboriú, encarou o peso até 95kg e sentiu-se bem melhor. Conquistou o quinto lugar. “Eu entrei muito mais seguro no Estadual do que no Estreantes, mesmo sabendo que ia enfrentar umas pedreiras, porque estava muito mais seguro de mim e sabia que o que a gente tinha trabalhado dava certo”, declara Pedro.
O fisiculturista da Ponte do Imaruim avalia que os treinos, hoje, sob a orientação do treinador, têm sido muito mais proveitosos – e muito mais puxados também. “Os detalhes fazem a diferença. Por mais que tu faças exercício certo e tenha uma técnica boa, dá diferença”, justifica. Pedro pontua alguns aspectos da preparação que evoluem com o acompanhamento de um profissional experiente: a observação das reações do corpo ao treinamento e às dietas programadas; a análise das deficiências do próprio físico, apontando onde o competidor precisa treinar mais; e a motivação. “Quando eu acho que vai acabar, ele vai lá e grita no meu ouvido e a gente faz o dobro”, brinca.
A dieta, aliás, é o “carro-chefe” do treinamento. Uma dieta equilibrada, que não peca nem pelo excesso e nem pela falta de comida. Na verdade, comida é a “base” da alimentação do atleta. Por exemplo: um café da manhã pode ter 300 gramas de arroz e 400 gramas de frango. A dieta, assim como o treinamento, varia muito, e a proximidade (ou distância) das competições influi na programação.
Tudo para extrair as melhores notas dos jurados quando o competidor subir ao palco. Nas competições de fisiculturismo, são avaliados quesitos como simetria, proporção, definição e volume muscular. “Não pode ter só uma característica, tem que ter todas”, ensina Carlos. “Além disso, tem que saber mostrar pros árbitros, tem que saber fazer as poses. Não adianta ter um físico muito superior, chegar lá e não conseguir mostrar para os árbitros”, emenda Pedro.
A dupla se prepara para as duas competições importantes do segundo semestre: a Copa Oeste, em novembro, em Chapecó; e o Sul–Brasileiro, em dezembro, em local ainda por definir (geralmente é em Balneário Camboriú). Conquistando um bom desempenho, a meta é seguir competindo, mirando “voos mais altos”, como o prestigiado Arnold Classic, o Sul-Americano e a “Copa do Mundo” do fisiculturismo, o Mr Olympia. Carlos confia que o pupilo possa ter uma trajetória vitoriosa no esporte. “É um trabalho inicial, é muito cedo ainda, mas ele tem um futuro muito bom pela frente. Tem bastante volume”, diz o treinador. E mais do que tudo, Pedro tem aquele “ingrediente especial” que molda todos os campeões: “Tem que amar o que tu faz, tem que vir na academia com sangue nos olhos”. É assim que ele treina, e é assim que ele vai competir, levando o nome de Palhoça para os palcos do fisiculturismo nacional. 

 

Imagens


logo palhocense.png

Copyright © 2011. Todos os direitos reservados | Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina