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Formando uma campeã

10 Agosto 2017 15:22:44

Victória Cristóvão tem apenas nove anos de idade, mas já desponta como uma futura “papa-títulos” no caratê, que estreia em Olimpíadas em 2020

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Foto: NORBERTO MACHADO
Victória tem técnica e elasticidade invejáveis

Desde que conquistou a faixa preta em caratê, em 1991, Edison Cristóvão vem lapidando talentos no esporte que escolheu. Há quatro anos, o treinador se estabeleceu em Palhoça, e nos últimos três, vem ensinando a arte marcial para a comunidade da Ponte do Imaruim. As aulas acontecem no Centro Comunitário do bairro. É lá que ele prepara, com muito carinho, sua “joia rara”: a filha Victória. Com nove anos, mas uma desenvoltura de dar inveja a muito adulto, Victória já perdeu as contas de quantas medalhas disputou. Precisa da ajuda da mãe pra lembrar também de quando deu os primeiros passos nos tatames. Mas parece não haver dúvida sobre o futuro: ela quer ser médica, e no meio do caminho, conquistar o mundo do caratê.
O primeiro passo é garantir uma boa posição no ranking estadual. Os quatro primeiros têm direito a vaga no Brasileiro. Depois, vem o Mundial. O caminho é gradual e demanda tempo. Por isso, Edison deve inscrever a jovem pupila para disputar campeonatos na categoria até 12 anos, projetando uma participação em campeonato internacional já para os próximos anos.
Não falta talento para justificar a expectativa. Victória treina desde os quatro anos. No começo, era só uma brincadeira; agora, leva muito a sério o caratê. “Antes, era a parte mais lúdica. Agora ela está entrando na parte de competição, séria”, diz o pai. “No início, a criança tem que brincar. Está treinando caratê, de quimono, mas tem que saber que aquilo ali é uma brincadeira. A partir dos 10 anos é que ela vai ter discernimento do que é uma competição e do que não é”, compara Edison.
Victória completa 10 anos no dia 15 de outubro. Já é faixa verde (passou pela branca, amarela, laranja, vermelha e azul); e não vê a hora de evoluir. “Ano que vem eu faço exame pra faixa roxa. Depois vem a marrom e a preta, e aí eu vou chorar”, imagina a jovem atleta. “Quando eu era pequena, tudo pra mim era uma brincadeira, eu corria pra cá, corria pra lá. Quando meu pai mandava fazer uma coisa, fazia na brincadeira. Quando fui começando a descobrir o caratê e a fazer exames de faixa, à medida que eu fui crescendo, fui começando a ficar mais concentrada e prestar atenção, coisa que eu estou tentando e não estou conseguindo ultimamente. É que eu converso muito, sou muito faladeira”, diverte-se.
Edison diz que está preparando a filha para ser “top” na modalidade dela, o katá, uma sequência de movimentos pré-determinados em uma espécie de luta simulada. O katá será uma das modalidades do caratê olímpico, que estreia no Japão, país que costuma dominar as competições internacionais. O estilo escolhido para os Jogos é o da WKF (World Karatê Association), que tem combates mais “leves” e cercados de equipamentos de segurança. Mesmo assim, Victória prefere evitar o contato. Pelo menos por enquanto. “Eu prefiro o katá, porque é mais tranquilo. Meu pai, numa luta, quase quebrou o nariz. Uma amiga minha que faz caratê levou um soco e chegou a ir pro hospital. Então, tenho medo, e minha mãe tem medo. Minha mãe não deixa lutar. Meu pai já quer, aí é aquela briga quando tem campeonato”, brinca a carateca mirim.
Victória não precisa ir longe para se inspirar, já que Florianópolis é a “casa” de um supercampeão mundial, Douglas Brose, na categoria até 60kg. Já até tirou foto com ele! Mas ela busca inspiração, mesmo, lá do outro lado do mundo, na carateca japonesa Rika Usami. “Ela teve um filho e agora não tem mais caratê, mas ela é muito boa em katá, gosto bastante dela”, elogia. Quem sabe um dia a própria Victória possa servir de inspiração para jovens atletas? Há um longo caminho pela frente, que ela fará questão de percorrer com toda a dedicação do mundo.

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