palhocense.jpg

Palhocense pesquisa Festa de São João no sertão nordestino

21 Junho 2012 09:50:10

Estudo observa manifestações culturais e analisa como se articula a relação entre diversão, política e religião em Ipupiara (BA)

Parte da festa em frente à igreja de São João

É fato que as festas e tradições ligadas a São João são comemoradas com muito mais fervor (e devoção) no Nordeste brasileiro. Mas, desta vez, Palhoça também está neste contexto. O jovem palhocense Marcel Schmitz Gutiá, natural do bairro Aririú, está em pleno sertão nordestino realizando uma pesquisa sobre a festa de São João, em uma cidade do interior da Bahia.

Marcel é cientista social e mestrando em antropologia social pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). E a pesquisa está sendo realizada para elaboração de sua dissertação de mestrado.

“Este projeto teve origem após minhas idas e vindas ao sertão da Bahia, algumas a passeio, outras por incursões religiosas. Numa dessas oportunidades, junto com um grupo de amigos católicos, conheci a região do Centro-sul baiano, a aérea setentrional da Chapada Diamantina e o vale do Rio São Francisco. E conheci Ipupiara, a 634 quilômetros de Salvador, com cerca de 9.400 habitantes, na qual estou realizando esta pesquisa antropológica desde janeiro desse ano”, conta.

Segundo o pesquisador, Ipupiara está fora do grande circuito das famosas festas de São João do nordeste, como Campina Grande, Caruaru e Petrolina. O foco da pesquisa, no entanto, além de observar as manifestações culturais que envolvem a festa daquela cidade, é analisar como se articula a relação entre diversão, política e religião. “A religiosidade em torno da figura de São João tem sido fundamental para pesquisa, principalmente por ele ser o padroeiro local e grande parte da programação da festa circular em torno de sua devoção”, explica.

Ele conta que durante a programação da festa, que já está acontecendo, as atividades religiosas se intensificam, principalmente pelo número de celebrações que a Igreja Católica passa a promover e organizar. O comércio se fortalece e lojistas abastecem seus estabelecimentos com novos produtos a fim de que as pessoas possam adquirir novas roupas e acessórios para participar da festa. “O movimento das ruas aumenta, os bares ficam mais cheios e o assunto das conversas é a festa”, completa.


Festa junina ou caipira?

O pesquisador ainda destaca peculiaridades entre as festas de São João em parte do Nordeste e do Sul do Brasil. Para ele, traçando uma comparação, junho é o mês que respira festa no interior do Nordeste, enquanto no sul do Brasil, incluindo Palhoça, as festas juninas parecem ser, em muitas ocasiões, simplesmente a reprodução de remotas e longínquas tradições caipiras que não fazem parte do cotidiano e história desse povo.

No Nordeste, o sertanejo se vê na festa de São João, entende ela como parte de sua identidade. “Nas festas do sul vemos o forró pouco ser tocado e a presença da sanfona quase não aparecer. No interior nordestino festa junina sem forró e sanfona nem deve ser feita, além da festa ter dias consecutivos de comemoração e muita diversão até o amanhecer”, revela Marcel.


Prejuízos com a seca:

Um dos agravantes que mais prejudicou as festas no Nordeste (e em Ipupiara não foi diferente) foi a grave seca, uma das piores nos últimos 40 anos. Muitas pessoas da zonal rural perderam plantações, faltou água para os animais e as cisternas estão se esvaziando. “Mesmo com esse agravante, a prefeitura de Ipupiara decidiu manter a festa, ainda que com uma programação menor, para alegrar as famílias daquela pequena cidade baiana e da região”, conta o pesquisador.

Marcel salienta que longe de ser uma festa só religiosa, a festa de São João parece estar marcada por momentos de oração e diversão, sem que, necessariamente, um predomine sobre o outro, “mas que são essenciais para cada indivíduo, sua trajetória pessoal e que constroem a história das cidades do interior nordestino e de nosso país”, conclui.

Imagens


logo palhocense.png

Copyright © 2011. Todos os direitos reservados | Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina