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Uma longa vida celebrada em família

18 Maio 2017 09:33:33

Aos 107 anos, dona Gaudência Leonarda Cardozo já contou muitas histórias para os descendentes, no Caminho Novo

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Foto: ARQUIVO PESSOAL
A mãe cercada pelos filhos

Dia das Mães é sempre uma data especial, emotiva, propensa às reflexões e aos saudosismos. No Caminho Novo, dona Gaudência Leonarda Cardozo é uma daquelas mães afortunadas que têm uma longa vida de histórias pra contar ao lado da família. Primeiro, foi paparicada por 10 filhos; seis homens e quatro mulheres – todos nascidos de parto normal, feito em casa. Agora, já são 26 netos, 33 bisnetos e sete tataranetos. Aos 107 anos de idade – completa 108 em novembro –, é um exemplo de longevidade e vitalidade.
Dona Gaudência foi praticamente uma peregrina. Nasceu em Santo Amaro da Imperatriz em 6 de novembro de 1909. Morou no antigo Vargedo, hoje Leoberto Leal, além de Alfredo Vagner e Florianópolis, antes de desembarcar em Palhoça, no final dos anos 1990. Nada mais apropriado. Afinal, o pai dela foi criado por ninguém menos do que Caetano Silveira de Matos, considerado por muitos como o “fundador” de Palhoça.
Dona Gaudência era agricultora e costureira. Foi casada com Pedro Pereira Cardozo, o grande amor de sua vida, durante 62 anos. Os filhos e netos contam que lembra dele até hoje – e não é difícil imaginar que seu Pedro ainda aparece em seus pensamentos nos momentos em que ela está feliz e começa a cantar. Aos 107 anos!
Gostava de andar sempre arrumada, com os cabelos e unhas pintadas, e uma sombrinha da cor do vestido. Frequentava o grupo de idosos do Sesc, onde foi eleita rainha de Carnaval por várias vezes, usando roupas e faixas que ela mesma confeccionava. Conheceu vários lugares e dançou muito, como ela mesma diz. Adora ouvir música e assistir aos jogos do Figueirense, seu time do coração. É assim que a família a descreve.
E pelo jeito, a genética ajudou. Uma irmã de dona Gaudência viveu 97 anos. As filhas seguem o mesmo caminho da mãe, que tem uma saúde de ferro. “Eu queria saber dessa longevidade da mãe, pois ela não toma remédio nenhum. Eu não tomo remédio e minha irmã de 82 anos também não toma nada”, conta uma das filhas, Dulce Gaudência Cardozo. A filha conta também que dona Gaudência come muito bem, e de tudo, sem restrição alimentar alguma.
Dulce conta que dona Gaudência era uma mãe dedicada, que trabalhava muito para oferecer o melhor possível aos filhos. “Ela ia para a roça de enxada de manhã até a noite e não deixava a gente ir, ela dizia vocês ficam e eu vou”, relembra a filha. Dulce diz que a mãe sempre contou muitas coisas do passado dela pros descendentes. Agora ela fala bem pouco – e de vez em quando, ainda canta. “Tem dia que ela fica mais alerta, cantando os cantos de igreja da época dela, mas tem dia que ela fica mais cansada”, afirma Dulce. A rotina é de banhos de sol na cadeira de rodas e muito descanso. Talvez seja o segredo da longevidade com tanta saúde. Além do carinho da família. Enquanto conversamos, na sala de estar da casa da família da Dulce, no Caminho Novo, a filha passa o tempo fazendo carinho na mãe, e a criançada corre abraçar a matriarca na hora da foto. Amor, o melhor remédio!

 

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