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Sim, nós temos avestruzes

20 Abril 2017 15:34:09

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Texto: Jorge Augusto Paim
Muito pouca gente sabe, mas existe um criadouro de avestruzes no bairro Morretes, ao lado da Guarda do Embaú. E lá você encontra o Beto do Avestruz, gerente administrativo zeloso, cuidadoso e fiel de sua criação. Diariamente, ele está lá alimentando, dando água e tratando com carinho da bicharada.
Pois o Roberto Pedro Antônio, capataz da Agropecuária Morretes, explica que esta fazenda de criação de avestruzes é um empreendimento particular, e hoje serve para hobby. Existia um abate destes animais em Otacílio Costa, mas já estaria há seis anos fechado. Criavam-se os animais no Morretes e abatiam-se lá. Atualmente, há um incubatório, onde uma máquina choca os ovos dos animais – é uma incubadora que aquece os filhotes. Há pouco tempo, 40 avestruzes que moravam ali, mas já houve época em que eram 270 filhotes, tratados e engordados para abate e venda.
As matrizes vieram da África e desembarcaram em São Paulo e de lá vieram “morar” na agropecuária.
Um grande mito é que este animal não esconde a cabeça na terra ou na areia, isto é uma historinha de desenho animado. O que ele faz mesmo - em caso de ataque - é reagir com patadas para cima do agressor.

Bichinhos bem cuidados
Confinados há 14 anos, todos os bichos recebem água e comida diariamente. Já aconteceram casos de fuga na fazenda, mas curiosamente, o avestruz não some, ele fica junto ao bando, nas imediações do local onde estão os outros da espécie.
Beto conta que cuidar de avestruz é igual cuidar de cavalo. Existe, claro, uma ração própria, que vem de Otacílio Costa. É um granulado especial que tem soja, milho e cálcio, oferecido duas vezes ao dia. É uma ração estudada em universidade e desenvolvida como ração de frango. Afinal, avestruz também é uma ave. Este alimento é servido pela manhã e a medida é de 1,7 quilo por casal.
Para grande espanto, o avestruz come a ração e depois come pequenas pedrinhas, que são essenciais para que seja feita a digestão. Avestruzes têm moela igual galinha. Estas pedrinhas são para triturar a ração ingerida antes.

Zelando pelos animais
O esquisito é que existe uma baia onde ficam os filhotinhos pequenininhos, um local fechado e reservado para o crescimento das “crianças-avestruzes”. Ficam nessa maternidade durante uns 30 dias, para ficarem fortes e serem soltos em outros locais da fazenda.
Avestruz toma banho, sim. Pulverizado através de uma bomba com “colostro”, os avestruzes são tratados contra fungos nas penas e piolhos.
O gerente Beto deixa claro que é normal quando está tratando do animal, vendar os olhos dele, para que fique mais tranquilo. Nesse tratamento, retiram-se as penas quebradas e as penas que já morreram. Na fazenda, trabalham dois zootecnistas, que são ajudantes.

Como nascem os bebês
Na fazenda, existem 13 matrizes, animais adultos, machos e fêmeas. Estas, quando querem ser fecundadas, se abaixam e o avestruz macho a cobre. Daí nascem os ovinhos.
Beto lembra que um macho, agressivo por natureza, pela disputa de uma fêmea, acabou quebrando a perna dela. E avestruzes sempre brigam para estar em evidência junto ao bando, machos enfrentando machos. A ideia deles é formar casais durante a vida ou, mais comumente, formar trios, um macho e duas fêmeas. Interessante notar é que os machos cruzam com as fêmeas quando o sol está muito quente. 
No local quentinho vindo de uma lâmpada a 30 graus centígrados, Beto, todos os dias, dá também cebolinha picada aos bebês e, se não der esta ração adicional, os animaizinhos acabam morrendo, já que os filhotes ficam com a gema do ovo dentro da moela deles.

Animais à venda
Atualmente, os avestruzes são vendidos para particulares e minifazendas turísticas. Beto, no entanto, avisa que a pessoa tem que vir na Fazenda Morretes retirar o animal.
Vem gente interessada de Canelinha, Indaial e Blumenau. Interessante avisar aos interessados que você deve sempre levar um trio, ou seja, duas fêmeas e um macho, para que sua criação particular seja perfeita. Um filhote vale em tono de R$ 400 a R$ 500.
Se você for lá visitar, é bom alertar que os machos atacam uma pessoa, quando se chega perto. O macho, único nervosinho, desfere patadas no “invasor”. As fêmeas ficam só observando, quietas. Não esqueça que os machos são os sentinelas do bando e você pode ter que enfrentar os coices do bicho. 
Informações pelo telefone 99624-8727, com o Beto.

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