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O mestre das abelhas

20 Abril 2017 15:02:38

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Ao limpar uma casa desocupada no Aririú da Formiga, uma família se depara com um enxame de abelhas. Eles tentam resolver o problema por conta própria e são atacados. No Alto Aririú, um problema parecido, mas desta vez as abelhas vieram do mato e atacaram moradores, inclusive crianças. O que fazer nesses casos? Solicitar o apoio do Corpo de Bombeiros, pelo número 193. A 2ª Companhia, criada em 2005 em Palhoça, tem o privilégio de contar com um especialista no assunto, o sargento Jair Seidler.
Criado em uma família de apicultores na localidade de Barro Branco, em São Pedro de Alcântara, o sargento convive com as abelhas desde criança. Aprendeu boa parte do que sabe com o pai, seu Valdino. “Com 10 anos, eu já ia junto colher mel, sem roupa especial, sem nada. Às vezes levava ferroada. Às vezes usava só a parte de cima, para não levar ferroada na cara”, relembra.
Depois de receber o chamado da família no Aririú da Formiga, Seidler foi até a residência, acompanhado pelo sargento Jorge Anastácio e pelo subtenente Sandro Gaynett, e ficou impressionado com o que viu: havia três colmeias sob o assoalho. “É raro, fazia muito tempo que não encontrava três”, observa. Também não é muito comum que as abelhas estabeleçam suas colmeias próximas ao chão. “Geralmente é no alto, em telhas, forro, mas ali tinha uma certa altura, era um local seco, quente, fechado”, detalha.
Assim que entrou na casa, o sargento relata que já sentiu o cheiro do mel. Naquele momento, provavelmente, ele sabia que faria tudo o que estivesse a seu alcance para evitar exterminar as abelhas e aproveitar todo o mel que imaginava encontrar. “Alguns quartéis nossos não têm esse serviço específico. O que se faz: acaba-se eliminando as abelhas. Aqui a gente tem esta questão do desenvolvimento sustentável. O sargento, como especialista, vai lá e retira as abelhas e leva elas para um sítio em São Pedro de Alcântara ou para algum apicultor. Elas não são exterminadas, porque são um animal extremamente importante na cadeia de sobrevivência”, pontua o colega bombeiro Jeferson da Silva.
Conforme planejado, a equipe de bombeiros retirou as abelhas vivas e aproveitou o mel – boa parte foi distribuído a pessoas da própria rua onde foi realizado o serviço. A tarefa não é das mais fáceis. A remoção é feita durante o dia, com a ajuda de um fumegador. “A abelha pensa que estão atacando ela, vai pro mel e fica pesada. Ela se entrega, com a fumaça”, ensina. Se a melhor opção fosse o extermínio das abelhas, o trabalho teria que ser feito à noite (quando estão todas agrupadas), com a utilização de álcool combustível (etanol). “Não precisa fazer mais nada, só o álcool combustível. Até o cheiro já mata elas, se estiverem em ambiente fechado. E a diferença de temperatura dá um choque térmico”, explica.
Mas o extermínio é o último recurso. Seidler prefere conviver com as abelhas do que confrontá-las. Volta e meia as transporta no carro, e é possível ver as abelhas voando lá dentro, em torno das caixas onde são acomodadas. Está acostumado, sabe o que fazer. E não recomenda essa interação a quem não tem a experiência de lidar com abelhas. “Pra mim é tranquilo, mas tem pessoas que se levar uma picada só já fica toda inchada”, alerta.

 

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