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Meningite na escola, o que os professores e pais precisam saber?

13 Julho 2017 10:41:05

Cleomar V. Marcon*
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Crianças estão mais susceptíveis a adquirir infecções, especialmente dentro de ambientes escolares, onde o risco está associado a hábitos que facilitam a disseminação de doenças como: contato com outras crianças, ambientes fechados, levar as mãos e objetos à boca e vacinação incompleta.
As doenças mais comuns com risco aumentado de transmissão em unidades escolares são: gripes, meningites, hepatite viral tipo A, entre outras.
A meningite é uma doença que ocorre como resultado de inflamação nas meninges, que são membranas que envolvem todo o cérebro e a medula espinhal. Ela pode ser causada por bactérias, vírus, fungos, parasitas e também por agentes não infecciosos. As bacterianas, em geral, causam a doença mais grave, podendo deixar sequelas. A letalidade das meningites bacterianas alcança de 15% a 20% dos casos.
A meningite é contagiosa, e transmitida de pessoa para pessoa através de gotículas de saliva ou secreção ao falar, tossir, espirrar, tocar ou beijar. 
Um dado importante (e assustador): adolescentes e adultos podem ter a bactéria na garganta e transmiti-la sem que a doença se manifeste. Por isso, o ideal é que todos os contactantes mais próximos da criança sejam vacinados e que se evite lugares muito aglomerados sem estar com a caderneta em dia. Daí a importância da vacinação.
No Brasil, são três os principais agentes causadores de meningite bacteriana: Haemophilus influenzae (quase sem casos registrados nos últimos anos devido à vacinação), meningococo e pneumococo.
Dentre os principais sintomas estão febre alta, dor de cabeça intensa e contínua, vômito em jato, náuseas, rigidez na nuca e manchas vermelhas ou roxas na pele. Nos bebês, irritação, vômitos, sonolência, perda de apetite e abaulamento da moleira (ela fica saliente, para fora) são as principais evidências.                        
Importante: em 2017, só em SC foram registrados 350 casos de meningite, com 24 óbitos. Na nossa região, tivemos recentemente mais dois óbitos (um por meningite pneumocócica e outra por doença meningocócica).
A vacinação é considerada a forma mais eficaz na prevenção da meningite, principalmente quando se trata da versão bacteriana. Porém, evitar locais fechados com aglomeração de pessoas e reforçar a higiene das mãos, especialmente ao manipular alimentos, também são atitudes importantes.
Contra a doença meningocócica, existem três tipos principais de vacinas: as vacinas conjugadas (C e ACWY), a vacina meningocócica B e Pneumo13.
As vacinas conjugadas contra a meningite meningocócica possuem elevada eficácia (inclusive em menores de um ano) e conferem proteção prolongada. A vacina meningocócica conjugada C foi incluída no calendário público de vacinação do Brasil em 2010, para crianças de 2 meses até 2 anos de idade.
A vacina meningocócica conjugada ACWY e a vacina meningocócica B só estão disponíveis na rede privada de clínicas de vacinação. A importância destas vacinas reside no fato de que muitos países, inclusive o nosso, vêm observando aumento na proporção de casos de doença meningocócica pelos sorotipos B e W. Além disso, em muitos países o risco de infecção pelos tipos B, A, W e Y é maior que no Brasil, por isso ela também é indicada para viajantes.

* Médico - Responsável Técnico da Proteger Vacinas

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