palhocense.jpg

Camelôs tentam evitar despejo

13 Julho 2017 10:38:46

Isonyane Iris
camelo2.JPG
E os comerciantes, vão pra onde?

Diz o ditado popular que “o que é bom dura pouco”. Os comerciantes do Camelô Central estão apavorados com a notificação emitida recentemente pela Prefeitura, pedindo que todos deixem o local no prazo máximo de dois meses. O contrato firmado com o município, que durou por cinco anos e teve como objetivo principal tirar os ambulantes das ruas, não estaria disponível para renovação. Diante dessa informação, os comerciantes estão assustados e preocupados com o futuro, já que a maioria não tem mais condições de voltar para as ruas. 
Sem saber o que fazer, eles contam que até tentaram conversar com a Prefeitura, mas infelizmente, nada foi explicado. Eles chegaram a ocupar a tribuna da Câmara de Vereadores esta semana para pedir uma providência ao Legislativo. “Eles chegaram aqui, nos entregaram o papel e pronto. Não tivemos explicação, nem mesmo sabemos o motivo que levou a Prefeitura a tomar a decisão de nos tirar daqui. Não nos chamaram para uma negociação e quando vamos até a Prefeitura, nunca podem nos atender, o que eles querem? Vamos voltar para as ruas?”, questionam os camelôs.
Presidente da Associação dos Ambulantes de Palhoça, Antônio Carlos conta que trabalha há mais de 30 anos como camelô em Palhoça e que agora, com essa atitude da Prefeitura de querer que os comerciantes do Camelô Central saiam do espaço, ele teme o que possa acontecer. “Nossa luta vai ser por nosso espaço. Se sairmos daqui, vamos lutar pelo nosso direito, vamos cadastrar todos esses ambulantes que estão na praça para que eles, assim como nós, também tenham uma oportunidade. Juntos, vamos buscar um espaço para nós, a Prefeitura não pode simplesmente nos tirar daqui, desse jeito eles estão praticamente nos empurrando de volta para a rua”, lamenta.
Com o alvará nas mãos, Itamar Rodrigues lembra de quando tudo começou e de como a inciativa da Prefeitura trouxe para eles uma oportunidade excelente de sair do comércio informal. “Nos legalizamos, pagamos pelo nosso espaço, chegamos até mesmo a pagar aluguel, não entendemos o que houve para que não nos queiram mais aqui. Como eu posso voltar para a rua se tenho uma família para sustentar?”, preocupa-se.
Preocupada, a comerciante Maria de Lurdes relembra que há cinco anos atrás já estava difícil montar e desmontar sua barraquinha na rua todos os dias, e que agora a realidade estaria ainda pior. “Não tenho mais idade para isso e muito menos saúde física. Todo meu sustento vem daqui, que mesmo com uma recente queda no movimento, devido aos inúmeros ambulantes pela praça, tem sido minha única fonte de sustento. Sem esse ponto, eu vou fazer o que da minha vida? Dependo daqui para meu sustento”, conta.
Outro problema que tem tirado a paz dos comerciantes é a falta de fiscalização diante da grande quantidade de ambulantes que se encontram espalhados pela praça. “Na nossa época, o antigo prefeito Ronério (Heiderscheidt) nos tirou das ruas, com o objetivo de melhorar as nossas condições e também trazer mais organização ao município, mas infelizmente parece que tudo acabou. Além nos tirar de nossos comércios, ainda estão prestes a nos mandar de volta para as ruas para disputar com esse monte de ambulantes que agora estão tomando conta da praça”, reclama Paulo Rogério.
Segundo a Prefeitura, os boxes foram criados com a finalidade de oferecer um novo ponto comercial. “Esses boxes foram oferecidos por meio de concessão pública, com contrato de um ano. Por não haver outra destinação ao local, automaticamente, alguns pontos tiveram a cessão renovada por um período maior. Outros foram desocupados e devolvidos à Prefeitura”, explica, em nota, salientando ainda que agora, com o intuito de revitalizar o local, e ainda de criar um grande centro de cultura no prédio da antiga Prefeitura, está sendo feita a desocupação.                        
A Prefeitura ainda destacou que a notificação seguiu os meios legais e que aqueles que participaram do edital estavam cientes das regras, de que após findado o prazo inicialmente estipulado em contrato, o espaço poderia ser retomado pela Prefeitura. “Os boxes foram notificados e tiveram prazo para buscar novos pontos comerciais e se adequar às necessidades”, pontua a Prefeitura. 

 

Imagens


logo palhocense.png

Copyright © 2011. Todos os direitos reservados | Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina