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Beltrano - Edição 597 - 13/07/17

13 Julho 2017 10:53:21

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O maior mentiroso destas bandas
Conheci muito bem seu Zé da Chimbica. Suas histórias e vivências animavam até o mais monótono velório da região no século passado. Suas peripécias eram tantas que são lembradas e contadas até hoje pelos mentirosos de Palhoça. Para se ter uma ideia, Zé era tão mentiroso, que uma vez, quando era solteiro, falou para os amigos que num determinado fim de semana ia acontecer a festa de São Sebastião na Cova Funda - claro que não era verdade, mais ele foi!
Zé da dona Chimbica também era metido a jogar bola, dizia ter sido ponteiro direito dos bons. Certa vez deu um chute tão forte, mas tão forte, que antes de entrar no gol a bola se descosturou toda!

Dando água aos cavalos
Uma vez, na Terra Fraca, onde seu Zé da Chimbica morou por muitos anos em um sítio, se dirigia montado em seu cavalo penacho para a praça de Palhoça. Então passou um vizinho (empresário rico), em um Maverik 0km, modelo Esporte, vermelho, com motor 8 cilindros e mais de 1000 cavalos de força. O empresário rico, ao reconhecer que era o Zé montado no cavalo, parou a espaçonave sobre rodas e disse, tirando sarro de sua cara:
- Ainda andando de cavalo, Zé? Esse tempo já passou. Homem moderno anda em carrão como este, que tem mais de 1000 cavalos de motor.
O Zé ia responder, mas o empresário acelerou o carro e saiu cuspindo poeira pra trás, enchendo seus olhos de pó. Limpando os olhos já lacrimejantes pela poeira, seguiu cavalgando o penacho.
Meia hora depois, lá adiante, ao passar por uma curva na beirada do rio Passa Vinte, viu lá embaixo, o empresário com toda a frente da Maverik submersa no rio.
Então, com um sorriso amarelo, seu Zé perguntou pra ele:
- Dando água pra tropa di cavalo, cumpade?!

A carta
Certa vez, seu Zé foi passar uns dias na Praia da Pinheira. Pensava em trazer sua mulher pra ficar com ele numa pousadinha onde se hospedara, pois gostou do lugar e por isto já reservara um quarto de casal. Aproveitando uma tarde chuvosa que o obrigava a permanecer no recinto, resolveu mandar uma carta para a esposa, e como não achou o papelzinho em que tinha anotado o endereço, arriscou o que tinha na memória e torceu para que estivesse certo. Infelizmente, errou o nome da rua e a carta foi parar na casa de uma senhora da Cova Funda, cujo marido havia morrido no dia anterior.
Quando a senhora da Cova Funda abriu e começou a ler a carta, deu um grito de profundo horror e caiu dura no chão. A família correu para o quarto da viúva e leu os seguintes dizeres na carta: "Querida, acabei de chegar. Foi uma longa viagem. Apesar de só estar aqui há poucas horas, já estou gostando muito. Falei com o pessoal daqui e já está tudo preparado para sua chegada amanhã. Tenho certeza que você também vai gostar. Beijos do seu eterno e amoroso marido". "PS: está fazendo um calor infernal aqui!”

A lambreta endiabrada
Certa vez, num jogo de bingo na igreja da Ponte do Imaruim, seu Zé ganhou uma lambreta. A lambreta estava abandonada havia 15 anos dentro de um galinheiro e suja de tudo quanto é sorte de sujeira. Seu Zé, pedindo ajuda a um mecânico, desmontou a bichinha, lavou-a com óleo, peça por peça, e tornou a montá-la. Depois que deu a partida, ela pegou que foi uma beleza. Então Zé não desgrudou mais dela, virou o seu xodó.
Um dia, ele viajava na sua lambreta pintada e limpinha, da Pinheira para a Enseada de Brito, quando na subida do Morro dos Cavalos, se deparou com o caminhão do seu Goli quebrado e carregado de ferro velho.
Zé, reconhecendo o caminhão, parou a lambreta.
- Si tu tivé cabo di açu, rebocu o caminhão inté a Inseada - disse.
O seu Goli perguntou com sarcasmo:
- Cabo de aço eu tenho. Mas pretende puxar o caminhão com o que Zé?
Ele respondeu:
- Uai, com a possante aqui. Magi si tu acha qui ela num guenta, pudemo inté casá uma cacha de cerveja?
- Combinado, tá casada a cerveja.
Então, Zé amarrou o cabo de aço do caminhão carregado à traseira da lambreta, engatou a primeira marcha e saiu puxando. O seu Goli, com os olhos arregalados, nem conseguia acreditar no que estava vendo. Zé passou a segunda, a terceira e a quarta marcha e foi subindo o morro rebocando o caminhão. Uns dois quilômetros depois, a lambreta começou a soltar uma fumaça preta e fedida e a fazer um barulho estranho. Esperançoso de ainda ganhar a caixa de cerveja, seu Goli gritou:
- A lambretinha é forte, mas não tá aguentando né?
Zé respondeu:
- Qui nada sô, é qui eu isqueci o freio de mão puxado!

História de pescador
Dia desses, seu Zé pescava no rio Cubatão, quando um senhor chegou, olhou e perguntou:
- Neste rio dá muito peixe?
Seu Zé respondeu:
- Dá, sim sinhor! Hoje memo já peguei 500 quilos de traíra, 200 de cará e 300 de cascudo.
O homem, muito bravo, disse:
- O senhor sabe com quem está falando?
Seu Zé respondeu:
- Não sinhô!
- Sou o Leonardo, superintendente da FCam, e o senhor será processado por crime contra o meio ambiente.
O Zé retrucou: 
- E o sinhô sabe com quem tá proseando? 
- Não - respondeu o Leonardo.
Zé se levantou, encarou e disse: 
- Sô o maior mintiroso dessas bandas. 

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