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Beltrano - Edição 590 - 25/05/17

25 Maio 2017 10:46:52

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O ladrão de galinha e os ladrões de Brasília


No dia primeiro de maio
Do ano ainda fluente
Pras bandas da Bela Vista
Terra de boa gente
Ocorreu um fato inédito
Que me deixou descontente.

O jovem João dos Santos
Mais conhecido por “Rolinha”
Aproveitou a madrugada
Pra sair de vez da linha
Subtraindo de outrem
Duas saborosas galinhas.

Há um ano desempregado
Num ato de desespero
Foi na casa do vizinho
E invadiu seu galinheiro
Há três dias não comia
Pois lhe faltava dinheiro.

Apanhou um saco plástico
Que pelo chão encontrou
E bancando o esperto
Escondeu o que furtou
Deixando o local do crime
Da maneira que entrou.

O seu Ernesto da Valmira
Homem de muito tato
Ao notar que havia sido
A vítima do grave ato
Procurou a delegacia
E relatou ligeiro o fato.

Ante a notícia do crime
A polícia, diligente
Tomou as dores do Ernesto
E alertou seu contingente
Foi um batalhão inteiro
Pra prender o delinquente.

Foi a Polícia Civil
Agentes de trânsito e Militar
Atendendo a ordem expressa
Do delegado titular
Não se pensava em outra coisa
Senão o bandido pegar.

Depois de algum trabalho
O larápio foi encontrado
Não esboçou reação
Ficou num canto sentado
Sendo conduzido então
À frente do delegado.

Perguntado pelo crime
Que havia cometido
Respondeu João dos Santos
Com seu jeito extrovertido:
“Desde quando isso é crime
Neste Brasil de bandidos?!”

Ante tão forte argumento
Calou-se o doutor delegado
Mas por dever do seu cargo
O flagrante foi lavrado
E recolhido à cadeia
Aquele pobre diabo.

Mesmo assim ficou pensando:
“O meliante tem razão
Com tanto bandido solto
Carregando armas na mão
Eu solto ou deixo preso
Esse aprendiz de ladrão?”

“O Brasil está em pedaços 
Segue na sua humilhação
Os políticos de Brasília
Vivem metendo a mão
No bolso dos que não tem
Nem o dinheiro do pão.”

“Vereador, prefeito e deputado
Presidente e senador
Comem o nosso dinheiro
Se vendem por qualquer valor
Mudaram até o significado
Do Partido do Trabalhador”

“O povo já não aguenta mais
Ser roubado, esfolado e iludido
Por políticos corruptos
Que não passam de bandidos
Gente da pior espécie 
Que nem devia ter nascido.”

“Soltá-lo é uma decisão
Que a lei brasileira refuta
Sabe-se que a lei existe
Só pra pobre, preto e puta
Por isso peço a Deus do Céu
Que norteie minha conduta.”

“É muito injusta a lição
Que é pai desta alterosa
Deve ficar na prisão
Quem furtou duas penosa?
Se lá não se encontram presas
Pessoas bem mais charmosas.”

“Afinal, não é assim tão grave
Também não será o primeiro
Não sendo deputado e senador
Não participou de entrevero
Muito menos é comparsa
Do Temer ou do Calheiros.”

“Coisa assim eu nunca vi
Chega a ser desumano
A merda no ventilador
Atingiu até tucano
Que queria ser presidente
E ladrão por baixo do pano.”

“Desta forma eu decido
A esse homem da simplória
Com base no CPP
Dou-lhe liberdade provisória
Para que volte à sua casa
E refaça sua história.”

“Se virar homem honesto
E sair dessa triste trilha
Que permaneça em Palhoça
Ao lado de sua família
Mas se decidir o contrário
Deve juntar-se aos ladrões de Brasília!”

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