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Beltrano - Edição 585 - 20/04/17

20 Abril 2017 13:49:23

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Palhoça 123 anos de glória e devaneios

Para esta seara de versos
Deste trovador popular
De minha terra a história
Pretendo agora contar
Pois é o seu aniversário
E é justo e necessário
Sua história relembrar! 

Esta senhora formosa
Que em versos homenageio
Faz agora 123 anos
Muita felicidade eu anseio
Rebuscando na memória
Descrevo sua trajetória
Sem fazer muito rodeio.

Pra contar toda a história
Embarquei na máquina do tempo
Saí pelo passado procurando
Montado num pé de vento
Voltei aos tempos de outrora
E logo assim sem demora
Presenciei esses acontecimentos.

A máquina do tempo me levou
Para 1894, no município de São José
Ouvia-se os josefenses dizendo
Na maior pegaceira de pé
Consideravam Palhoça um estorvo
E que iriam enforcar todo o povo
Da vila do Senhor Bom Jesus de Nazaré.

Fui me inteirar do acontecido
Para ver se daquilo entendia
Me disseram, putos da cara:
“Ser do contra em Palhoça é mania
Querem emancipar a coisa pública
Preferem permanecer na República
Nós queremos de volta a monarquia”.

Os políticos da vila de Palhoça
Com o governo fizeram reunião
Na frente do Antônio Moreira César
Não tiveram nenhuma compaixão
 “De São José queremos nos separar
Vamos procurar quem saiba administrar
Por favor, queremos a emancipação.”

Como o governador estava puto
O pedido dos palhocenses endossa
Ficamos com o maior território
De São José fizemos a maior troça
Eu assistia e não pude ficar calado
Em 24 de abril ficou oficializado
O novo município de Palhoça.

Eu me meti e tentei impedir
Ao Moreira César disse, enchendo seu saco:
 “Não sei não, isso é problema
Ainda não passamos de um barraco
Com esse território todo
Podemos sufocar no lodo
É muita estrada para tapar os buracos”.

Moreira não quis nem saber
Fez sem pensar e na cara dura 
Emancipou, não tinha mais jeito
Começava assim nossa tortura 
Os políticos ligeiros correram
Sem mais delongas se estabeleceram
Pra mamar nas tetas gordas da Prefeitura.

Dias depois, presenciei a posse
Sabendo do resultado fiquei calado
Todo mundo foi puxar o saco
Do coronel Bernardino Machado
Que puxou o resto da história
Ficando marcado na memória
Como primeiro superintendente empossado.

Para tentar evitar a tragédia
No Bernardino botei minha fé
Marquei audiência com ele
E também peguei no seu pé:
“Desculpe, meu velho, se me lamento
Não faça isso, ainda dá tempo
Não nos emancipe de São José”.

Bernardino me recebeu desconfiado
Me achando um tanto estranho
Lhe falei que vim do futuro
E que Palhoça não teria nenhum ganho
Ao me colocar contra a emancipação
Quase fui retirado aos empurrões
Por muito pouco uma sumanta não apanho.

Teimei e angustiado disse pra ele:
“Vão abrir um monte de loteamento
Prédios no mangue serão erguidos
Plantarão muitos jardins de cimento
Impeça, por favor, essa malvadeza
Haverá muita devastação da natureza
Muita poeira, buraco e alagamentos”.

“Anunciarão muitos jardins
Mas irão inverter os valores
Eucaliptos, Aquárius, Eldorado
Plantarão gente e não flores
Sem preocupação com o futuro
Entre pobres e ricos erguerão um muro
Meu medo é que vire um jardim de horrores.”

“O manguezal será invadido
Um santuário a se acabar
Uma cerca morta de prédios
Não vai deixá-lo respirar
Com rios e córregos aterrados
A natureza será colocada de lado
As águas não chegarão ao mar.”

“Para o senhor ter uma ideia
A Prefeitura alugará seu prédio
Na Câmara de Vereadores
Legislar será um tédio
A classe política vai virar grude
E em matéria de saúde
Terá muito posto, mas sem remédio!”

Nesse momento da audiência
O coronel me disse, indignado:
“Tenho mais o que fazer
Do que ouvir esse aloprado
Por uma questão de justiça
Me chame o chefe de polícia
Quero esse homem trancafiado”.

Eu disse: “Me dê uma chance
Eu sei, porque vim do futuro
Se estou aqui neste momento
É porque estamos em apuros
A história vai provar um dia
Daqui não dá para ouvir a gritaria
Deixar São José será prematuro”.

Chegou então o chefe de polícia
E me olhou dizendo de cara feia:
“Só hoje já é o terceiro
Que prendo com a cara cheia”.
E me puxando forte pelo braço
Me deu um grande cagaço
Fugi de lá para não ir pra cadeia. 

Corri pra máquina do tempo
Para lá do passado escapar
Tinha que voltar pra Palhoça
Para seu aniversário comemorar
Me parece um tanto insano
Ficar longe de Palhoça tantos anos
Pois é bem aqui que quero ficar.

Deste estranho sonho acordei
Me livrei dessa adrenalina
Meu amor por Palhoça é grande
Pois aqui é lugar de gente fina
Na Palhoça me sinto a salvo
E não perderia a exposição do seu Gedalvo
Que está acontecendo no ViaCatarina! 

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