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Beltrano - Edição 584 - 06/04/17

13 Abril 2017 11:07:15

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Os pecados capitais do vereador Ruberval
Os muitos pecados políticos
Podem ser resumidos em sete 
É muito raro o político daqui
Que um deles não comete
Já que é raro quem trabalha
E que a honra lhe valha
Gruda no poder feito chiclete.

Eu vou citar quais os sete 
Para que se pratique exorcismo
Primeiro é a corrupção
Segundo é o nepotismo,
O que emprega parente
Terceiro é aquele que mente
Com requinte de cinismo.

Descendo o abismo abaixo
Se encontra a vil falsidade
Também o fisiologismo
E a tal da infidelidade
O quinto: a incompetência
O sexto: a indolência
A preguiça ou má vontade.

O sétimo é a vaidade
Desses pavões de poleiro
Que vivem “luxando” às custas
Do bolso do brasileiro
O que não falta é vagabundo
Enganado todo mundo
Usando o nosso dinheiro.

Empregam os cabos eleitorais
Na carona de seu cargo
Comem do bom e do melhor
De camarão a filé de pargo
Enquanto o povo que vota
Quando come nem arrota
Seu tempero é sal amargo.

Consciência passa ao largo
Já vi rato mais honesto
Passam a mão no erário
O resultado é funesto
Mas como em tudo há exceção
Ainda existe político cidadão
Honrado, bom e honesto.

Vou falar do seu Ruberval
Um político arrependido
Não era filho de Palhoça
Mas aqui viveu escondido
Foi eleito desde novo
Sempre enganou o povo
E nunca teve partido.

Era um político safado
Com crise de consciência
Sintomas de roubalheira
E de pura incompetência
Tinha altas doses de cinismo
Para não sofrer no abismo
Apelou pra Divina Providência.

Foi a Deus pedir clemência
Pra ver se dormia em paz
De noite seus pesadelos
Incomodavam demais
Nos cargos que ocupou
Na política praticou
Todos os pecados capitais.

O padre Osvaldo ele procurou
Pra confessar seus pecados
Muitos atos vis e omissões
Tinha o dito cujo praticado
Andando por atalhos suspeitos
Muitos eram seus defeitos
E raros os seus predicados.

Arrependido frente ao padre
Até parecia um pastor
O padre muito abismado 
Dele chegou a sentir pavor
Ao confessar suas bravatas
Seu Ruberval enfim relata
Coisas de causar horror:

“Padre em nome do Senhor
Venho a ti pedir perdão
Fiz carreira na política
Nunca perdi uma eleição
Tudo ao povo prometi
Mas sem freio eu caí
Num mar de corrupção.”

“O meu pai era político
Minha mãe fazia pena
Roubou tanto que suas mãos
Adquiriram gangrena
Eu só vim me confessar
Depois de me operar
De três pontes de safena.”

“Eu sei que a culpa condena
E eu me sinto culpado
Quando fui vereador
Comecei fazendo errado
Legislei tempo demais
E quando não podia mais
Me ofereceram um secretariado.”

“Eu já era um potentado
Porque nasci como rei
Com filha de comerciante
Muito jovem me casei
Em poucas palavras explico
Me tornei muito mais rico
Nos tempos que governei.”

“Duas décadas eu passei
No comando do poder
Ludibriei a pobreza
Que votou pra me eleger
O povo todo se iludiu
E muito contribuiu
Pra eu mais enriquecer.”

“O meu negócio era mandar
Desconheço a humildade
Ocupei trono supremo
No topo da vaidade
Só via pobre nos comícios
Mas nunca liguei pra o suplício
Dos pobres desta cidade.”

“Tenho total liberdade
Porque me sobra dinheiro
Se eu quiser em uma semana
Eu viajo pelo mundo inteiro
Mas por me faltar decência
Das grades da consciência
Me sinto um prisioneiro.”

“Dizem que sou referência
No mundo da roubalheira
Sou sanguessuga do erário
Aumentando a bandalheira
Sangra a fortuna em meu cofre
Porém minha alma sofre
Por chegar o fim da carreira.”

“Meu legado fica por aí
Muitos roubando ao léu
Eu já tive o céu na terra
Porém desejo outro céu
Cansei do céu de metal
Quero o céu espiritual
Pra isso faço o escarcéu.”

O padre Osvaldo, cabreiro
Escutou o político safado
Fazendo seu relatório
E disse assim horrorizado:
“Credo em Cruz, louvado seja
Tenho um diabo na igreja
Não tem perdão pro teus pecados”.

“Na fogueira do inferno
O senhor deverá arder
Pois roubou a vida inteira
Fez do roubo o seu lazer
Depois que estragou o fole
Vem aqui de boca mole
Querendo se arrepender?!”

“É só você devolver
Tudo quanto abocanhou
Na sua trajetória política
Na qual você se embrenhou
Se torne humano e modesto
Viva trabalhando honesto
Que o perdão eu lhe dou!”

Nisso, o Ruberval inchou
Uma crise de tosse quase o mata
Disse: “Não venha pra mim
Com essa proposta insensata
Vim aqui pedi perdão
E o senhor vem com sermão?
Não tenho tempo pra bravata”.

“O dinheiro das mamatas
Vou gastar até morrer
Ainda vai sobrar patrimônio
Para meus filhos vender
Me dê logo a indulgência
Eu não vim pedir clemência
Pois sou o dono do poder.”

De repente, engoliu em seco
As palavras que dizia
O padre Osvaldo, assustado
Correu para a sacristia
Ruberval nem pediu “aparte”
Sufocado por um enfarte
Morreu aos pés da Virgem Maria.

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