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Beltrano - Edição 582 - 30/03/17

30 Março 2017 10:54:53

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O dilema da Marilda  

A minha amiga Marilda da Cova Funda me enviou um texto pelo WhatsApp, pedindo conselhos sobre o que fazer com a sua vida. Eu, como todo mundo sabe, não gosto de botar o bedelho nem quando sou chamado, mas a julgar pelo desabafo que me enviou, resolvi publicá-lo na esperança de que, com isso, possa ajudar outras leitoras desta coluna que passam pelo mesmo calvário.

Eis o relato da Marilda:
“Hoje comecei a fazer dieta. Preciso perder 12 quilos. A nutricionista me aconselhou a fazer um diário, onde devo colocar minha alimentação e falar sobre o meu estado de espírito. Sinto-me de volta à adolescência, pois estou muito empolgada com tudo. Por mais que a dieta seja dolorosa, quando conseguir entrar naquele vestidinho preto que comprei a prestação na Kizzi Boutique, vai ser tudo de bom.
Primeiro dia de dieta: um queijo branco, um copo de shake. Meu humor está maravilhoso. Sinto-me mais leve. Com uma leve dor de cabeça.
Segundo dia de dieta: uma saladinha básica. Algumas torradas e um copo de iogurte. Me sinto maravilhosa! A cabeça dói um pouquinho, mas nada que uma aspirina não resolva.
Terceiro dia: acordei no meio da madrugada com um barulho esquisito. Achei que fosse ladrão. Mas, depois de um tempo, percebi que era meu estômago. Tomei um litro de chá da Herbalife e passei o resto da noite fazendo xixi. Anotação: nunca mais tomo chá de ervas aromáticas.
Quarto dia: estou começando a odiar saladas. Sinto-me uma vaca comendo capim. Estou meio irritada. Mas acho que é o tempo. Faz sol de rachar e eu, gorda como uma porca, não me atrevo a ir à praia. Minha cabeça parece um tambor. A Valmira do seu Jacinto comeu uma torta todinha, hoje, lá no Café Delícia. Mas eu resisti. Anotação: odeio a Valmira do seu Jacinto e as meninas do Café Delícia.
Quinto dia: juro por Deus que, se eu ver mais um pedaço de queijo branco, eu vomito! No almoço, a salada parecia rir da minha cara. Dei um puxão de orelha no Gregory Pit da Silva, filho da Valmira do velho Jacinto. Preciso me acalmar e voltar a me concentrar na dieta. Fui à praça e peguei o jornal Palhocense no Bar da Dona Maria, só pra ver as “gostosas” da semana da coluna do Edmilson e do Cabeção.
Sexto dia: estou um caco. Não dormi nada essa noite. O pouco que consegui, sonhei com um pudim de leite. Acho que mataria por um brigadeiro.
Sétimo dia: fui ao médico. Emagreci 250 gramas. Tá de sacanagem?! A semana toda comendo mato, só faltando mugir e perdi só 250 gramas?! Ele explicou que isso é normal. “Mulher demora a emagrecer, ainda mais na tua idade.” O filho da mãe me chamou de gorda e velha. Anotação: procurar outro médico.
Oitavo dia: fui acordada por um frango assado, juro! Ele estava na beirada da cama, dançando can-can. Anotação: o pessoal da Prefeitura, onde trabalho, ficou me olhando esquisito. A Valmira do fdp do velho Jacinto diz que é porque estou me parecendo com o Miltinho do IPPA e com o Toninho do PP.
Nono dia: não fui trabalhar hoje. O frango assado voltou a me atazanar, desta feita, dançando a dança do ventre. Passei o dia no sofá vendo TV. Acho que existe um complô contra mim, já que todos os canais passavam receita culinária. Anotação: comprar outro controle remoto, pois num acesso de fúria, joguei o meu pela janela.
Décimo dia: eu odeio a coluna do Edmilson e a do Cabeção.
Décimo primeiro dia: chutei o pit bull do meu vizinho. Gritei com uns vereadores que passavam de casa em casa pedindo para assinar a ficha de filiação do PP e assim derrubar o Toninho Pagani. Chamei eles de fanfarrões, decepções e M com três pontinhos! Cortei a relação com a Valmira daquele velho tarado do Jacinto.
Décimo segundo dia: a balança não se moveu. Não perdi um mísero grama! Comecei a gargalhar. Assustado, o médico sugeriu um psicólogo. Chegou a falar em psiquiatra! Será que é porque eu o ameacei com um bisturi? Anotação: não volto mais no fdp daquele médico. O frango dos meus sonhos acha que ele é um charlatão.
Décimo terceiro dia: o frango me apresentou uns amigos. A picanha é super gente fina e a torta é um doce. 
Décimo quarto dia: rasguei todo o jornal Palhocense desta quinta-feira, só por causa das colunas do Edmilson e do Cabeção! Cortei as páginas em pedacinhos e todas as fotos de modelos magérrimas que saem nessas colunas. Anotação: o frango e seus amigos estão chateados comigo. Comi um pedaço do seu pão. Mas foi em legítima defesa, pois ele me ameaçou com um pedaço de salame.
Décimo quinto dia: não estou mais de dieta. Aborrecida com o frango, comi ele junto com o pão. Adoro as meninas do Café Delícia. Vou trocar minha casa no São Sebastião por uma quitinete na praça, só para morar próxima do Café Delícia. Acho tudo lá um doce!”
Depois desse desabafo da Marilda, fiquei sem saber o que escrever para orientá-la, então fui pedir ajuda ao meu guru para assuntos aleatórios, Antônio do Bidunga. Ele, na sua santa sabedoria e iluminado pela Nossa Senhora Piriquita da Cova Funda, sugeriu que a Marilda continue se sentindo bem. Para isso, disse ele: “Nada melhor do que a dieta da sopa...” E explicou: Deu sopa, come”.
Fui... Fui na casa das torres ajudar o PP a lavar roupa suja. Se terminar em tempo, na quinta que vem eu volto! Rá, rá, rá, rá...

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