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Beltrano - Edição 574 - 02/02/17

02 Fevereiro 2017 10:01:59

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Histórias que Palhoça conta:
O Tesouro da Pedra Branca
(Continuação da edição anterior)
Leodoro dizia chorando:
“Esse crime, hei de vingá-lo
Paguei seis contos de réis
Por esse magro cavalo
Pedro não vai enganar mais ninguém,
Porque pretendo matá-lo”.
Mandou chamar dois capangas:
“Me façam um gaiolão estreito
Façam isto com cuidado
Quero o serviço bem feito
Com uma argola bem forte,
Pra pegar este sujeito”!
“Quando acabar de fazer
Mande este bandido entrar,
Para dentro do gaiolão
E acabem de amarrar
O levem lá na Pedra Branca,
Para de lá de cima jogar.”
Os homens eram dispostos
Pegaram o Pedro no mesmo dia,
O Pedro entrou no gaiolão
Pois era o jeito que havia
Botaram o gaiolão nas costas
E saíram nas montarias.
Adiante, disse um capanga:
“Está muito pesado o rojão,
Eu estou muito cansado,
Botemos isso no chão!
Vamos tomar uma pinga,
Deixemos aqui o gaiolão”.
“Muito bem, companheiro
Vamos tomar uma bicada!”
Assim falou o capanga
Dizendo pro camarada
Seguiram ambos pra venda
Bem na beirada da estrada.
Quando os capangas seguiram
Pedro cá ficou dizendo:
“Não caso porque não quero,
Se morro eu não compreendo.
Mesmo a moça sendo milionária
Assim mesmo não me arrependo”!
Foi passando um boiadeiro
Quando ele dizia assim,
O boiadeiro pediu-lhe:
“Arranje isto pra mim
Não importa que a moça
Seja boa ou seja ruim”!
O boiadeiro lhe disse:
“Eu dou-lhe de mão beijada,
Todos os meus pertences
Vão aqui nessa boiada.
Fica o senhor como dono,
E seguir minha jornada”!
Pedro, condenado à morte
Não fez questão, aceitou,
Desceu do tal gaiolão
E o boiadeiro entrou
Antes de sair correndo
O gaiolão se fechou
Pedro, quando se viu livre
Daquela grande enrascada,
Montou num bom cavalo
E tomou conta da boiada,
Saiu por ali dizendo:
“Pra mim não falta mais nada”.
Os capangas nada viram
Porque fizeram ligeiro,
Pegaram o dito gaiolão
Com o pobre do boiadeiro
Jogaram da Pedra abaixo
Não ficou um osso inteiro.
Fazia dois ou três meses
Que Pedro negociava.
A boiada que lhe deram
Cada vez mais aumentava.
Um dia foi ele passar,
Onde Leodoro morava.
Quando Leodoro o viu
De susto empalideceu;
“Compadre, por onde andavas
Que agora me apareceu?!
E segundo o que me parece,
Estás mais rico do que eu”.
“Aqueles seus dois capangas
Me jogaram num lugar
Eu rolei pela Pedra abaixo
Até no primeiro patamar
Encontrei o tesouro da Pedra Branca,
Que nossos pais viviam a contar!”
“Quando me faltar dinheiro
Eu prontamente vou ver.
O que eu trouxe não é pouco,
Vai dando pra eu viver
Junto com a minha família,
Vou passar bem até morrer.”
“Compadre, a sua riqueza
Sabes, fui eu que te dei!
Pra você recompensar-me
Tudo quanto lhe arranjei,
É preciso que me bote
No lugar que te botei!”
Disse-lhe o Pedro: “Pois não,
Estou pronto pra lhe mostrar!
Eu, junto com os capangas,
Nós mesmo vamos levar
E o gaiolão da Pedra Branca
Sou eu que quero empurrar”.
Leodoro, no mesmo dia,
Mandou fazer um gaiolão.
Depressa meteu-se nele,
Cego pela ambição
E disse: “Compadre Pedro
Estou à tua disposição”.
O Pedro foi procurar
Dois cabras de confiança
Se fingindo satisfeito
Fazendo a coisa bem mansa
Só assim ele podia,
Levar avante sua vingança.
Saíram com o Leodoro
Na carreira, sem parar
Subiram a Pedra acima
Até o último lugar
Daí soltaram o gaiolão
Deixaram o velho rolar.
Leodoro foi pensando
Em encontrar todo dinheiro,
Porém, aconteceu com ele
O mesmo que o boiadeiro,
Que quando chegou embaixo
Não tinha um só osso inteiro.
Essa história nos mostra
Que a ambição não convém
Todo homem ambicioso
Nunca pode viver bem,
Arriscando o que possui
Em cima do que já tem.
Cada um fazendo por si,
Eu também farei por mim!
É este um dos motivos
Que o mundo está ruim,
Porque estamos cercados
De homens que pensam assim.
Adaptado do texto de autoria de Leandro Gomes de Barros

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