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Beltrano - Edição 573 - 26/01/17

26 Janeiro 2017 09:45:43

 

Histórias que a Palhoça conta: o cavalo que cagava dinheiro

(Cordel de Leandro Gomes de Barros, adaptado por Beltrano)
No bairro do Passa Vinte 
Antigamente existia 
Um senhor dono de terras 
Que com nada se satisfazia 
Com inveja, desejava possuir 
Tudo o que o olho via.

Esse fazendeiro era compadre 
De um pobre atrasado 
Que morava em suas terras 
Num rancho mali acabado 
E sustentava a família 
Com a vida de arrendado. 

Se vendo o pobre Pedro 
Naquela vida privada 
Foi trabalhar num engenho 
Lá na Boa Parada 
De lá trouxe um cavalo
Que não servia pra nada. 

Disse o Pedro pra mulher: 
“Como havemos de passar? 
O cavalo é magro e velho 
Não pode mais trabalhar 
Vou inventar um ‘pregueço’
Pra que alguém possa comprar”. 

Foi no Bar do Nilto  
Pediu três moedas de cruzado 
Sem dizer nada a ninguém 
Para não ser censurado 
No rabisteco do cavalo 
Foi o dinheiro guardado 

Do rabisteco do cavalo 
Ele fez um entrevero
Saiu dizendo: “Sou rico! 
Ainda mais que o fazendeiro, 
Porque possuo um cavalo 
Que pra mim caga dinheiro”. 

Quando o velho Leotero soube 
Que Pedro tinha o dito cavalo 
Disse pra mulher com esperteza: 
“Amanhã vou visitá-lo 
Se o animal for assim mesmo 
Dou um jeito de comprá-lo”. 

Chegou saudando o compadre 
Fingindo-se desinteressado: 
“Compadre, como é que vai? 
Por onde tu tens andado? 
Há dias que não te vejo 
De vida tem melhorado?” 

“É muito certo, compadre 
Ainda não melhorei 
Porque andava por fora 
Faz três dias que cheguei 
Mas breve farei fortuna 
Com o cavalo que comprei.” 

“Se for assim, meu compadre 
Você está muito bem! 
É bom guardar o segredo, 
Não conte pra mais ninguém. 
Conte apenas para mim 
O que este cavalo tem?” 

Disse o Pedro: “Ele tá magro 
Só no osso e no couro, 
Porém, tratando-se dele 
Meu cavalo é um tesouro 
Basta dizer que defeca 
Níquel, prata, cobre e ouro”. 

Aí chamou o Leodoro 
E saíram esgatiados, 
Para o lugar onde tinha 
O cavalo defecado 
Chegando lá encontraram 
Três moedas de cruzado. 

Então exclamou Leotero: 
“Só vejo apenas três”. 
Disse o Pedro: “Ontem à tarde 
Ele botou dezesseis! 
Ele já tem defecado, 
Dez mil réis de uma só vez”. 

“Enquanto ele estiver magro 
Me serve de companheiro. 
Eu tenho tratado dele 
Com bagaço do terreiro, 
Porém, depois dele gordo 
Vou ganhar muito dinheiro”. 

Disse o velho: “Meu compadre 
Você não pode tratá-lo, 
Se for trabalhar com ele 
Vai com certeza matá-lo 
O melhor que você faz 
É vender esse cavalo!” 

“Meu compadre, este cavalo 
Eu posso inté negociar, 
Só se for por uma soma 
Que dê para eu passar 
Com toda minha família, 
E não precisar trabalhar.” 

Leotero disse ao Pedro: 
“Não é assim que se faz 
Nossa amizade é antiga 
Desde os tempo de rapaz 
Dou-lhe seis contos de réis 
Acha pouco ou tu qués mais?” 

“Leotero, o cavalo é teu! 
Eu nada mais lhe direi, 
Por precisar do dinheiro 
A isso me sujeitei 
Para mim não foi vendido, 
Faça de conta que dei!” 

O velho, pela ambição, 
Que era descomunal, 
Deu-lhe seis contos de réis 
Todo em moeda legal 
Depois pegou no cabresto 
E foi puxando o animal. 

Quando chegou em casa 
Foi gritando no terreiro: 
“Eu sou o homem mais rico 
Que habita o mundo inteiro! 
Porque possuo um cavalo 
Que vive cagando dinheiro!” 

Pegou o dito cavalo
Botou na estrebaria,
Milho, farelo e alface
Era o que ele comia
O velho fazendeiro ia lá,
Dez, doze vezes por dia... 

Aí Leotero zangou-se
Começou logo a bradar:
“Como é que o compadre Pedro
Se atreveu a me enganar?
Eu quero ver amanhã
O que ele vai me explicar”.

(Continua na próxima edição) 

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