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Beltrano - Edição 569 - 22/12/16

22 Dezembro 2016 10:20:11

Beltrano: retrospectiva 2016

Em Janeiro

Em Palhoça, assim como na natureza
A formiga que quer se perder cria asas
Era aquele que mais pode e se sacode
E ajudava satanás a espalhar as brasas.

Em Palhoça têm muito senhor e senhoril 
E a língua serve de chicote do rabo
Basta ver na nossa história recente
Quando muitos venderam a alma ao diabo.

Pedra que muito rola não cria limo
E estica-se as pernas conforme a manta
Quando o gato sai, os ratos dançam
Ganham o almoço e guardam o resto pra janta.

Em fevereiro:

O Juca me fez uma lista
De coisas que pobre faz
Se tu és rico, preste atenção
Pra não fazer nunca mais
Pois o que vou relatar
Ninguém pode duvidar
É coisa autentica demais!

Talvez você já tenha
Aproveitado o carpete
Que sobrou de uma mudança
Pra depois fazer tapete
Vem e me dê um abraço
Se juntou pequenos pedaços
Pra fazer um sabonete!

Se já colocou garrafa pet
No relógio da luz pra economizar
Balançou lâmpada queimada
Pra voltar a funcionar
No final de uma novela,
Como uma moça donzela
Chorou de se desmanchar.

Se usou um fio de luz
Para amarrar o cachorro
Catou piolho dos filhos
Sempre debaixo de esporro
Remendou o coador
Nunca pediu, por favor
Vive no pronto-socorro.

Passou pomada Minâncora
Para acabar com as espinhas,
Saiu com a cara branca
De manhã ou de tardinha
Esse pobre não tem jeito
Vota sempre pra prefeito
Em quem lhe dá uma boquinha.

E Palhoça virava carnaval...

Fui ver a Nação Guarani
Levantar a arquibancada
Na cadência do bom samba
Foi bonita a batucada
Lá tirei o meu chapéu
Pra nossa Escola animada.

Sambamos quase uma légua
Todo mundo na folia
E eu de pernas bambas
Sem carga na bateria
Só quando vi o portão
É que recobrei a energia.

Todo mundo caiu no samba
Como uma penca de siri
O pessoal da Prefeitura
Sambou feliz e cheio de si
Enaltecendo a Palhoça
E a nossa Nação Guarani.

O palhocense mostrou alegria
Pulou carnaval feito macaco
Só estranhou a Nego Quirido
Por ter outro balacobaco
Pois por toda sua extensão
Não encontrou um buraco.

Em março e abril...

Palhoça se preparava 
Para a olimpíada da eleição 
Os candidatos se espremiam 
Com fome e esganação 
Com propostas de cabresto 
A urna virava trave e cesto 
Pra abrigar bagre e babão. 

Estávamos no mês de março
E já se via grande correria
No troca-troca de partido 
Procuravam por benfeitoria 
Para seus empregos garantir
Estavam todos a se exaurir
Gastando toda a energia! 

Acabou a ideologia e a garra
Partidos viravam zorra total 
Era mudança pra todo lado 
E alianças a dar com pau 
Exibiam-se nas redes sociais 
Falavam mal até dos pais 
Para jogar no time principal.

Maio e junho...

Da bunda não sossegavam o facho
Muitos ficavam com fogo no rabo
Há quatro anos adormecido
Continuavam trocando de partido
E vendendo a alma ao diabo.

O Ivon que disputou pelo PSDB
No PR por dois anos cobrou pedágio
Mas lá nem esquentou o rabo
Saiu chispado e encabulado
E no DEM veio fazer estágio.

O Pitanta não mudou de partido
Mas se acostumou a receber sopapo
Trouxe o Ivon para o DEM
Prometia pra ele dizer amém 
E engoli-lo como se fosse um sapo.

Antes de assinar com o DEM
Muito a sua assinatura ensaiou
Chegou a assinar com o PHS
Desagradou o pessoal do PPS
E o Bruno do PSC chorou.

O PPS do presidente Odílio
Quis evitar o entra e sai
Ao Ivon quis dar guarida
Não queria vê-lo numa missão suicida
Mas preferiu o Pitanta de que seu velho pai.

Julho...

Na sexta feira de convenções
Nenhum partido fugiu a regra
Escolheram seus candidatos
Muitos com o Camilo bateram retrato
Para na eleição passar a régua.

O PSDB é que fez diferente
Não quis mais morrer na praia
Não foi partido de aluguel
Com o Robson do Rogério do Chapéu
Faceiro foi ser o vice do Jiraya.

O PT de Palhoça se animava
Lançava candidato sem receio
Pois nem todo petista era lacaio
Não se pode botar nesse balaio
O amigo Manoel dos Correios.

O PDT veio com José Ricardo
Já que vice do Ivon não deu
Saiu abraçado no Celso Lins
Para o Manoel Dias vendeu os rins
Esperando o que ele prometeu.

Os chamados partidos pequenos
Foram pra eleição feitos martelos
Se não fizessem um vereador
Queriam dos grandes um favor
E do bolo também um farelo.

O PMDB ficou sem o Ronério
Que se meteu num rabo de foguete
Mesmo assim ficou tranquilo
Colocou o vice do Camilo
Pra não ficar sem chupar sorvete.

O partido pra eleição se precaveu
Para ser vice foi logo acertando
Garantindo pra Dirce a reeleição
Pois ainda é melhor uns cargos na mão
Do que toda Prefeitura voando.

Mas antes do PMDB ser vice
O Ivon foi muito assediado
O desprezado vereador Pitanta
Quase arrombou a garganta
Pra não sair por malvado.

O Ivon não quis saber
Com a sua cabeça confusa
Com o Ronério não quis conversar
Ser vice do Camilo nem pensar
Nem mesmo que fosse a Vanusa.

O Pitanta pra acertar patinava
Não queria dar uma de fariseu
Mas quando viu a coisa feia
Na sua reeleição entrando areia
Disse: “Antes nudez qui nu meu”.

Agosto de nossos políticos...

O Ivon ficou de fora
Muita gente já sabia
Quando se filiou no DEM
Se sabia muito bem
Que entraria numa fria.

As coisas saíram do eixo
Não era o momento propício
Se o Ivon nessa não sai
Falava em lançar o pai
Mandando-o pro sacrifício!

Pra Câmara de Vereadores
Começava a correria
Pra preencher as 17 vagas
Tinha gente que mataria
Então prometiam solução
Pra depois da eleição
Continuar a estripulia.

A presidente Dilma era afastada
Mas continuava o entrevero
Michel Temer no planalto
Provava ser um embusteiro
Em uma de suas primeiras ações
Ofendeu o povo brasileiro.
 
Assinado por Michel Temer
Um outdoor correu o Brasil
Pedindo que o povo trabalhe
Pois crise assim não se viu:
“Não pense em crise, trabalhe”
Por esse Brasil varonil.

Se dinheiro eu tivesse
Mandaria pelo país espalhar
Um outdoor com os dizeres
Pra uma resposta lhe dar:
“Para acabar com a crise
Basta vocês não roubar”.

O Senado e a Câmara Federal
Viraram covis de ladrões
E vem o chefe da quadrilha
E ainda nos dá um sermão
Colocando no povo a culpa
Nos chamando de mandrião!

Comecem a trabalhar vagabundos
Para pôr um fim nessa matilha
Que no Brasil se instalou 
Nos Municípios, Estados e Brasília
Para o Brasil sair da crise
Basta pôr na cadeia essa quadrilha.

Setembro...

Estava eu de volta a versar
Pra isso sempre fui escolado
Não vou jamais me furtar
Vendo o Brasil ser torturado
Pelo governo do Temer e da Dilma
E por uma cambada de safado.

Descobriram no Brasil
Um grande ninho de rato
Que se instalou em Brasília
Lá nos porões do Planalto
Para limpar essa sujeira
Só mesmo com lava-jato.

A Lava-Jato precisava tirar
A catinga de ovo goro
Apareceu um homem destemido
Que com Justiça e com decoro
Da cidade de Curitiba para o Brasil
Surgiu o juiz Sérgio Moro.

Foi mandando político pra cadeia
Mostrando como é que se faz
Prendeu empresários e políticos
Que passaram a mão na Petrobrás
Resgatando no Brasil esperança
Que impunidade nunca mais.

Outubro, novembro e dezembro...

A eleição foi embora
Acabou-se o que era doce
Quem não comeu não comeu
Quem comeu se arregalou-se.

A Camilo reinou soberano
Levou a eleição no peito
Agora ninguém pode dizer
Que a Palhoça não tem prefeito.

Foi uma eleição tranquila
No Camilo até o PMDB aposta
Com o apoio de todo mundo
Venceu com as mãos nas costas.

O PMDB fora da Prefeitura
Da barriga se ouvia o som
Mas chega de comer carne de pescoço
Querem agora comer filé mignon.

Vejo um problema chegando
O Camilo vai enfrentar parada dura
Vai ter que tirar no palitinho
Quem vai com ele pra Prefeitura.

Como disse dona Dirce
Então é melhor se apressar
“Não dá pra dormir no ponto
Depois de vencer esse confronto
Vamos todos no ônibus sentar”.

O ônibus já está partindo
Pra Prefa, a mãe Joana
É melhor então se aligeirar
Quem quiser no ônibus sentar
Porque vai faltar poltrona!

Imagens


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