palhocense.jpg

Beltrano - Edição 566 - 01/12/16

01 Dezembro 2016 10:48:48

Charge Beltrano 45.jpg

Histórias que Palhoça conta

Uma vez, lá na Cova Funda de São Sebastião, dois cumpadis pitavam um cigarrinho de palha e proseavam sobre a vida na porta da venda. Um deles perguntou:
- Ô cumpadi, como é qui si chama aquela coisa que as muié têm (faz um sinal com as duas mãos), quentinha, cabeludinha, que a gente gosta dimais da conta, é incarnada e que come terra?
- Uai, cumpadi! Quentinha... Incarnadinha... I a gente gosta?! Ué, só pode ser a perseguida. Mas eu num sabia que comia terra, não, cumpadi!
O outro dá uma pitada no cigarro e diz:
- Pois é, cumpadi! Come sim! Só di mim já cumeu tregi lotinzinhum qui tinha no Madri.

Enquanto isso, lá no posto de saúde da Prefa, na Pinheira, o médico tenta consolar a dona Noca do seu Joca: 
- Não se preocupe, dona Noca... Eu mesmo já tive esta doença e fiquei completamente curado!
E dona Noca: 
- É, doutor... Mas o seu médico era outro, né?

O Antônho do Bidunga é que dia desses foi no Maré Alta e chegando lá sentou em uma mesa com uma moça do Passa Vinte.
- A senhorita aceita um uísque? – Perguntou.
- Não posso. Me faz um mal danado pras pernas – Respondeu ela.
- As pernas incham? 
- Não, abrem...  
Diz ele que ficou insistindo que ela tomasse a noite toda!
 
Quando eu fico sem nada pra fazer, sento ali no Bar da Dona Maria e fico observando o vai e vem dos carros e das pessoas. O certo é que a gente vê coisa do arco da Velha e da Nova Palhoça! Esta eu vi na semana passada: numa daquelas olhadas de sol, calor de mais de 30 graus, trânsito caótico na rua José Maria da Luz, tudo parado, agentes de trânsito desfilando, carro-forte no meio da via, Tavinho chamando os motoqueiros de “tabaquinho”. Para na sinaleira uma madame com seu Fox, com ar condicionado, vidro elétrico, câmbio automático; do outro lado, um gordinho, barrigudinho, todo suado e com a barba por fazer, com seu fusquinha todo escangalhado. O gordinho xinga o prefeito Camilo e o Claudio Monteiro, buzina, faz um escarcéu por causa do trânsito, até que a madame abaixa automaticamente o vidro do seu Fox e diz:
- A paciência é a mais nobre e gentil das virtudes! - citando Shakespeare, em “Macbeth”.
O gordinho não deixa barato: 
- Vai tomar no olho do cu - parafraseando Nelson Rodrigues, em “A Vida Como Ela É”.

Minha Santa Piriquita da Cova Funda, não se faz mais crime passional como antigamente! Veja esta história: a Genoveva, mulher do Ezidoro, lá da Barra do Aririú, chegou em casa e disse ao esposo:
- Ezidoro, tu te alembras as enxaqueca que eu costumava tê toda vegi que íamos fazer marcriação? Tô curadinha da sirva! Não tenho magi neca de pitibiriba de dor ninhuma! Minha colega Margarete, que trabaia no posto de saúde, marcou consulta com um tali de terapeta que me hipnotizô! O dotô me disse para ir pra frente do espeio, me mirá bem nos zóios e repeti para mim mema: 
- “Não tenho dor de cabeça! Não tenho dô de cabeça! Não tenho dô de cabeça!” Fiz isso e não é que a dô de cabeça escafedeu-se di vez?
O Ezidoro não deu muita bola, mas respondeu: 
- Que maravia pá tu muié, qui maravia!
A esposa continuou:
- Nos último ano tu não anda muito interessado nimim! Faz um tempão que não me pricuras magi! Modi que tu não vai nesse terapeta e tenta vê si ele te ajuda pra qui tu mi pricure pelo menos uma vez ou ota?
O Ezidoro, meio de contragosto, concordou. Falou com o Rosinei e ele, que tem um coração de manteiga, se compadeceu do Ezidoro e marcou a consulta. Alguns dias depois, Ezidoro chegou em casa todo fogoso anunciando uma verdadeira noite de amor com a Genoveva. Entrou no quarto arrancando as roupas e pegando a Genoveva pelos quartos jogou-a em cima da cama. De repente, parou o frenesi e disse:
- Não se mova que já volto! 
Foi ao banheiro e voltou logo depois pulou na cama e fez amor de maneira muito apaixonado como nunca tinha feito antes com a Genoveva.
Ela, espantada, falou: 
- Ezidoro, que maravia! Você nunca me deixou tão encapetada!
Então, Ezidoro, animado com a felicidade da mulher, disse mais uma vez: 
- Não sai daí que eu vorto é um pulo lá e oto cá! 
Foi ao banheiro e a segunda vez foi muito melhor do que a primeira. A Genoveva sentou-se na cama com a cabeça girando em êxtase com a experiência. 
Ezidoro disse mais uma vez: 
- Não saia daí que eu vorto, é um pé lá oto cá! 
Foi ao banheiro. Desta vez, a Genoveva foi silenciosamente atrás dele e quando chegou lá, o Ezidoro olhava para o espelho e dizia:
- Não é minha esposa! Não é minha esposa! Não é minha esposa!
Isso é pra vocês verem como são as coisas! O velório do Ezidoro aconteceu na capelinha da Barra e ele foi sepultado no outro dia de tardezinha! Genoveva pegou a própria peixeira do Ezidoro e o castrou. Como na época não existia posto de saúde 24 horas, Ezidoro se esvaiu em sangue e partiu! Assim como eu! Mas eu volto na próxima edição, tá?! 

Imagens


logo palhocense.png

Copyright © 2011. Todos os direitos reservados | Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina