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Cartão Rosa - Edição 566 - 01/12/16

01 Dezembro 2016 11:53:09

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Pensamento do Bambi
Viva o hoje, pois o ontem já se foi e o amanhã talvez não venha.


Petrificado
Foi torturante demais acordar lá pelas seis da manhã da fria e úmida terça-feira e se deparar com a trágica notícia de que o avião que transportava todo o time da Chapecoense, comissão técnica, alguns convidados e vários jornalistas havia caído nos arredores da cidade de Medellín, na Colômbia. Num primeiro instante fiquei petrificado e descrente daquilo que estava vendo e ouvindo. Voltei pra cama na tentativa de dormir de novo, na esperança de que aquilo não tivesse passado de um pesadelo. Tudo em vão, o pesadelo era a mais pura e cruel realidade. A vida não dá trégua... Que tragédia!


Erro de arbitragem
O Brasileirão está acabando, o Palmeiras é o verdadeiro campeão e o que mais se ouviu neste certame foram os “mi-mi-mis” contra muitas arbitragens. Só que os pávidos só reclamam quando o desacerto é contra o seu clube. Quando esses erros são a seu favor, dizem, na maior cara de pau, que isso são “coisas do futebol”. Dirigente planeja mal, contrata pior ainda, despedaça as contas do clube e quando a água bate no seu bumbum, fica mais fácil culpar os árbitros ou os bandeirinhas. Se esses mesmos dirigentes quisessem uma arbitragem profissional e qualificada, estariam brigando pela profissionalização dos homens do apito.


Clube emergente
A Chapecoense já era o segundo time do coração de uma grande maioria de torcedores de todo o Brasil, durante esta pujante campanha na Copa Sul-Americana. Muitos entendidos do futebol se enganaram redondamente, ao imaginar que o modesto clube do Oeste catarinense seria presa fácil dos grandes clubes da América. Os bravos guerreiros da tribo Condá foram eliminando pela frente os poderosos Independiente/ARG, Junior Barranquilla/Col e o San Lorenzo/Arg. O Verdão do Oeste estava se tornando um exemplo para todas as equipes emergentes do nosso futebol.


Grande susto
Em 2014 fui para a cidade de Altamira/PA junto com a Seleção Zico10 para um jogo naquela cidade paraense. Foi uma das piores viagens da minha vida. Em Belém embarcamos num modesto avião turbo hélice com 12 pessoas e dois tripulantes. Não muito longe de chegar ao nosso destino, em função de uma tempestade, o avião começou a sacolejar e o pânico tomou conta de todos. Até o Zico, com sua experiência de voos internacionais, ficou assustado. Desembarcamos em Altamira e já no hotel falei pra mim mesmo que não voltaria naquele avião, mas acabei voltando. Essa tragédia com a Chapecoense me fez lembrar esse fato e fico a imaginar o horror vivido por todos os passageiros daquele avião antes da queda mortal.


Acidentes aéreos
O tragédia que ceifou dezenas de vidas no acidente aéreo nas proximidades de Medellín é uma triste história já repetida outras vezes. Isso também me fez lembrar o acidente do dia 12/04/1980, num sábado, quando um avião da Transbrasil veio a chocar-se contra o Morro da Virginia, no bairro Ratones, vindo a falecer 54 pessoas. Até então, o maior desastre aéreo em solo brasileiro. Esse acidente do voo 727 também comoveu toda a sociedade catarinense, pois ali estavam, entre as vítimas fatais, médicos, políticos, professores, advogados e tantos outros.


Meu pai
A Chapecoense ainda não havia atingido um índice de popularidade mundial, embora estava tentando alçar voos inéditos. A partida prematura desta grande equipe tocou o coração de todos nós. O meu, particularmente, pela perda de um grande amigo que estava neste funesto voo da madrugada de terça-feira, Delfin de Pádua Peixoto Filho, 75 anos, e que comandava a F.C.F. desde 1985 com pulso firme. Dr. Delfin, como era conhecido, na realidade foi um grande pai para mim, um pai que não tive na minha infância. Ajudou-me demais na minha longa carreira de árbitro, dando-me todas as chances possíveis. Obrigado por tudo, Dr. Delfin, meu pai.


Melhor em campo
Tenho um grande carinho pelo povo de Chapecó e principalmente pela Chapecoense. Em minha carreira, fui por diversas vezes escalado para grandes jogos no Estádio Índio Condá, hoje Arena Condá. O povo daquela cidade tinha um grande carinho e respeito por minha pessoa. Lembro-me certa vez, num domingo à tarde, num jogo pelo Campeonato Catarinense da primeira divisão, em que a Chapecoense enfrentava o Brusque. O Margarida estava inspirado e roubou a cena naquela tarde. Ao final da partida, fui agraciado pela Rádio Condá com um troféu como melhor homem em campo. O troféu foi entregue pelo repórter de campo Giovanni Martinello, hoje na Esporte Interativo.

 

Cartão rosa/vermelho

CARTÃO VERMELHO para esta fatalidade que nos roubou amigos de nosso convívio e ainda um time inteiro de futebol, que estava no auge de sua plenitude, tentando alcançar voos bem maiores dos que já haviam projetado.

CARTÃO ROSA para todos os nossos companheiros de imprensa que estavam indo a Medellín para contar um capítulo grandioso do futebol catarinense. Somos todos assim, por mais modesto que seja o órgão de comunicação, aquele que faz o elo com você, querido leitor. Esta é a nossa missão: levar a melhor e mais sincera informação. Esses 21 companheiros de profissão jornalística que sucumbiram a esta tragédia já fazem parte da história do jornalismo brasileiro.


Legendas:

Conheci o presidente Delfin em 1989, quando recebi de suas mãos o diploma de conclusão do curso de árbitro de futebol da FCF. De lá pra cá, foi um convívio de muito respeito e amor paternal. Ele podia não ser unanimidade, mas jamais foi um dirigente ardiloso. Delfin construiu a sede própria da Federação, brigava pelos clubes de SC e foi oposição ferrenha a Marco Polo Del Nero, na CBF

O jovem piloto palhocense Mário Diego Broering, proprietário do Feirão de Móveis, está trocando as pistas de terra pelas de asfalto na Old Stock Race. O arrojado piloto já está conquistando ótimos resultados nesta importante categoria do automobilismo brasileiro.

Imagens


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