palhocense.jpg

Bondeconomia - Edição 597 - 13/07/17

13 Julho 2017 11:23:27

_MG_0813_baixa.jpg
Foto: MICHEL TÉO SIN

INDÚSTRIA DE SC É EXEMPLO DE INVESTIMENTO EM INOVAÇÃO PARA O BRASIL 
Na terceira edição do anuário Valor Inovação Brasil, do jornal Valor Econômico, a capacidade inovadora da indústria catarinense foi amplamente reconhecida. Para se ter uma ideia, entre as 10 empresas do topo do ranking estão a WEG (foto), que manteve a sétima posição obtida no ano passado, e a Embraco, que pulou do nono para o oitavo lugar. É momento de comemoração, mas ao mesmo tempo de grande preocupação porque a combinação de recessão econômica, ajuste fiscal e restrições orçamentárias jogou uma pá de cal nas pretensões brasileiras de aplicar o equivalente a 2% do PIB em atividades de inovação, pesquisa e desenvolvimento (P&D) até 2020, meta fixada em 2003. Essa triste perspectiva foi traduzida em números pelo ex-reitor da UFSC e atual titular da Secretaria de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do Ministério da Ciência e Tecnologia, Álvaro Prata, em entrevista ao Valor. “Não sabemos para onde vai o número. Provavelmente ficará abaixo de 1,2%”, ele prevê. O próprio Ministério vive este ano com um contingenciamento de 44% dos recursos, o que afeta as plataformas estratégicas para a promoção da inovação. “A expectativa é que a partir do segundo semestre podemos ter descontingenciamento, irrigando os programas”, espera Álvaro Prata. Da parte do governo, o ideal seria fazer crescer o investimento público de 0,70% para 0,75% do PIB. Isso significa que caberia ao setor privado elevar seu aporte dos atuais 0,55% para 1,2%. Por isso a importância da contribuição da indústria catarinense para fazer esse número crescer. É o caso da WEG, multinacional sediada em Jaraguá do Sul, que em 2016 investiu R$ 247 milhões (2,6% da receita) em inovação.  Nos últimos dois anos, a companhia registrou 50 novas patentes, que se somam a 94 dos nove anos anteriores. “Esse é um dado especialmente significativo, considerando-se o nosso conceito de inovação como exploração com sucesso de novas ideias. Não desenvolvemos patentes para guardá-las na gaveta”, disse ao Valor o diretor-superintendente de Tecnologia e Inovação da empresa, Milton Castella.

 

UM CELEIRO DE PATENTES 

Oitava colocada no ranking das mais inovadoras, a Embraco, de Joinville, investe de 3 a 4% da receita líquida em pesquisa e desenvolvimento. O presidente da companhia, Luis Felipe Dau, lembrou ao Valor que a Embraco tem um longo histórico de criação de tecnologias próprias – desde 1980 já registrou 1,7 mil patentes. Boa parte das criações é feita com pesquisadores da UFSC, com a qual a empresa tem uma parceria de mais de três décadas. Outros destaques catarinenses do ranking das inovadoras são a Tigre (3º lugar no setor de materiais de construção e decoração), de Joinville, e a Duas Rodas (5º lugar na área de alimentos, bebidas e ingredientes), de Jaraguá do Sul. A Duas Rodas, presente em 30 países e com portfólio de 3 mil itens, fabrica aromas, condimentos, produtos para sorvetes, confeitaria e nutrição animal. O grupo tem um Innovation Center e dois centros de pesquisa, além de seis laboratórios no Brasil e no exterior. “Investimos anualmente em torno de 5% do faturamento em P&D”, informou Leonardo Fausto Zipf, presidente da Duas Rodas, ao Valor Econômico. 


SPC inova

O catarinense Roque Pellizzaro Junior (foto) foi reeleito para o segundo mandato de três anos à frente do o SPC Brasil, maior órgão de consulta de crédito da América Latina. Seu maior desafio também é a inovação, adaptando o SPC a um modelo digital autossustentável, à desburocratização do acesso ao crédito, melhorando as dinâmicas de trabalho dos varejistas e empresários e modernizando o formato de birô de crédito, com a elaboração de novos produtos de rede. “Entrar no mercado de crédito em meio a soluções digitais já não é mais um desafio para os birôs de crédito. O desafio, porém, é transformar o negócio em um modelo autossustentável, com planejamento estratégico digital definido e equipes preparadas para aprender e utilizar novas tecnologias”, explica Pellizzaro. 


MUNICÍPIOS

O governador Raimundo Colombo marcou mais um ponto com os prefeitos ao resolver um imbróglio que vinha se arrastando desde o final do ano passado. Vai pagar a dívida de R$ 437 milhões que o Estado tem com os municípios referente ao ICMS e ao Fundeb retidos no FundoSocial. A presidente da Federação dos Municípios (Fecam), Adeliana Dal Pont, prefeita de São José, está dando a boa notícia aos prefeitos junto com outra: o 1% de adicional do Fundo de Participação dos Municípios (FPM)  garantirá R$ 149 milhões às cidades catarinenses ainda este mês. Para coroar a safra de boas notícias, Adeliana informa que o termo de cessão de licenciamento ambiental, o Sinfat, começa a operar para integrar o licenciamento entre o Estado e os municípios.


FALANDO NISSO

“Em 2016, tivemos quase 300 novos produtos, que geraram 16% de receita sobre o faturamento da companhia, acima da nossa meta anual de 10%”
Leonardo Fausto Zipf, presidente da Duas Rodas, uma das indústrias mais inovadoras do país pelo ranking do anuário Valor Inovação Brasil


EM QUEDA

A Veja.com também registra a vertiginosa queda do país no campo da inovação. Segundo o site, no Índice Global de Inovação de 2017 o país amargou a 69ª posição, atrás do Bahrein, Vietnam e Arábia Saudita. Essa situação contrastante com o tamanho da economia nacional, que está estre as dez maiores do mundo. De 2011 para cá, o Brasil caiu 22 posições no ranking. 


NANOVETORES

Para mostrar como deveria ser o investimento em inovação no Brasil, a Veja.com dá como exemplo uma empresa catarinense, a Nanovetores, instalada no Sapiens Parque, em Florianópolis. Conta a reportagem que Betina Ramos, formada em Farmácia pela UFSC, notou uma carência no mercado brasileiro que ela poderia suprir. Uniu os seus conhecimentos técnicos com a habilidade de gestão do marido, Ricardo Ramos, e juntos (foto) fundaram a empresa, focada no desenvolvimento sustentável de sistemas de nanoencapsulação de princípios ativos. Com o apoio de editais de subvenção de agências de fomento, Betina conseguiu desenvolver uma tecnologia de ponta capaz de colocar produtos químicos em cápsulas muito pequenas, que atingem regiões mais profundas da pele. Em 2012, a Nanovetores recebeu o aporte de um fundo de investimentos, passou a participar de feiras internacionais e a exportar tecnologia. Hoje tem uma sede comercial nos EUA e conta com 22 distribuidores ao redor do mundo, atendendo 24 países. 

Imagens


logo palhocense.png

Copyright © 2011. Todos os direitos reservados | Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina