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Bondeconomia - Edição 594 - 22/06/17

22 Junho 2017 14:19:55

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PEDIDOS DE RECUPERAÇÃO JUDICIAL JÁ PREOCUPAM OS GRANDES BANCOS DE FOMENTO
Dois dirigentes dos principais bancos de fomentos de SC, o BRDE e o Badesc, confidenciaram à coluna uma grande preocupação com os pedidos de recuperação judicial que se multiplicam na Justiça – especialmente no setor comercial. O mais grave é que boa parte desses pedidos acontece logo depois que essas empresas abrem filiais e acumulam estoques, ou seja, compram “fiado” e depois pedem judicialmente para pagar a longo prazo, com carência, e todas as vantagens concedidas pela recuperação judicial. “Em vez de buscar financiamento nas nossas instituições para investir, crescer e solucionar seus problemas, empresas com dívidas estão buscando se financiar via judicial, prejudicando fornecedores e até os contratos que mantêm conosco”, diz um dos diretores de banco. Já a outra fonte com completa: “Por causa dessa estratégia, alguns fornecedores também estão tendo problemas de caixa e pedindo recuperação judicial, num efeito dominó”. E reclama: “Os juízes estão ‘caneteando’ a maior parte dos pedidos que chegam, fazendo com que cada vez mais empresários endividados optem por essa estratégia”. Em tempos não muito remotos essa tal ‘estratégia’ tinha outro nome. 


J&F, CAMPEÃ DE ‘ ESTRATÉGIA’ 
Quando se fala em ‘estratégia’, os irmãos Joesley e Wesley Batista, da J&F são imbatíveis. São os autores do maior golpe financeiro do século, tudo financiado com o nosso dinheiro. Como se esperava – e a ‘estratégia’ dos goianos foi assim planejada – o grupo que agora será fatiado e muitas partes revendidas aos antigos donos e novos compradores (a Cargill, por exemplo, já avisou os Batista que quer a Pilgrim’s Pride, maior processadora de carne de frango dos EUA, adquirida com dinheiro do BNDES). O fundo soberano Mudabala, de Abu Dhabi, está se cacifando para montar um consórcio de fundos dispostos a comprar o controle da JBS, maior processadora de carnes do mundo. Sempre é bom lembrar que parte desse império começou aqui em SC, com a saga de empreendedores que lutaram contra tudo e contra todos para transformar nosso Estado num modelo de produção, sanidade e qualidade no setor de carnes. Agora isso tudo ficará de vez na mão de estranhos, sem qualquer identidade catarinense, que vão levar daqui o dinheiro resultante da ‘estratégia’ dos Batista, protegidos por uma delação premiada no Brasil e pelo mercado financeiro no exterior.


STOUT DA UFSC PREMIADA
Na coluna anterior a gente falou do 1º Concurso Engenheiro Cervejeiro promovido pelo Crea-SC. Pois saiu o resultado: os estudantes Suzi Timmermann e João Luiz Moretto (à direita na foto), da UFSC, que levaram o troféu com uma Imperial Stout, vão ter sua campeã produzida na Armada Cervejeira e fazer o curso na Escola Superior de Cerveja e Malte. A professora Débora de Oliveira também recebeu o prêmio das mãos do presidente da entidade, Carlos Alberto Kita Xavier (à esquerda). A vice-campeã foi a Unoesc, de São Miguel do Oeste e em terceiro lugar ficou a Faculdade Satc, de Criciúma. E os eventos cervejeiros não param em SC: a história da produção da cerveja artesanal e as etapas do processo produtivo serão apresentadas no curso Introdução ao Universo da Cerveja, sábado (24), no campus da Univali em Florianópolis. 


Rio Humboldt
Quando mais se debate meio ambiente no planeta, é imperdível a leitura de A invenção da natureza – A vida e as descobertas de Alexander Von Humboldt (Editora Crítica). Quem imagina um livro de história se surpreende: não há nada mais contemporâneo que Humboldt (1769/1859), principalmente nas relações entre ciência, política, economia e sociedade. Nascido em Berlim, ainda capital da Prússia (hoje Alemanha), percorreu a América durante cinco anos, do sul ao norte, e fez não só o mais completo levantamento da fauna, flora, geologia e astronomia, como também desenhou mapas e desnudou os problemas sociais, políticos e econômicos do continente. Transformou-se em abolicionista e um ferrenho adversário do colonialismo europeu. Influenciado pelas ideias do poeta Johann von Goethe, na América do Sul Humboldt “descobriu a natureza”, revelando que a Terra é um grande organismo vivo – “uma teia de vida e forças globais”.  Essa “nova ideia de natureza mudaria a maneira como as pessoas entenderiam o mundo”, afirma a autora Andrea Wulf. Ao retornar à Europa, Humboldt faz amizade com Simón Bolívar, que morava em Paris. Graças às ideias do alemão, Bolíviar volta à Venezuela para iniciar as lutas pela independência da América Latina (infelizmente o poder o levou de democrata a ditador). Humboldt foi considerado o homem mais famoso do seu tempo – no mesmo patamar de Napoleão – e deixou seu nome gravado em acidentes geográficos, cidades e estados por todo o mundo e até na Lua, onde existe o Mare Humboldtianum. E o livro, best-seller mundial, conta que em SC também há uma homenagem ao inventor da natureza: o rio Humboldt, uma junção das confluências dos rios Natal e Vermelho, afluentes que nascem nos municípios de Campo Alegre e São Bento do Sul.


VAI BEM
Seguem em ritmo acelerado as inaugurações do Sistema Fiesc. No final de maio, o Laboratório de Tecnologia da Madeira e Mobiliário do Senai de São Bento do Sul foi duplicado e modernizou as equipamentos. Semana passada foi em Jaraguá do Sul, que teve sua unidade Senai ampliada para a oferta de uma proposta inovadora de formação profissional e de um laboratório para a construção civil.  E nesta semana é a vez de Pinhalzinho, no oeste, que vai inaugurar a unidade do Sesi. Em todas as visitas, o presidente da Fiesc transmite aos empresários locais o seu otimismo com a retomada da economia em SC. Na palestra (foto) que fez na Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (Acijs), Côrte foi categórico: “Se a indústria catarinense vai bem, o Estado também vai bem”. 


PAUTA TÊXTIL
E por falar em indústria, o setor têxtil comemora depois de dois anos seguidos de recessão: alta de 1% até agora, contra queda de 5,3% em 2016, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit). A entidade promoveu encontro com a Frente Parlamentar Mista José Alencar, coordenada pelo senador catarinense Dalirio Beber no Congresso. A Abit quer a aprovação de duas pautas de urgência: a reinserção do setor de confecção na MP 774/2017, que desonera a folha de pagamento, e o aumento da alíquota no Reintegra, que devolve às empresas parte dos impostos acumulados na cadeia de produção destinada à exportação.


REPATRIANDO
Prefeitos esperam ansiosos pela nova repatriação de recursos: enquanto o governo estima arrecadar R$ 13 bilhões, o mercado fala em R$ 30 bilhões. Para SC, isso significa R$ 114 milhões no primeiro caso, e R$ 287 milhões no segundo. A maior parte dos valores deve entrar nas contas municipais em agosto, já que 31 de julho é o prazo final para declarações e pagamento dos valores repatriados. 

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